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Lollapalooza encerra com shows surpreendentes e aguardados há anos
Escuta Aí
26 mar 2018 | Por Jornalismo Júnior

Crédito: Marcelo Brandt/G1

O terceiro dia do Lolla 2018 foi marcado por apresentações há muito esperadas de artistas com extenso número de fãs, como The Neighbourhood, Lana Del Rey e The Killers. Mesmo sendo o último de três longos e quentes(!) dias de Lollapalooza, o público não perdeu a energia em momento algum, o que deixou os artistas livres para se emocionar, brincar e se divertir junto aos fãs. Outros shows secundários, como de Khalid, Aurora, Liam Gallagher e Sofi Tukker, foram capazes de segurar com maestria a carga de estar em um festival tão grandioso.

Um momento de grande comoção e importância política ocorreu durante o show da banda Francisco, el Hombre, de integrantes mexicanos e brasileiros. As cantoras Maria Gadú e Liniker foram chamadas ao palco para cantar Triste, Louca ou Má, que se trata de um tocante manifesto contra o machismo e o patriarcado. Lágrimas caíram enquanto uma imagem de Marielle Franco era projetada no telão.

Créditos: Tamara Nassif

The Neighbourhood: rock, hip hop e eletrônica nunca estiveram tão próximos

A banda The Neighbourhood apresentou um show eletrizante para uma multidão de fãs no palco principal. O grupo indie, conhecido por fundir rock, eletrônica e hip hop, criou uma atmosfera intensa e cheia de groove no palco principal. A mistura do som das guitarras carregadas de efeitos, unida às linhas de sintetizadores, deu ao público a sensação de ser atingido por uma parede de som, que, juntamente com os vocais suaves e emocionais de Jesse Rutherford, complementava perfeitamente o som da banda.

A dupla de djs brasileiros Cat Dealers moveu uma multidão de fãs na sessão de eletrônica. Com uma combinação de remixes de clássicos, hits e estreia de música nova, o conjunto eletrizou a tarde no primeiro palco.

 

Khalid traz vivacidade e carisma à tarde ensolarada do Onix

Créditos: Camila Cara/Lollapalooza

Com apenas 20 anos de idade, o americano lançou, em março de 2017, seu álbum debut: American Teen. O show iniciou com a música de mesmo nome, a qual Khalid cantava pulando e dançando ao lado de duas cheerleaders. Até mesmo as pessoas que estavam no palco para esperar o grande show da noite, de Lana Del Rey, tiveram seu cansaço remediado com a energia do cantor e das dançarinas.

A setlist contemplou basicamente todo o disco e teve seus ápices nos hits Saved, Location e Young, Dumb and Broke. Esta última, sendo a música preferida do cantor, como dito antes de cantar, foi a escolhida para fechar a tarde.

O mais impressionante na apresentação foi a preocupação de Khalid em agradar os fãs. O tempo todo foi muito simpático e carismático: mandou beijos, acenou, agradeceu genuinamente o carinho do público e chegou até a ler, em cima do palco, uma cartinha que recebeu de uma fã da plateia. Tudo isso, é claro, acompanhado de uma voz incomum e gostosa de se ouvir.

Liam Gallagher juntou tanto fãs do Oasis quanto de sua carreira solo no palco principal. O vocalista entregou uma dose generosa de clássicos do Oasis, somados a hits do Beady Eye e suas músicas solo, levando a audiência à loucura com Some Might Say, Rock ‘n’ Roll Star, Morning Glory, e, é claro, Wonderwall. No final de semana anterior, Gallagher não conseguiu terminar sua apresentação no Lolla do Chile. Por conta de uma infecção pulmonar, ele encerrou o show depois de cantar quatro músicas. Já no Brasil, ainda adoentado, o ex-vocalista do Oasis também cancelou o show marcado para a última quarta (21), somente voltando a se apresentar no Onix Day (22), evento extra organizado pelo Lolla.

 

Lana Del Rey aflora sentimentos no Lollapalooza em show sensível, potente e autoral

Créditos: Raul Garcia

O começo da noite no palco Onix foi marcado por emoção e energia descomunal da plateia composta, em grande parte, por fãs assíduos da cantora norte-americana. Desde a madrugada de domingo, já havia pessoas na fila do festival para conseguir a tão preterida “grade”. Isso porque, além do apreço pela artista, Lana não havia retornado ao Brasil desde o Planeta Terra de 2013.

Menos tímida, mais segura de si e com maior potência vocal do que há cinco anos, Lana Del Rey entrou no palco ao som da idílica 13 Beaches, música de seu mais recente álbum, Lust for Life (Julho, 2017). Quando terminou de cantar, não segurou sua felicidade e aplaudiu o público, que havia acompanhado todos os versos; o Brasil mais uma vez honrou seu título de Melhor Plateia. Ao longo da noite, a plateia continuou a fazer coro aos antigos (mas icônicos) sucessos, como Video Games, Born to Die e Ride.

Assim, Lana, impressionada com nossa potência, resolveu fugir do protocolo e variar a setlist original de acordo com o que era pedido (Serial Killer, Get Free) ou o que ela simplesmente queria cantar no momento (Yayo). Além disso, mostrou-se à vontade e acessível ao descer em direção à plateia, onde cantou com fãs, deu selinhos e os tocou como forma de bênção durante Born to Die.

Todo esse repertório musical muito valorizado foi ancorado por detalhes visuais impecáveis: o cenário tropical-bucólico composto no palco por palmeiras, espreguiçadeiras e balanços, os belos vídeos transmitidos no telão e as dançarinas/backing vocals capazes de trazer um ar performático à apresentação. Tais elementos foram responsáveis por criar um ambiente imersivo e único, assim nos transcendendo à proposta extremamente autoral da estética Lana Del Rey.

Com um dos shows mais marcantes do festival, Lana Del Rey demonstrou seu crescimento pessoal da forma mais sincera possível, esbanjando simpatia, talento e cativando cada vez mais fãs. Oremos para que não sejam precisos mais cinco anos de espera para o próximo.

 

The Killers encerra o Lollapalooza com show e performance eletrizantes

Crédito: Marcelo Brandt/G1

Para finalizar os três dias do festival, The Killers fez uma apresentação radiante, cheia de hits e muita pose. Com o show alto astral, a banda fez uma performance mostrando toda a pompa trazida de Las Vegas: roupas alinhadas, muito brilho, efeitos especiais e um Brandon inspirado e expressivo, que encantou o público e fez com que todos cantassem juntos canção por canção.

As surpresas não pararam por aí: a baterista da Banda Scracho, Dedé Teicher, subiu ao palco para tocar For Reasons Unknow. Ela, que também é apresentadora do Canal Multishow, levantou um cartaz pedindo para tocar a música. Liam Gallager também apareceu de surpresa, deixando Flowers claramente impressionado. No Lollapalooza do Chile, o Killers fez um cover de Wonderwall depois do ex-vocalista do Oasis encerrar o show dele por problemas de saúde.

Mesmo com a formação original incompleta, depois do guitarrista David Keuning desistir de sair em turnê, o show foi memorável. Apesar de hits já esperados, a ordem do setlist, a performance da banda – e simpatia do vocalista – foram o diferencial. Interagindo com o público, arriscando palavras em português e coordenando o coro durante as canções, o grupo encerrou a maratona de três dias do festival de um jeito que não deixou nada a desejar. Fazia cinco anos desde a última apresentação do grupo no Brasil, fato que o vocalista não esqueceu e ainda prometeu não demorar tanto tempo para voltar. Esperamos que a promessa logo se cumpra.

Por Luciana CardosoMarcus De Rosa Raul Garcia
lucianacardoso@usp.br | mesderosa@usp.com | raulgarcia@usp.br

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