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O que rolou no primeiro dia da Campus Party Brasil
Eu Fui
13 fev 2019 | Por Jornalismo Júnior

Imagem: João Pedro Malar / Jornalismo Júnior

A Campus Party Brasil, maior evento de tecnologia do mundo, deu seu ponta-pé inicial no dia 12 de Fevereiro. “A 12° edição ocorre em São Paulo, no Expo Center Norte, um espaço maior que dos anos anteriores. Com as mais diversas atrações, que vão desde palestras com cientistas famosos a shows com bandas formadas pelos próprios visitantes, a CPB funcionará 24 horas por dia, durante os cinco dias do evento, somando mais de mil horas de entretenimento.

O público espera ansiosamente pelo início da Campus Party/ João Pedro Malar

São esperados cerca de 130 mil visitantes, e para os mais valentes que acompanharão todos os dias, há uma área que irá abrigar oito mil deles em barracas, como feito tradicionalmente nas Campus Party ao redor do mundo.

O primeiro dia começou com uma coletiva de imprensa com os principais responsáveis do evento, como Francesco Fagguncia, presidente do Instituto Campus Party, e Tonico Novaes, diretor geral do evento. Ela contou, também, com representantes de marcas e expositores, que apresentaram suas ideias inovadoras e planos para uma maior integração entre a sociedade e tecnologia.

Joaquim Pereira, representante da Ford, exibiu em primeira mão o novo projeto para diagnosticar problemas nos carros da marca. A ideia é integrar os módulos eletrônicos do veículo a um óculos de realidade aumentada, que ajudará o técnico a identificar alguma falha existente. Auxiliando o mecânico, também haverá um assistente no escritório da empresa que, pelo computador, também poderá ver toda a planta do veículo e passará instruções para o conserto do automóvel.

Além das diversas palestras, a Campus Party também traz um projeto inovador em conectividade wireless. Pela primeira vez, um evento desse porte terá uma internet Wi-Fi com 40GB de velocidade. O responsável pelo projeto garantiu que o sinal será estável para todos os visitantes, inclusive para aqueles que têm a intenção de jogar games online. O projeto é dos mais avançados do mundo e irá suportar cerca de 12 mil equipamentos conectados simultaneamente, entre celulares e computadores.

Mais de 8 mil pessoas ficarão acampadas durante o evento/ João Pedro Malar

Essa não é a única novidade do evento. A 12° edição contará, também, com o primeiro Fórum Brasileiro de Empreendedorismo Social e Periférico, um workshop de edição de podcasts, a Campus Jobs. Ela visa incentivar o jovem a empreender e orientá-lo na busca por um emprego, a maior liga de e-sports amadora do mundo. Além disso, foi trazida a Campus Summit, reunião com mais de 500 executivos que irão discutir a questão da inovação em empresas, e muitas outras atrações. Essa quantidade de novidades garantirá, para Tonico Novaes, uma das melhores edições de todos os tempos do evento.

A Arena Gamer será o palco da maior competição amadora de e-sports do mundo/ João Pedro Malar

Paco Ragageles, fundador da Campus Party, disse que, mesmo não tendo surgido no Brasil, o evento ganhou uma dimensão sem comparação no país. Para ele, isso ocorre pois as edições combinam com o espírito do brasileiro, marcado pela criatividade e capacidade de comunicação. Ragageles disse que a CP “ajuda a tornar sonhos uma realidade”, a partir da oferta de tempo e multidisciplinaridade para os campuseiros.

A CP dese ano contará com dois eventos de Hackathon importantes, um organizado pela Visa e outro pela Prefeitura de São Paulo. Os Hackathons são maratonas de programação, e o objetivo deles no evento é apresentar soluções para os problemas enfrentados tanto por empresas como pelo setor público, permitindo a implementação das mesmas.

A primeira palestra no principal palco do evento, o Feel the Future, foi de Ivair Gontijo. Gontijo é um físico mineiro que está diretamente ligado às missões de exploração à Marte, participando dos projetos que levaram o veículo Curiosity ao planeta. Ele também é autor do livro A Caminho de Marte: A incrível jornada de um cientista brasileiro até a NASA, que narra sua trajetória profissional e pessoal.

Em sua fala, Gontijo comentou sobre suas origens e como chegou até a NASA, partindo do interior de Minas Gerais. Depois de se graduar em física e realizar o seu mestrado na UFMG, realizou um doutorado em Glasgow, Escócia. A partir daí, foi quase que natural para Gontijo chegar ao Jet Propulsion Lab, da NASA, na Califórnia. Na palestra, o físico deu detalhes do local, principal centro de exploração robótica do Sistema Solar.

No JPL, ele trabalhou com o envio de 3 robôs para o planeta vermelho: Pathfinder, Spirit e Curiosity. Gontijo detalhou a mais recente missão da NASA: o envio do robô Curiosity. O processo de entrada, descida e aterrissagem no outro planeta, segundo o físico, é chamado de “os setes minutos do terror”, pela dificuldade e risco envolvidos. Ele trabalhou, principalmente, na elaboração dos radares do robô, essenciais para o processo de descida, de modo a garantir a velocidade ideal e evitar a destruição da máquina.

Gontijo ao lado do Curiosity, na JPL/ João Pedro Malar

O físico apresentou os diversos instrumentos presentes no Curiosity, como um equipamento de filmagem em alta resolução e um sistema de leitura por laser. Em um momento de descontração, Gontijo comentou que a ciência e a tecnologia podem ser tão emocionantes quanto um gol em um jogo de futebol, e exibe um vídeo que mostra a eufórica reação de um grupo de observadores e cientistas quando a chegada do Curiosity em Marte foi confirmada. Por fim, elemostrou uma selfie tirada pelo robô já no outro planeta.

O Curiosity conseguiu trazer vários novos dados para os cientistas, como uma análise precisa do ciclo sazonal na Cratera Gale, onde o robô pousou. Além disso, houve a descoberta de moléculas orgânicas muito complexas, geralmente associadas à vida, abrindo novas possibilidades para a busca de vida no planeta.

Gontijo comentou também os próximos passos no planeta, com o envio de um veículo parecido com o Curiosity que irá coletar amostras rochosas de Marte e de sua órbita e trazê-las de volta para a Terra. O nome do projeto é Mars2020 e contará com drone de coleta de amostras, embutido no robô. O físico participa no desenvolvimento dos instrumentos de sensores da máquina.

O drone Leonardo será o responsável pela coleta de amostras do solo marciano/ João Pedro Malar

A segunda palestra da noite foi do empresário, escritor e aventureiro Marcos Palhares. Palhares é um dos poucos humanos com vaga reservada para uma viagem suborbital, realizada pela empresa Virgin Galactic. O tema da palestra foram as iniciativas para levar o homem para fora da Terra e a contribuição da iniciativa privada nesse desafio.

Palhares comentou que seu sonho sempre foi ser um astronauta, mas acabou seguindo passosmais realistas. Mesmo assim, continuou um fã de temas associados à exploração espacial. A chegada do astronauta brasileiro Marcos Pontes, porém, deu-lhe uma inspiração para tentar chegar ao espaço. A partir daí, ele começou a correr atrás do seu sonho: se tornar um astronauta.

Passou por espeleologia, rapel, canyoning, exploração de desertos e mergulho em busca da sensação de adrenalina e superação que ele associou à exploração espacial. Um elemento essencial, porém, era o conhecimento. Palhares realizou o Curso de Astronomia de São Paulo e o Curso Orsini (Fundamentos de Astrofísica), chegando até a NASA, com o Astronaut Training Experience.

Uma das muitas experiências de Palhares envolveu o mergulho a níveis de profundidade extremamente altos/ João Pedro Malar

Uma figura que Palhares conheceu é Elon Musk, um magnata do ramo da tecnologia que vem feito investimentos em projetos de envio de naves para o espaço e para Marte pela iniciativa privada. Além disso, ele conheceu o programa espacial russo, incluindo o cotidiano dos astronautas russos.

O aspirante a astronauta, enfim, conseguiu chegar na estratosfera, uma camada mais externa da nossa atmosfera, onde conseguiu ver o espaço e a curvatura da Terra. Ele lembra que, neste momento, havia realizado parte do seu sonho. A partir daí, Palhares buscou passar por uma série de simulações do ambiente espacial, de modo a se preparar para quando, algum dia, fosse para o espaço. No entanto, em 2011 a NASA decidiu deixar de enviar astronautas para o espaço, dificultando ainda mais a realização da meta de Palhares.

Porém, ele acabaria conhecendo Marcos Pontes e, juntos, iniciariam uma empresa de eventos ligados às histórias dos dois. A empresa conseguiu uma parceria com a Virgin Galactic, que tem como objetivo levar o homem ao espaço. Com isso, Palhares conseguirá, finalmente, realizar seu sonho e chegar ao espaço. Não pela NASA, como planejava inicialmente, mas sim por uma empresa privada, algo que simboliza o presente, e o futuro, da exploração espacial.

 

por João Pedro Malar e João Vitor Ferreira
joaopedromalar@gmail.com | jvitorsilva7@gmail.com

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