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Existe samba em SP
Escuta Aí
22 out 2014 | Por Jornalismo Júnior

Dizer que o samba morreu na cidade de São Paulo é o mesmo que dizer que um pedaço da história foi esquecido. É o mesmo que dizer que parte da arte foi eliminada. E o pior: é dizer que, cada vez mais, a cidade se entristece.

Mas se acalmem! Isso não é verdade! O samba ainda está presente em diversas partes da cidade, e é ouvido, dançado e apreciado por muitas pessoas. Casas de sambas, shows de samba de raiz, bares luxuosos que tocam samba – essa é a realidade paulistana.

E não para por aí. Em abril desse ano, mais uma casa de samba foi inaugurada, a Terra da Garoa. A casa, que se localiza na Avenida São João (uma das mais tradicionais avenidas da cidade de São Paulo) concorre agora com a mais tradicional dos últimos tempos: o Bar Brahma. Ambas apresentam shows aos fins de semanas de ícones do samba, como Demônios da Garoa, Benito di Paula, Diogo Nogueira, Simoninha e Toquinho.

“Terra da Garoa”, inaugurado esse ano na Avenida São João, oferece opção para quem gosta de samba. Foto: Divulgação.

Mas não são somente bares que atraem as pessoas para o samba. Cresce cada vez mais o número de salões de baile que tocam samba. Thayná Silva, de 19 anos, frequenta há um ano a festa Pilantragi, que remixa sambas de raiz (como Beth Carvalho e Clara Nunes) e diverte as noites desses que preferem o ritmo brasileiro. “É difícil achar um lugar legal que toque músicas tradicionais. Até porque as baladas mais frequentadas só tocam eletrônico e pop”, ela diz.

Salões e festas como a Pilantragi promovem pelo menos uma vez por semana festas que tocam somente samba, e samba de raiz. E, sabendo que muitas pessoas sentem vergonha por não saber dançar o samba propriamente dito, tais lugares contratam professores de dança que ficam espalhados pelo salão, ensinando os clientes. Esse é o caso da casa Zais, na Vila Mariana, que aos domingos apresenta o Clube de Gafieira e ensina as pessoas a dançar.

E o samba não está fechado somente em festas semanais e casas de shows. A marca Nivea, por exemplo, promoveu no semestre passado um festival nacional que reuniu os novos nomes do samba (como Diogo Nogueira e Vanessa da Mata) com nomes mais antigos, mas ainda famosos pelos seus sambas (como Martinho da Vila e Alcione). E o resultado foi um sucesso. Em diversas cidades do Brasil, os shows estavam lotados, por um público variado e muito animado.

Carnaval em São Paulo
Esse ano foi um ano atípico para o carnaval paulista. Atípico porque não foram somente as escolas de samba que tomaram a atenção dos paulistanos. Os bloquinhos de rua ressurgiram com imensa força na região oeste da cidade. O bairro da Vila Madalena foi invadido por jovens fantasiados e extasiados com blocos como Jegue Elétrico, Os Bastardos, João capota na Alves e outros. Com adaptações de músicas de carnaval, samba e hits do momento, os blocos animaram a cidade e prometem manter-se como programa turístico para os que ficam em São Paulo no feriado.

Bloco de rua “Jegue Elétrico” foi uma das atrações do carnaval paulistano. Foto: Divulgação.

Para conhecer mais
Sites como Catraca Livre e Samba & Choro mostram as casas de samba em São Paulo e suas programações. Vale a pena conferir tais páginas. Opção é o que não falta. Espalhadas cidades, as casas de samba e os bares estão de portas abertas para quem quiser desfrutar do ritmo. Desfrutar e viver parte desse gênero musical que embeleza a cidade há anos. Agora é só escolher, e sair sambando.

Por Carolina Pulice
carolmppulice@gmail.com

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COMENTÁRIOS
RAUL Aureliano
Ola Carolina, obrigado pelo texto. O título é muito forte, conheço membros da velha guarda (de vivência não de escolas e mídias), que já se conformaram do fim do Samba em SP. Em partes, concordo com eles, vivenciaram fatos do Samba que acredito que nunca viverei, seriam fatos muito atípicos como ter grandes bambas do Samba em pleno bar de uma esquina qualquer. Citar casas como Terra da Garoa (que cobra $300 por show), e demais locais que se situam em bairros elitizados também não é uma afirmação do Samba. Pelo contrário, isso torna o título de seu texto mais real. E a realidade mais triste em SP. E também os corações dos amantes do Samba que moram por aqui. Citar o carnaval da Vila Madalena, também não é uma forma de manter o Samba vivo, o Samba é mais que uma bagunça de jovens, o Samba é religião. A convido para conhecer casas que existem há mais de 10 anos, conhecer comunidades que aos trancos e barrancos mantém a chama acesa (como diria Luiz Carlos da Vila), e ai sim, nós impactar e nos ajudar a manter o Samba paulista vivo, mesmo que seja respirando por aparelhos.
28 out 2014
 
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