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Rap – a nova cena ganha espaço
Escuta Aí
29 jun 2015 | Por Jornalismo Júnior

A cada dia que passa, toma conta das ruas um novo som. Aquele que um dia foi coisa de marginal, invade a casa da mais alta burguesia, refletindo um novo cenário musical. Este é o rap, protagonizado pela nova geração que, com muita força e disposição está roubando a cena. Nomes como Flow MC, Emicida, Ogi, Rashid, Costa Gold, Don L, Nocivo Shomon, Haikaiss, Marcello Gugu, dominam as cenas do underground ao mainstream.

Marcello Gugu, um dos criadores da Batalha do Santa Cruz em São Paulo.

Marcello Gugu, um dos criadores da Batalha do Santa Cruz em São Paulo. Foto: reprodução.

Racionais MC’s, Facção Central, RZO, Elo da Corrente, Sabotage e outros grandes nomes são citados pelos novos rappers como fonte de inspiração e influência. Porém, o rap que antes estava concentrado na periferia, saiu pelas ruas em busca de novos ouvintes, a fim de expandir seu modo de visão da sociedade. Embora muitos ainda sigam a linha do rap gangsta, ele não é mais tão comum na nova geração, como antes era. Esse estilotem por característica a descrição e a crítica ao cotidiano violento do morador de periferia, subjulgado à condições de vida marginais. As letras que antes se mostravam mais agressivas, passam a ter um tom mais suave, sem perder seu lado crítico e moralizante.

https://www.youtube.com/watch?v=NVv0ccUvhkM

Em entrevista a Folha de São Paulo, Flow MC declara ter sido salvo pelo rap dos anos 90 que, aos seus olhos, precisava ser mais agressivo, devido a realidade a que estava inserido: “Fico feliz em ver um negro escrevendo uma letra feliz, mil temas que não poderiam ser escritos [antes] porque ele não teria nem direito a essa felicidade”, declarou o MC, referindo-se ao rap da nova geração.

A relação entre as gerações é de muito respeito, ambas afirmam aprender muito uma com a outra. O mais velho procura passar conhecimento musical para seu sucessor, enquanto o mais jovem ensina empreendedorismo, algo que faz muita diferença na carreira de um artista, e fez muita falta para alavancar mais ainda o sucesso do rap dos anos 90. Abaixo segue o videoclipe da música “Infame part. II”, da parceria do grupo Haikaiss com o Sandrão, do RZO, e Shawlin.

O novo rap vem se transformando em algo mais complexo. Com o auxílio de equipamentos da mais alta qualidade, beats ganham formas mais intensas e bem produzidas, valorizando as obras de arte falada. A internet é outra vertente tecnológica que auxiliou e muito o advento do rap. Seja na facilidade de compartilhamento de músicas gratuitamente antes mesmo de seu lançamento em disco, ou de videoclipes, a internet serviu como meio de quebra de antigas barreiras. A relação com fãs se tornou mais fácil, assim como a exposição do andamento de seu trabalho e compartilhamento de novos projetos.

Outro segmento que ganhou mais força com a internet e que lucra muito em torno do rap é o de vestuários. Por meio de sites online, principalmente, muitos grupos e rappers solo lançam suas linhas de roupas e obtém muito sucesso. Mochilas, camisetas e os famosos bonés movimentam dinheiro dentro dos estúdios independentes, sendo este revertido em mais equipamentos e no aprimoramento de produção de seus associados.

O centro do rap continua sendo a cidade de São Paulo, porém, nomes de muitos cantos do Brasil chegam a capital em busca de espaço. Curitiba, Brasília, Ceará e Rio de Janeiro, enviaram para a grande cidade nomes como MC Cabes, Flora Matos, RAPADURA e Filipe Ret e com eles novos jeitos de rimar.

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Foto do grupo Oriente, um dos mais famosos do Rio de Janeiro. Foto: reprodução.

Batalha do Santa Cruz, Rinha dos MC’s e Galeria Olido foram alguns dos espaços que deram abertura para uma complexa expressão cultural, o freestyle. Após conseguirem se expressar nesse ambiente competitivo, onde se derrota seu adversário com o peso de suas palavras, muitos não conseguiram mais se desvincular do rap. Emicida, Rashid e Projota são nomes que vieram de berços como estes.

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Cena da Rinha dos Mc’s, fundada pelo Dj DanDan e Criolo. Foto: reprodução.

Assim como para todos os tipos de músicos, para um rapper também é difícil alavancar uma carreira, demandando muito esforço. Muitos ao contarem a história de sua trajetória, relatam terem vendido EP’s por dois reais para simplesmente conseguirem vender alguma coisa e fazer alguém ouvir. A dificuldade encontrada por MC’s é muito alta pela existência de um preconceito que acompanha seus antecessores desde sempre. A marginalização do rapper e a associação dele à violência, por exemplo, são paradigmas que ainda não foram completamente quebrados.

Apesar das dificuldades, no decorrer dos últimos anos as mulheres vêm conquistando espaço no rap. Nomes como Karol Conká, Flora Matos e MC Lurdez da Luz, trazem uma nova pegada a algo que antes tinha uma cara fechada. Com melodias mais cantadas e outros tipos de abordagens. Porém, o caminho de conquista ainda é longo, não somente no segmento rap, mas em todos eles.

Outro avanço recente no espaço da poesia falada é a associação com outros gêneros da música brasileira. O samba, o funk e até mesmo o rock são exemplos de estilos que se mesclaram com o rap em músicas que, por sua característica inusitada e notória, fizeram muito sucesso. Parcerias entre Edi Rock e Seu Jorge com a música “That’s My Way” e Pitty e Emicida com “Hoje Cedo”, são exemplos de sucessos que estouraram ao serem lançadas.

Por Isabella Schreen 
isabella.schreen@gmail.com

 

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COMENTÁRIOS
Antonio
boa girafa vc é 10
05 nov 2015
 
Antonio
boa
05 nov 2015
 
Sala 33 conversa com SPVIC e com o Dj Sleep sobre a nova cena do rap nacional | Sala 33
[…] *Para saber mais sobre a nova cena de Rap nacional, clique aqui. […]
27 jul 2015
 
Rafael Biolchini
Ótima matéria (: Não me lembro se foi caetano quem disse algo como "a função delatora da sociedade, por parte da música, passou do mpb para o rap"
29 jun 2015
 
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