Home Escuta Aí Trinca de Ases: Gil, Gal e Nando mostram que talento não é blefe
Trinca de Ases: Gil, Gal e Nando mostram que talento não é blefe
Escuta Aí
09 ago 2017 | Por Jornalismo Júnior

Imagem de capa: Manuela Scarpa / BrasilNews

Citibank Hall lotado. No palco, Gilberto Gil, Gal Costa e Nando Reis estreiam, na última sexta-feira (4), a turnê do projeto “Trinca de Ases”, que firma a parceria que os três iniciaram em outubro de 2016 após tocarem juntos num show em Brasília que homenageou o centenário de Ulysses Guimarães.

A “química” e “faísca” que os uniu para esse projeto manteve-se viva e irradiante durante uma hora e 40 minutos de show. Mais do que apresentar sucessos dos três ícones, o projeto traz músicas inéditas compostas por Nando e Gil. Num cenário simples e intimista, Magno Brito (contrabaixo) e Kainan do Jejê (percussão) se juntaram ao trio, acompanhando a guitarra e violão de Gil e Nando.

Gil foi o primeiro a dar boas-vindas ao público, apresentando a banda e a proposta do projeto. Animados, os três tiveram interações com o público. Um fã gritou “quebra tudo!” e Gil, bem- humorado, reagiu dizendo que quebraria a guitarra, porque ele era o roqueiro do trio, brincando com o Nando Reis, ex-baixista do Titãs. “Somos roqueiros do Tropicália”, acrescentou Gal, ainda tímida no começo do show.

A abertura foi com a música “Trinca de Ases”, que fala da sobre o encontro de dois nomes do movimento Tropicália com um dos compositores de maior sucesso no Brasil. O público ficou na expectativa de quais dentre tantos hits seriam tocados. Vez e outra, a plateia se manifestava pedindo sucessos como “Meu Nome é Gal”, mencionado várias vezes, mas o pedido não foi realizado. Já na quarta música, a euforia tomou conta quando a baiana soltou a voz cantando “Baby”. Em seguida, o público cantou junto com o Nando “All Star Azul”,  canção imortalizada na voz da Cássia Eller, sua grande amiga e intérprete de muitas de suas composições.

O repertório contemplou a trajetória dos três. E o resultado ficou surpreendentemente bom, num show de grandes sucessos e protagonismo do trio. Foram ao todo 23 músicas, sendo quatro inéditas para o projeto. Nando saiu de cena quando Gal cantou “Meu amigo, meu Herói”, acompanhada apenas pelo violão de Gil, único momento em que os três não estavam juntos no palco. Os novos arranjos das músicas foram outra surpresa. A harmonia entre os acordes de Gil, Nando e o acompanhamento do Magno e do Kainan ficaram perfeitos e deram a suavidade que o projeto merecia.

Nando Reis e Gal Costa se apresentam com o projeto Trinca de Ases. Crédito: Manuela Scarpa / BrasilNews

Para o público, foi um misto de emoção e surpresa pelo repertório escolhido, que contemplou até mesmo “Luar (a gente precisa ver o luar)”, que Gil há tempos não trazia nos seus shows.  Na voz de Gal, ficou maravilhosa a nova roupagem de “Dois Rios” – canção de Nando, Samuel Rosa do Skank e Lô Borges do Clube da Esquina. Outra música que surpreendeu foi “Água Viva”, que na versão original no Cd Jardim-Pomar é mais lenta.

Luiz Melodia, que faleceu na sexta-feira, dia da estreia da turnê, foi homenageado. Sensibilizados com a perda, ensaiaram a música na sexta à tarde e incluíram “Pérola Negra” no repertório. Claramente emocionados, pediram para que o público aplaudisse de pé o cantor (principalmente Gal, que já havia gravado a canção no álbum “Fa-tal Gal a todo vapor”, de 1971).

A turnê do projeto Trinca de Ases segue para outras capitais, como Rio de Janeiro, Porto Alegre, Recife e Fortaleza.

Por Luciana Cardoso
lucianacardoso@usp.br

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