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USP Talks – Ciência x Coronavírus
Horizonte de Eventos
10 maio 2020 | Por Luisa Costa (luisa.mc@usp.br)

No dia 7 de maio, foi realizada mais uma edição do USP Talks, evento promovido pela Pró-Reitoria da Universidade de São Paulo que realiza debates com pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP) sobre  temas de interesse público com o objetivo de aproximar a comunidade científica da população como um todo. Desta vez, o evento aconteceu por meio de uma live no Canal da USP no Youtube, devido ao isolamento social decorrente da pandemia do coronavírus, e foi organizado em apoio à Marcha Virtual pela Ciência, uma iniciativa da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC).

O tema foi “Ciência x Coronavírus”. Os palestrantes discutiram a situação atual da pandemia, o isolamento social, a genética do vírus, a produção de vacinas, os testes existentes e compartilharam com o público alguns estudos e descobertas recentes ao redor do mundo. O evento contou com a moderação de Herton Escobar, jornalista científico e repórter do Jornal da USP.

Esper Kallás, médico infectologista e professor da Faculdade de Medicina da USP, preparou uma apresentação para ilustrar o panorama geral da pandemia do Covid-19, que até o momento havia registrado mais de 3,7 milhões de casos e levado pelo menos 300 mil pessoas à morte.

O especialista também apresentou as características clínicas da doença, que são “relativamente simples na maioria das pessoas”: febre, tosse e fadiga. Em casos mais graves o vírus agride o pulmão causando uma inflamação que pode evoluir a ponto de exigir a intubação ou o uso de respirador pela pessoa infectada. 

A fala seguinte foi de Ester Sabino, médica imunologista, professora da Faculdade de Medicina e pesquisadora do Instituto de Medicina Tropical da USP. Ela forneceu informações sobre a genética e a história do coronavírus e mostrou o  esforço internacional para seu  sequenciamento, o que é importantíssimo para todos os outros estudos acerca do assunto como o desenvolvimento de vacinas, por exemplo.

Além disso, a pesquisadora chamou atenção para o fato de ser muito comum e natural a entrada de vírus na espécie humana. A discussão sobre o vírus ser originário de laboratório nos impede de observar o ambiente e entender como as mudanças provocadas na natureza facilitam a ocorrência de epidemias.

O jornalista Herton Escobar foi responsável por conduzir o debate. Reprodução: USP Talks.

O jornalista Herton Escobar foi responsável por conduzir o debate. Reprodução: USP Talks.

Jorge Kalil, que é médico imunologista, professor da Faculdade de Medicina da USP e diretor do Laboratório de Imunologia do Incor, explicou como funciona o desenvolvimento de vacinas. Ele contou que existem mais de cem propostas de vacinas para o coronavírus no mundo e que seu grupo de pesquisa está a ponto de submeter seu projeto aos testes clínicos para então entrar na grande “competição benigna” da produção de vacinas. O pesquisador também destacou a importância de se produzir uma vacina no Brasil: estaríamos exportando, dando preferência ao território brasileiro e adaptando-a às necessidades nacionais. 

Paola Minoprio, biomédica imunologista, pesquisadora do Instituto Pasteur de Paris e coordenadora da Plataforma Científica Pasteur-USP, falou sobre testes para o coronavírus que estão disponíveis atualmente e sobre a possibilidade de desenvolvermos imunidade. Ela afirmou que o teste PCR é atualmente o mais garantido para identificar a presença do vírus. Minoprio se mostrou contrária aos testes de farmácia: para obtê-los, pessoas sairiam nas ruas e colocariam suas vidas em risco por uma resposta que não sabemos se é confiável.

Já Paulo Saldiva, médico patologista e professor da Faculdade de Medicina deu mais explicações sobre como o coronavírus age em nosso organismo e como a doença pode progredir. Atentou também sobre a heterogeneidade espacial da cidade de São Paulo, na qual as taxas de transmissão e mortalidade do vírus variam em até 10 vezes dependendo da região.

O pesquisador explicou como a densidade populacional e a mobilidade de uma região colabora para a transmissão de vírus, dando exemplos históricos de epidemias e mostrando como nós criamos um “caldo de cultura” muito propício para que o vírus encontre hospedeiros. Além disso, lembrou que o estudo dessa pandemia tem mostrado cada vez mais a importância da ciência e da cooperação internacional.

Os palestrantes afirmaram que a capacidade de transmissão do vírus será reduzida quando atingirmos a imunidade de rebanho (quando 70% ou 80% da população entrou em contato com o vírus e já não o transmite) ou quando desenvolvermos uma vacina. Todos os palestrantes apostam no isolamento social como a única forma de mitigar o problema nessa fase exponencial de transmissão, mesmo Esper, que de início era cético em relação a este método, mas foi convencido pelas experiências de outros países. Kalil também lembrou que precisaremos planejar a saída do isolamento de maneira muitíssimo cuidadosa e partir de políticas individualizadas para os diferentes estados e municípios do Brasil, visto que as taxas de transmissão e mortalidade variam muito de uma região à outra. 

Ester Sabino, sequenciadora do genoma do coronavírus e palestrante do evento. Reprodução: USP Talks.

Ester Sabino, sequenciadora do genoma do coronavírus e palestrante do evento. Reprodução: USP Talks.

Posteriormente, Ester Sabino comentou sobre o evento em entrevista à Jornalismo Júnior. Ela afirmou que iniciativas como o USP Talks são uma grande oportunidade para a Universidade e a comunidade científica estabelecerem contato com a população, o qual é extremamente importante e pode, por exemplo, combater o discurso de grupos anti-ciência que procuram distorcer a realidade. Ela também enfatizou que a luta por salvar vidas e a economia não podem existir como uma dicotomia, mas precisamos achar soluções para as duas coisas através de projetos conjuntos. 

 

Esta edição do USP Talks estará disponível na íntegra Canal USP no Youtube e você pode acessá-la por meio do link.

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