Home Na Estante “Novamente Você”: Para quem nunca deixou de acreditar na força do amor e do perdão
“Novamente Você”: Para quem nunca deixou de acreditar na força do amor e do perdão
Na Estante
23 dez 2016 | Por Jornalismo Júnior

O livro Novamente Você (Suma de Letras, 2016) de Juliana Parrini é a versão impressa de um romance lançado originalmente na plataforma de leitura digital Wattpad e não nega sua origem, fazendo recordar a todo momento o universo das fanfics. Desde a linguagem, considerada informal demais para páginas materiais, com palavrões nos mais diversos contextos, ao cenário do litoral brasileiro, absolutamente tudo te faz viver uma experiência completamente diferente do habitual contato com best sellers norte-americanos.

A protagonista Maria Rita deixou sua cidade Natal, a Vila do Abraão, em Ilha Grande, para nunca mais voltar. Sempre tivera o desejo de conhecer o mundo, mas foi um aborto espontâneo que aparentemente a impulsionou a deixar, não só a família, como seu marido para trás. Não é possível deixar de sentir rancor por uma pessoa que durante 12 anos se ausenta com um turista e retorna não apenas arrogante, mas esperando encontrar tudo como deixou.

Por esse motivo, é tão difícil aceitar a princípio que Leonardo Júnior ao reencontrá-la, agora como Miah, uma insuportável socialite, continue a nutrir sentimentos por ela. É uma história para aqueles que acreditam no poder inabalável do amor e, principalmente, no perdão. A trama desenrola-se em torno de duas dúvidas, que não estão relacionadas ao amor inquestionável de um pelo outro, mas ao porque ela foi embora e qual o verdadeiro motivo de sua volta.

“Involuntariamente, minha mão voa para o seu rosto, e meu polegar acaricia sua pele macia. Tocá-la me transporta para aquela época, quando éramos um casal. Quando eu era feliz, quando ela me fazia feliz.”

Honestamente, é pela curiosidade que se tornou possível passar por diálogos às vezes mal escritos e cenas entediantes. As respostas que começam a aparecer bem no finalzinho são coerentes e convincentes, o que acaba por justificar a leitura. No mais, é uma trama interessante de certo tom novelesco a qual falta uma certa maturidade da autora. Juliana Parrini, certamente, tem potencial para ser um nome a se acompanhar no correr dos próximos anos.

Outra coisa surpreendentemente interessante é o emprego de músicas na trama, não porque eu seja obcecada por Só Hoje – Jota Quest, mas por realmente serem capazes de criar a atmosfera pretendida: os dois a céu aberto, olhando o mar com o pensamento em um passado que insiste em ressurgir. Como romântica intrínseca, não poderia deixar de apreciar o bom e velho final feliz.

Por Aline Melo
alinemartimmelo@gmail.com

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