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Falta um pouco de Tim Burton em O Lar das Crianças Peculiares
CINÉFILOS
28 set 2016 | Por Jornalismo Júnior

O renomado diretor Tim Burton, de O Estranho Mundo de Jack (The Nightmare Before Christmas, 1993), Edward Mãos de Tesoura (Edward Scissorhands, 1990) e tantos outros filmes de sucesso retorna às telonas com O Lar das Crianças Peculiares (Miss Peregrine’s Home For Peculiar Children, 2016), adaptação do livro homônimo escrito por Ramson Riggs. O jovem Asa Butterfield estrela uma trama que aborda superpoderes, viagens no tempo e problemas familiares, sem se aprofundar em nenhum desses aspectos.

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Jake, personagem de Butterfield, tem de lidar com a misteriosa morte de seu avô, apresentado como um idoso beirando a insanidade. Visões de monstros e estranhos humanos de olhos brancos incomodam o garoto ao ponto de fazê-lo buscar uma psiquiatra, que joga a culpa dessas alucinações no estresse pós-traumático. No entanto, o protagonista logo é levado para outra realidade: o dia 3 de setembro de 1943, onde conhece os outros personagens que compõem o enredo.

As Crianças Peculiares são chamadas assim por possuírem habilidades especiais – incinerar objetos com o toque e flutuar, por exemplo – e, sob tutela da Sra. Peregrine, interpretada por Eva Green, fazem parte de uma “fenda” no tempo. Para proteger os superdotados, a governanta do lar faz com que um mesmo dia seja infinitamente repetido, evitando qualquer imprevisto que ameace sua segurança. Nesse momento, as complicações no entendimento do filme começam a surgir. As trocas de período histórico não são bem explicadas durante o longa, criando certa confusão no espectador em várias cenas.

Em meio a muitos personagens, o de Samuel L. Jackson é o único que desvia um pouco da atenção dada a Asa. Sua voz marcante e comicidade são reafirmadas como marca registrada do ator, principal antagonista. Pouco tempo é destinado ao desenvolvimento das crianças e à família de Jake, deixando questões que poderiam ser bem aproveitadas sem respostas completas. Tanto suas amizades quanto a má relação com os pais são tratadas com displicência e, sem sustentação, as cenas que envolvem esses âmbitos parecem artificiais.
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A temática infantil é predominante na obra. O clima obscuro e que atinge tanto crianças como adultos – muito presente na filmografia de Burton – é quase inexistente, dando lugar a uma história previsível e que não propõe grandes reflexões ao seu público. O jogo de cores é o único contraponto a esse fato; tons frios e tristes tomam conta da realidade vivida por Jake; cores mais vivas só são mostradas juntamente com as Crianças Peculiares. Ainda assim, um recurso muito simples perto dos utilizados em outros filmes do diretor.

O Lar das Crianças Peculiares, isoladamente, não agrada nem decepciona, mas quando colocado junto aos outros filmes de Burton, há um problema muito claro. Seus últimos trabalhos não estão atingindo a qualidade esperada; é impossível comparar a relevância de Sombras da Noite (Dark Shadows, 2012) à de A Noiva Cadáver (Corpse Bride, 2005) ou à de outros sucessos do diretor. Espera-se que Beetlejuice 2 (sem data de estreia prevista), seu próximo lançamento, consiga retomar a grandeza conquistada por Tim Burton em Hollywood nas últimas duas décadas.

O Lar das Crianças Peculiares estreia 29 de setembro nos cinemas. Confira o trailer!

por Breno Deolindo
breno.deolindo.silva@gmail.com

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O Cinéfilos é o núcleo da Jornalismo Júnior voltado à sétima arte. Desde 2008, produzimos críticas, coberturas e reportagens que vão do cinema mainstream ao circuito alternativo.
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