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O lado obscuro das produções cinematográficas
CINÉFILOS
29 jun 2015 | Por Jornalismo Júnior

por Fernanda Giacomassi
fegiacomassi@gmail.com

Você já acabou de assistir um filme com muita vontade de comer, dançar, tirar a roupa? Ou então com uma tristeza tão profunda, daquelas que só muito chocolate salva? Cuidado! O seu subconsciente pode ter sido vítima de uma mensagem subliminar. Ou será que é apenas o conteúdo do filme em si que nos causa certos desejos? Mito ou verdade, é fato que muitas pessoas já ouviram falar desta teoria.

A mensagem subliminar é a arte da persuasão inconsciente. Dá­-se o nome de mensagem ou propaganda subliminar toda aquela mensagem que é transmitida em um baixo nível de percepção, tanto auditiva quanto visual. Embora não possamos identificar esta absorção da informação, o nosso subconsciente consegue, e ela é assimilada sem nenhuma barreira consciente, influenciando nossas escolhas, atitudes, e motivando a tomada de decisões posteriores.

A teoria foi lançada em 1957, quando o publicitário James Vicary instalou em um cinema de Nova Jersey um projetor especial, o taquicógrafo, o qual projetava intermitentemente na tela frases como DRINK COKE e EAT POP CORN, aumentando, segundo ele, em 57,7% as vendas de pipoca e em 18,1% as vendas de Coca-Cola. A partir do experimento, a teoria das mensagens subliminares se tornou extremamente popular, porém, alarmado com a dimensão que a história recebeu, James Vicary confessou ter sido pressionado a modificar os resultados do experimento.

A percepção subliminar é um tema amplamente estudado pela psicologia. Embora muitos pontos permaneçam controversos, não há nenhuma evidência científica de que alguém possa ser persuadido por uma mensagem subliminar.

Sem persuasão ou com persuasão, o que importa na verdade é que as mensagens subliminares despertam um grande interesse  e acabam sendo utilizadas, na maioria das vezes, por brincadeira, em muitas músicas, propagandas e, de grande interesse a nós cinéfilos, em filmes. Vamos a eles!

Clube da Luta e a meta-subliminação

Clube da Luta (Fight Club, 1999) é um filme norte-americano dirigido por David Fincher. O longa é baseado no romance homônimo de Chuck Palahniuk, publicado em 1996, e se tornou um clássico do cinema tanto pela sua produção, como pela mensagem social que transmite.

O personagem vivido por Brad Pitt, Tyler Durden, já trabalhou em um cinema e um de seus passatempos favoritos era a inserção de frames de imagens sexuais durante os filmes infantis, como mensagens subliminares. Mas o mais interessante é que no final do filme uma das imagens que Tyler costumava inserir, aparece rapidamente à nós telespectadores, como se o personagem estivesse editando o próprio filme, uma meta-subliminação. Além disso, antes de ser realmente apresentado no filme, Tyler Durden já aparece como “flash” em quatro cenas anteriores.

Vida de estagiário

Em janeiro de 1999, os fãs dos estúdios Disney ficaram chocados com um comunicado divulgado pela empresa: todos os 3,4 milhões de fitas de Bernardo e Bianca (The Rescuers, 1997) seriam recolhidos das lojas e locadoras porque o desenho continha a imagem de uma mulher nua escondida em uma das cenas.

A Disney classificou o caso como brincadeira de um estagiário, mas a gente sabe que o estúdio não é tão inocente assim:

O castelo libidinoso

O rumor é que um rancoroso artista que estava perdendo seu emprego desenhou um objeto fálico num castelo da Pequena Sereia (The Little Mermaid, 1989) como forma de protesto. Contudo, o artista negou a vingança e disse que não estava prestes a ser demitido, mas foi forçado a desenhar rapidamente porque seu prazo já havia esgotado e ele nem notou a forma exata que tinha desenhado a torre.

Mensagem na poeira

Uma das mensagens subliminares mais conhecidas dos filmes da Disney, e que foi muito debatida, é a nuvem de poeira do Rei Leão (The Lion King, 1994). Na cena, Simba se joga no chão perto de um precipício e uma nuvem de poeira se levanta e, em questões de segundos, pode-se ler a palavra “sex”, inglês para sexo. A resposta da produção foi de que o time de efeitos especiais na verdade queria acrescentar a sigla “SFX” para deixar sua “marca” no desenho.

Histeria coletiva

O filme Annabelle (2014), dirigido por John R. Leonetti, ganhou repercussão mundial ao ter sua exibição proibida na França.

Inspirado em outro sucesso de terror nos cinemas, Invocação do Mal (The Conjuring, 2013), o longa foi retirado por motivos de segurança: muito além dos comuns gritos de pânico, há relatos de poltronas danificadas, brigas, insultos, cuspes e até mesmo urina.

Tamanha foi a dimensão do caso que se buscou na psiquiatria um explicação. “Para o adolescente, de natureza inquieta e que vive dentro de um corpo em transformação, filmes de terror funcionam como um espelho. Eles vêem nele suas próprias angústias. E no caso de ‘Annabelle’, acreditam poder expressar suas emoções livrementes, pois estão rodeados de jovem que não os julgam”, explicou a psiquiatra Stéphane Clerget.

É claro que o caso também caiu nas garras das teorias conspiratórias, as quais afirmam que o ocorrido é um caso clássico de mensagens subliminares dominando as atitudes dos jovens subconscientemente.

Outras mensagens, o mesmo mistério

Fugindo um pouco dos casos mais bizarros, existem também outros tipos  de mensagens escondidas em filmes, porém estas são mais uma referência ou homenagem do que uma possível forma de persuasão. É o caso dos Easter Eggs.

O nome vem da tradição americana de esconder os ovos de chocolate no feriado de Páscoa para que as crianças os encontrem. E é exatamente assim que funcionam estes segredinhos escondidos em programas, sites, jogos e filmes: uma brincadeira para os usuários ou telespectadores encontrarem.

Os “ovos de páscoa” podem ter inspiração em produções anteriores, homenagens ou até mostrar spoilers sobre os filmes que serão lançados em breve.

Tudo acaba em pizza

Você pode até não se lembrar deste caminhão de pizza, mais ele com certeza fez parte da sua infância. O veículo, original de Toy Story (1995), aparece em quase todos os filmes da Pixar. Seria uma homenagem ao primeiro longa-metragem produzido pelo estúdio? Não sabemos, mas a lista de aparições é grande, agregando desde produções antigas até atuais.

Aliás, não é apenas em pizza que acabam os Easter Eggs da Pixar. Ao que parece, a produtora é especialista na utilização deste recurso.

– Em Toy Story 2 (1999) é possível ver um calendário de Vida de Inseto (1998) na parede do quarto.

– Em Ratatouille (2007), o personagem Linguini está usando uma cueca estampada com a marca de Os Incríveis (The Incredibles, 2004).

– No consultório de dentista que aparece em Procurando Nemo (Finding Nemo, 2003) há um Buzz Lightyear jogado no chão.

Grande Fã

Kevin Feige, presidente do Marvel Studios revelou em entrevista recente que é totalmente obcecado por Star Wars e que, intencionalmente  todos os filmes da Fase Dois da Marvel fazem uma referência, um tanto quanto medonha, ao longa: alguém perde o braço!

Quem conhece Star Wars, sabe que os personagens, seja na nova ou na antiga trilogia,  têm o hábito de cortar o braço ou a mão dos outros com alguma frequência. E os heróis não ficaram de fora desta sina.

– Homem de Ferro 3 (Iron Man 3, 2013) – No final do filme, Aldrich Killian tem o braço cortado quando Tony Stark aquece o traje do Homem de Ferro e o “explode”.

– Thor: O Mundo Sombrio (Thor: The Dark World, 2013)- Loki corta o braço de Thor, só que na verdade era tudo uma ilusão do deus da Mentira para distrair o elfo Malekith.

– Capitão América 2: O Soldado Invernal (Captain America: The Winter Soldier, 2014) – Em uma cena de flashback, vemos que Bucky perdeu o braço quando caiu do trem em Capitão América: O Primeiro Vingador (Captain America: The First Avenger, 2011).

Além disso, estes filmes  possuem Easter Eggs próprios, como é o caso de Os Vingadores (Avengers, 2012), no qual Tony Stark aparece vestindo uma camiseta da banda de rock Black Sabbath que, entre outros títulos, fez sucesso nos anos 70 com uma canção chamada Iron Man, nome original em inglês do Homem de Ferro.

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O Cinéfilos é o núcleo da Jornalismo Júnior voltado à sétima arte. Desde 2008, produzimos críticas, coberturas e reportagens que vão do cinema mainstream ao circuito alternativo.
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