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Netflix: A esperança e a delicadeza de ‘O Farol das Orcas’
CINÉFILOS
08 jul 2020 | Por Maria Clara Abaurre (mariaclara.abaurre@usp.br)

“Autismo: síndrome infantil caracterizada pela incapacidade congênita de estabelecer contato verbal e afetivo com as pessoas e pela necessidade de manter seu ambiente absolutamente estável.” Esse é o verbete lido pelo biólogo Beto (Joaquín Furriel), que busca entender a visita inusitada de Lola (Maribel Verdú) e seu filho Tristán (Joaquín Rapalini).

O Farol das Orcas (El Faro de Las Orcas, 2016), filme da Netflix dirigido pelo espanhol Gerardo Olivares, é inspirado no livro “Agustín Corazón Abierto”, no qual Roberto Bubas relata sua experiência com as orcas em uma forma de terapia com um garoto autista. A película é baseada na vida do guarda-fauna da Península de Valdés, na Patagônia, e conta com um cenário arrebatador da costa argentina, que é muito bem trabalhado pela fotografia de Óscar Durán.

 

A relação entre Roberto Bubas e Agustín inspirou O Farol das Orcas. [Imagem: Roberto Bubas]

A relação entre Roberto Bubas e Agustín inspirou o longa. [Imagem: Roberto Bubas]

A espanhola Lola decide ir à Patagônia depois de ver seu filho comovido por um documentário sobre o biólogo e as orcas. A mãe, abandonada pelo pai do menino e culpada pela família, tenta convencer Roberto a ajudar seu filho, mas o pesquisador não é, a princípio, o homem sensível que ela esperava. O “encantador de orcas”, contudo, muda de ideia e recebe os hóspedes em sua pequena cabana ao lado do farol.

Aos poucos, Beto expõe Tristán à natureza, passeia com ele à cavalo e o leva para ver as baleias em um pequeno barco a remo. O biólogo usa com o menino a mesma habilidade e paciência necessárias para interagir com as orcas e cria um vínculo capaz de dissolver as barreiras que existem entre os dois.

Beto e Lola, enquanto isso, desenvolvem um profundo respeito um pelo outro. Os traumas e as dificuldades enfrentadas pelos dois se moldam numa relação de carinho e a trilha sonora típica da “Gran Fiesta de la Esquila” ― festa tradicional da região ―, que celebra o típico tosquiar das ovelhas, com músicas, comidas e trajes típicos gaúchos – conduz o espectador ao início de um romance.

 

Beto torna-se uma espécie de figura paterna para Tristán. [Imagem: Netflix]

Beto torna-se uma espécie de figura paterna para Tristán. [Imagem: Netflix]

O roteiro de cadência lenta condiz com a proposta da obra e apresenta de maneira muito sensível o relacionamento de Beto com o trabalho e com as orcas, a problemática do garoto autista e as angústias de sua mãe. É importante notar como o filme trata o autismo, sempre deixando claro que não é uma doença, mas uma característica neurológica. 

É interessante, ainda, como a trama consegue apresentar os trabalhos de pesquisa e acompanhamento das orcas, além de diversas informações sobre o comportamento desses animais naquela área. Apesar de criticado por sua interação física com as baleias, Beto confia tanto nos animais que tranquiliza Lola quando Tristán vai sozinho até a praia.

 

Joaquín Rapalini Olivella interpreta Tristán. O ator não é autista e surpreende com a verossimilhança da atuação. [Imagem: Divulgação/Netflix]

Joaquín Rapalini Olivella interpreta Tristán. O ator não é autista e surpreende com a verossimilhança da atuação. [Imagem: Divulgação/Netflix]

É de se esperar que o filme apresente diversos contratempos e situações íntimas que são exploradas ao longo de seus 110 minutos de duração, mas o conflito final é certamente inesperado e carece de explicações. Porém, os sacrifícios de Lola não foram em vão e, mesmo com um final que deixa um pouco a desejar, a história é cheia de sentimentos de esperança, admiração e carinho.

Delicado e visualmente esplêndido, O Farol das Orcas traz à tona reflexões sobre a necessidade de escutar ao outro e sobre a importância da calma e da paciência. O filme vale cada minuto e cada lágrima.

O longa está disponível para todos os assinantes da Netflix. Confira o trailer:

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O Cinéfilos é o núcleo da Jornalismo Júnior voltado à sétima arte. Desde 2008, produzimos críticas, coberturas e reportagens que vão do cinema mainstream ao circuito alternativo.
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COMENTÁRIOS
Rúbia
Nem tudo precisa de respostas finais. O começo e o meio do enredo foram suficientes vivências♥
27 set 2021
 
Oci Martins
O enredo e fotografia são lindos mas o final acabou com o filme. Para mim os ângulos das últimas cenas deixou nitida impressão que aquele menino morreu . Afogado e devorado. Ademais, grave falha, ficou no fato de como ninguém foi atrás daquela criança ? Confiar mais na terapia que no bom senso ? Essa falha extrapolou a fertilidade da imaginação, o tiro foi no pé. E por fim, o menino é um péssimo ator.
14 set 2021
 
Wanderley Farah
Filme com falhas ridículas como o cara não ter um banheiro embora tenha uma estrutura com água corrente, luz, e outras coisas. A mulher teve que ir fazer o número 2 no Mato???. A cena do sujeito com o garoto no barco, o tempo hora está no olhal, hora empilhado. Erros ridículos numa produção. E o filme é médio. O garoto trabalha mal pra caramba
29 ago 2021
 
Cláudio
Final surpreendente, quis nos mostrar a importância de acreditar na capacidade do menino de superar seus problemas, temos que confiar pois autismo não é doença pq não leva à morte e é sim apenas um modo único de viver.
28 ago 2021
 
Solange
O filme "O Farol das Orcas", hoje disponível na Netflix, não trata apenas da incrível relação do biólogo argentino com aquele grupo de orcas, mas sim o improvável interesse que aquela amizade despertou em menino argentino autista surdo e mudo, chamado Agustin, que, até então, jamais havia demonstrado interesse por nada. Levado pelos pais para ver de perto a relação entre Bubas e as orcas, Agustin passou uma temporada com o biólogo e, a partir de então, seu desenvolvimento social decolou. Hoje, aos 27 anos, Agustin leva uma vida praticamente normal, tem namorada, usa a linguagem de sinais para se comunicar e é artista plástico.
10 jul 2021
 
Saulo
O que aconteceu depois? O menino morreu? Queria muito saber o final....
03 jul 2021
 
Bruno
Eu vim aqui a este site tentar perceber qual é o significado do final do filme... Mas a verdade é que todos ficaram com a mesma sensação que eu... Sem perceber nada do final.....
21 jun 2021
 
LEONICE NOGUEIRA
Um filme lindo, mas me decepcionei com o final...
20 jun 2021
 
Aparecida
Afinal,eles ficam juntos? E o menino,morreu? Não entendi!
20 jun 2021
 
Larissa Ferreira
O filme é lindo! Porém , fiquei muito decepcionada com o final dele! Chorei "litros"! Esperava uma interação do Tristan com as baleias, junto ao Beto e sua Mãe; No entanto, o final foi desolador; Pois ver aquela criança entrando no mar sozinho, de pijaminha e com a orca na sua frente foi desesperador! A sensação é de que a criança perde a sua vida afogada! Um filme tão lindo, mas com um final desencantador!
13 maio 2021
 
Ana Darc Reis
Excelente filme ...mas tficou uma ? no final ...
16 mar 2021
 
Celma
Ótimo filme,só o final que deixa a desejar,mas no geral é bem interessante.
30 dez 2020
 
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