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Sense8: O refúgio na diversidade
Controle Remoto
05 fev 2016 | Por Jornalismo Júnior

Dentre as séries mais assistidas, comentadas e aguardadas de 2015, é notável a predominância de produções originais do Netflix. Não contente com o status de líder de streaming na internet, a marca hoje se estabelece também como criadora e distribuidora de conteúdo, sendo responsável por nomes de peso como Orange Is The New Black, Narcos, House of Cards e Jessica Jones. Isso se deve justamente à ousadia das tramas: desde relações abusivas até o império ilegal de Pablo Escobar, as obras de maior sucesso são as que abordam temas considerados tabus através de personagens carismáticos e complexos. E é isso que faz de Sense8 um triunfo absoluto.

A ideia central do enredo pode não parecer, a princípio, uma fórmula para o sucesso: oito pessoas que aparentemente não têm nada em comum descobrem ter uma conexão mental que os permite se comunicarem entre si – com todos os seus sentidos.

Basicamente, eles conseguem “visitar” uns aos outros sem sair de seus locais de origem – que são muito diferentes. Wolfgang está na Alemanha, enquanto Kala vive na Índia. Sun é da Coreia do Sul, e Capheus do Quênia. Riley, apesar de ter nascido na Islândia, vive na Inglaterra. Nomi e Will vivem nos Estados Unidos, e Lito reside no México. As mudanças de local dão à série seu primeiro atrativo: cenários visualmente impressionantes. E também é um alívio ver uma história que não seja ambientada nos Estados Unidos – não totalmente, pelo menos.

(A personagem Riley em Londres, um dos cenários da série. Imagem: Divulgação)

Nos primeiros episódios, a história de cada um dos protagonistas é desenvolvida. E é aí que fica quase impossível não continuar assistindo. Os arcos são intensos e, principalmente, variados – porque o roteiro não falha na construção de personagens diversos e complexos. A representatividade é outro ponto alto: Nomi é uma mulher transsexual representada por uma atriz transsexual. Dois oito protagonistas, quatro são mulheres. Quatro não são brancos. Há um relacionamento gay e um lésbico (este, entre uma mulher trans e uma mulher cis negra). Infelizmente, todos esses tópicos ainda são exceções na indústria cinematográfica – e a série apresenta avanços significativos nesse sentido.

Esses avanços não significam que ela seja perfeita. Por exemplo, não há sequer uma pessoa gorda no elenco. Mesmo prezando pela diversidade, os padrões de beleza foram seguidos. Ainda é possível (e necessário) fazer muitas melhorias, sim. Mas a mensagem que esses avanços passam é evidente: há uma demanda por conteúdo mais representativo na televisão, e já passou a hora de deixar de ignorá-la. Só nos resta esperar que todas as outras produtoras de conteúdo finalmente captem essa mensagem.

Os personagens principais não são os únicos que despertam o interesse do público. Os personagens secundários são tão carismáticos quanto eles, e é impossível não se apegar a alguns. Como não se apaixonar por Amanita (interpretada por Freema Agyeman, de Doctor Who e The Carrie Diaries), que se dispõe a fazer qualquer coisa para proteger a namorada de qualquer perigo?

Com o público brasileiro, quem roubou a cena mesmo foi Hernando, o namorado de Lito. Isso não só porque ele é um personagem adorável e cada cena da relação dos dois aquece o coração de quem quer que esteja assistindo. É porque, além de tudo, ele é interpretado por Alfonso Herrera, o Miguel de RBD.

(O casal Hernando e Lito. Imagem: Divulgação)

Com personagens incríveis, cenários de tirar o fôlego e uma trama envolvente, fica difícil não dar ao menos uma chance à série. Mas que esteja avisado: quando se trata de Sense8, uma chance facilmente vira 48 horas seguidas de maratona.

Por Luiza Missi 

missiluiza97@gmail.com

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