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Met Gala 2019 – A sociedade em busca do excêntrico
Controle Remoto
08 maio 2019 | Por Sala 33

Por Mayara Prado

mayaraprado@usp.br

Na última segunda-feira, dia 06/05, ocorreu o Met Gala 2019, evento de moda mais renomado do ano, organizado pela Vogue, em Nova York. O tema escolhido para ficar exposto no Metropolitan Museum of Art e para ser abordado na vestimenta dos convidados foi Camp.

A expressão americana, desconhecida por muitos, possui como significado a liberdade em sua forma excêntrica. Camp é para aqueles que não possuem medo de se expressarem.

As Drag Queens são aquelas que melhor representam o movimento. Por meio de roupas e maquiagens extravagantes, elas incorporam a arte, desafiam os padrões e preconceitos impostos pela sociedade. Sem elas, o tema não teria embasamento nem estética suficiente para ser exposto em um museu.

Pela primeira vez, o Met Gala possui como tema algo que está imerso diretamente no universo LGBTQ+. E o evento, de certa forma, celebrou isso.No Tapete Rosa, notou-se não somente os típicos rostos hollywoodianos, mas também personalidades que representam, até então, os negligenciados por esse universo.

A Drag Queen Aquaria no Tapete Rosa [Imagem: New York Times]

Camp também é algo inerente ao universo de Lady Gaga, que foi eleita uma das anfitriãs do evento, junto com Harry Styles, Serena Williams e Alessandro Micheli. A cantora tem sua carreira marcada por suas roupas e performances excêntricas e, durante a noite, conseguiu exceder todas as expectativas ao aparecer com um vestido rosa bufante, que deu origem a mais três vestimentas igualmente fascinantes.

Lady Gaga e suas quatro vestimentas, produzidas por Brandon Maxwell [Imagem: Getty Images]

O quarto traje, representado por botas de plataforma e lingerie, desconstrói com a concepção do que é vulgar ou apropriado. Tal vestimenta, usada por muitos da comunidade queer, ao ser apresentada no evento de moda mais importante do ano, prova que não existe roupa inapropriada e que o importante é estar de acordo com a sua própria personalidade.

Outra personalidade que também marcou a noite foi Cardi B. A cantora usou um vestido de 3 metros, feito por Thom Browne, que possui como inspiração o corpo feminino e suas formas. Em vermelho, a rapper mostra que o corpo feminino é arte e deve ser celebrado.

Cardi B no Tapete Rosa [Imagem: New York Times]


Alguns convidados celebraram a cultura negra e sua vivacidade. A cantora Diana Ross, ícone do jazz norte-americano, foi inspiração para diversos trajes. Artistas como Lupita Nyong’o e Ciara valorizaram o cabelo afro e seu volume. O blazer de Lena Waithe com os escritos “Drag Queens Negras inventaram o Camp”, ressaltou que o movimento possui uma raíz queer e negra. Michael B Jordan usou uma vestimenta preta, e que quebra com a velha ideia de que pessoa negra não pode usar preto.

Billy Potter também foi um marco da noite. A personalidade trouxe a cultura egípcia para o tapete rosa: com um traje dourado reluzente e asas, ele fez referência a Rá, deus do sol. Além disso, sua entrada foi considerada, pela Vogue, como a melhor da história do baile.

Ser negro, em 2019, pelo menos nas apresentações e desfiles, é algo para ser exaltado.

Billy Porter entrando no evento [Imagem: Getty Images]

Céline Dion também fez presença na noite. A cantora usou um adorno de penas na cabeça, acessório presente na maioria das roupas dos artistas, e uma peça única repleta de franjas. Sem ter medo de exagerar e mostrar o corpo, ela prova que idade não deve definir a forma de se expressar e de se vestir.

Céline Dion usando Oscar de la Renta no Tapete Rosa [Imagem: New York Times]

O que questiona-se acerca do baile, já que o tema celebrou tanto o diferente e sua singularidade, especialmente as inspirações queer, é sobre a falta de presença de uma Drag Queen entre os anfitriões do evento. Convidar mais pessoas da comunidade queer, para um evento que antes os excluía, pode até ser um avanço. Todavia, eles mereciam o protagonismo.

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