Home Eu Fui Exposição Saramago celebra a vida do homem por trás da genialidade
Exposição Saramago celebra a vida do homem por trás da genialidade
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17 maio 2018 | Por Jornalismo Júnior

A vida e obra de José Saramago, considerado o maior nome da literatura portuguesa contemporânea, recebem uma retrospectiva íntima e sensível na exposição “Saramago – os pontos e a vista”, recebida pelo edifício Farol Santander, localizado no coração da cidade de São Paulo.

Ao caminhar – de forma livre, já que a disposição da mostra permite aos visitantes percursos variáveis pela narrativa das salas – pelos andares 19 e 20 do edifício, que abrigam a exposição, conhecemos as opiniões e visões de Saramago sobre os mais diversos pontos: a escrita, a língua, Portugal, a religião, a política, sua visão crítica sobre as injustiças do mundo, os sonhos, a velhice, a morte e o amor. Tudo é abordado de forma delicada e intrínseca, mesclando os pensamentos do autor com algumas de suas principais obras, proporcionando ao público uma experiência transformadora.

A mostra abriga dezenas de materiais sobre a longa e marcante trajetória de Saramago, como uma biografia completa organizada em linha do tempo, que conta com fotos e objetos pessoais que ilustram e tornam um pouco mais tangível a vida do escritor. Além disso, conta com um vasto e riquíssimo acervo de projeções audiovisuais, que proporcionam ao público uma imersão singular ao universo de José Saramago, através de depoimentos em primeira pessoa. O material é fruto dos anos em que o cineasta Miguel Gonçalves Mendes, responsável pelo documentário José e Pilar – que fala sobre a relação do escritor com sua esposa Pilar Del Río – acompanhou e registrou a vida do casal.

Imagem: Divulgação

Esse material é o principal instrumento na abordagem íntima almejada pelo curador Marcello Dantas, que após uma visita à casa do escritor nas Ilhas Canárias, foi surpreendido com uma dimensão humana da figura do Saramago. Os arquivos audiovisuais apresentam ao público uma visão singela da real faceta do ganhador do prêmio Nobel de Literatura de 1998. Vemos um homem simples. Grisalho, de olhar e pele marcados pelo tempo, emana voz suave e fala descomplicada, mas se consagra a cada frase, nos conquistando com sua genialidade tão acessível.

De fato, esse é um dos pontos abordados na exposição: “Vim do povo e sei como ele vive e pensa” – a frase, dita pelo escritor em uma das muitas visitas ao Brasil, transparece seu desejo de se comunicar de forma acessível com o público. Tal  humildade vem do berço. Já nos primeiros passos da exposição, somos apresentados a aldeia de Azinhaga, onde Saramago, filho e neto de camponeses, nasceu em 1922. Através de memórias e objetos pessoais, como a cama de seus avós – abordada de forma tão sensível num elogio singelo aos avós em seu discurso ao receber o prêmio Nobel –  entendemos a origem da humildade que veremos nas projeções que preenchem o restante da exposição e embarcamos na jornada de conhecimento sobre a obra e a intimidade do escritor.

 

A exposição não é apenas sobre o escritor, roteirista, jornalista, dramaturgo e poeta português. É, principalmente, sobre o filho, o neto, o cidadão, o amante. A exposição não é sobre Saramago. É sobre José.
A exposição “Saramago – os pontos e a vista” tem entrada gratuita e pode ser visitada até dia 3 de junho no edifício Farol Santander, no centro de São Paulo. O espaço fica aberto de terça a sábado, das 9h às 20h, e aos domingos, das 9h às 18h. Mais informações na página da exposição, ou pelo telefone (11) 3553-5627.

Por Giovanna Stael
giovannastael@usp.br

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