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‘Ungodly Hour’ e a maioridade de Chloe x Halle
Escuta Aí
20 jun 2020 | Por Aline Novakoski (alinenovakoski@usp.br)

No último dia 12, as irmãs Chloe e Halle lançaram seu tão aguardado segundo álbum de estúdio, Ungodly Hour. A obra revelou não apenas o crescimento vocal mas também técnico da dupla, que começou a ganhar espaço muito cedo — elas postavam covers no Youtube quando Chloe tinha 13 anos e, Halle, apenas 11.

Dois anos depois, a vida das irmãs mudou: seu cover impressionante de Pretty Hurts chegou aos ouvidos de Beyoncé, que decidiu apadrinhá-las e se tornou empresária da dupla em 2015, tamanho o choque com a maturidade vocal das meninas. Em 2018, o duo lançou seu primeiro álbum de estúdio, The Kids Are Alright, que as levou a duas indicações de destaque no Grammy 2019: Artista Revelação e Melhor Álbum Urban Contemporary. O sucesso do trabalho anterior gerou uma grande expectativa para o próximo, mas será que ela foi atendida? 

Ungodly Hour reafirma o estilo que é marca registrada das cantoras: o R&B contemporâneo, presente na maior parte do disco. A mistura dos gêneros R&B e pop cria uma aura singular nas músicas separadas, porém faz com que tenham um sentido diferente e igualmente único como obra completa. 

Chloe e Halle, respectivamente, no clipe de 'Forgive Me' [Imagem: Reprodução]

Chloe e Halle, respectivamente, no clipe de ‘Forgive Me’ [Imagem: Reprodução]

Em uma entrevista anterior ao lançamento da obra, Chloe disse: “Queríamos chamar o álbum de ‘Ungodly Hour’ porque este é o momento em que não há problemas em não ser perfeito. Muitas pessoas nos veem como dois anjinhos, mas somos muito mais do que isso. Estamos crescendo como jovens mulheres e aprendendo a amar a nós mesmas, ao mesmo tempo em que reconhecemos as nossas inseguranças, vulnerabilidades e sexualidade.” A declaração  resume muito bem o que o disco representa para elas, e o que nos é apresentado. O duo supera com maestria a imagem infantilizada atribuída a elas. Aos 18 e 21 anos, elas exploram muito mais sua sensualidade e maturidade no novo trabalho, aspecto muito claro nas letras e nos clipes dos singles Forgive Me e Do It

A dupla aposta muito em backing vocals e diferentes ritmos dentro de cada música, para fugir do “mais do mesmo” que poderia caracterizar o segundo álbum do mesmo estilo. As faixas são em sua maioria muito dançantes, com refrões chiclete que  com certeza vão  ficar na cabeça o dia todo e você ainda vai querer voltar para ouvir mais uma vez, como por exemplo em Busy Boy, Tipsy e Catch Up — a faixa conta com a colaboração do rapper Swae Lee, que domina o refrão e traz uma voz bem diferente  para o disco.

Capa de Divulgação do single 'Do It' [Imagem: Reprodução]

Capa de Divulgação do single ‘Do It’ [Imagem: Reprodução]

O álbum conta ainda com uma introdução que dita o tom da primeira parte da obra, com backing vocals e batidas crescentes que oferecem ritmos únicos para as músicas. Esse tom é perceptível em Baby Girl e na música que leva o nome do disco, Ungodly Hour, que trata sobre empoderamento e relacionamento. 

Há um interlúdio que divide a obra em duas partes: a partir de agora o ritmo mais calmo toma conta das músicas. Don’t Make It Harder On Me e Wonder What She Thinks Of Me apresentam um R&B um pouco mais clássico e letras mais sentimentais e pessoais. Lonely é a faixa mais sincera do álbum, com uma composição direcionada aos sentimentos de estar sozinho, ao contrário do restante das músicas, que tratam mais estritamente sobre relacionamentos.

ROYL é a última faixa e a que dá um tom futurista ao fim da obra. Há uma quebra das batidas calmas que estavam sendo construídas nas músicas anteriores e a sensação de um novo começo de álbum. Assim, Chloe e Halle deixam uma sensação de “quero mais” e altas expectativas para os próximos trabalhos. Ungodly Hour impressiona, e a tão jovem dupla, que já alcança números incríveis pelo mundo, prova que veio para ficar.

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