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Veloz e furiosa, a Canoagem Slalom
ARQUIBANCADA
02 jun 2020 | Por Letícia Cangane (leticiacangane@usp.br)

Aventura. Ação. Velocidade. Adrenalina. Percurso. Obstáculos. Vitória. Essa poderia ser a descrição de um filme, escrita em letras itálicas no pôster de divulgação. A trilha sonora, com Led Zepellin no último volume, e a montagem paralela repleta de emoção começa a surgir na mente do espectador, o frio na barriga com a expectativa já presente. Essa, porém, não é uma sinopse ficcional. É, na verdade, o resumo de uma modalidade de esporte olímpico: a canoagem slalom. 


A apresentação de mundo

Originária do Esqui Alpino, praticado no frio inverno europeu, a modalidade Slalom nasceu com os entusiastas daquele primeiro esporte trocando a neve pela água corrente, gerada pelo derretimento do gelo, e o esqui pelo caiaque. O princípio segue o mesmo — desviar de obstáculos artificiais, conhecidos como portas, além de lidar com os naturais. Aliás, é disso que se trata a slalom: uma modalidade de canoagem que trabalha com um circuito de obstáculos em água corrente que devem ser transpostos pelo atleta. 

Denis Terezani, supervisor da Canoagem Slalom da Confederação Brasileira de Canoagem (CBCa), conta que o trajeto percorrido no esporte pode ter entre 150 e 400 metros de corredeiras, onde canoístas e embarcações navegam por obstáculos naturais, como refluxos, desníveis e ondas, além de por um número variável de 18 a 25 portas (duas balizas suspensas por cabos), que devem ser transpostas pelos canoístas. 

A atleta Ana Sátila remando caiaque nos Jogos Olímpicos de Londres – 2012

A atleta Ana Sátila remando caiaque nos Jogos Olímpicos de Londres – 2012 [Imagem: ICF]

A transposição das portas deve acontecer de duas maneiras diferentes. Nas portas verdes e brancas, as chamadas portas de frente, a passagem precisa ser executada no sentido favorável à correnteza. Já nas portas vermelhas e brancas, conhecidas como portas de remonta, a passagem deve ser realizada no sentido contrário à correnteza. Em provas oficiais, é obrigatório que haja no mínimo seis destas últimas ao longo do percurso. De acordo com os regulamentos internacionais da modalidade, o tempo recomendado para uma pista de Slalom nesse formato é de aproximadamente noventa segundos. 

Existem duas modalidades de canoagem Slalom: a Caiaque e a Canoa. Na Caiaque (K1), o atleta posiciona-se sentado na embarcação e o remo tem duas pás. A Canoa (C1), por outro lado, é caracterizada pelo atleta colocando-se ajoelhado na embarcação, com o remo possuindo apenas uma pá. Essas definições servem tanto para a modalidade feminina quanto para a masculina. 

Pista de slalom

Pista de slalom [Imagen; ICF]

 

Flashback — Canoagem

A Slalom é uma modalidade de canoagem, prática há muito presente na vida e na sociedade humana. Define-se canoagem como a condução de qualquer objeto flutuante auxiliado por remos, segundo Terezani. De acordo com Luiz Augusto Merkle, estudioso da prática esportiva canoagem e um dos pioneiros na introdução da modalidade no Brasil, a palavra caiaque originou-se com os esquimós no século XVI, sendo denominado de Qajag – que significava pequena embarcação estruturada com ossos de baleia, revestida com peles de foca.

Existem três formas de canoagem: a utilitária, ligada a subsistência de comunidades, contando com atividades como transporte, pesca e caça; a de lazer, associada a passeios e rafting, por exemplo; e a competitiva, que engloba a disputa, independentemente da sua natureza — seja com o cronômetro, com adversários ou até mesmo com o local onde acontece a prática da modalidade. Entre os tipos de canoagem competitiva, estão Velocidade e Maratona, nos lagos, Caiaque Polo, nas piscinas, Oceânica, Canoa Havaiana e Canoagem em Ondas, no mar e, nos rios, Descida, Rodeio e Slalom. 

Pedro Henrique Gonçalves da Silva, mais conhecido como Pepê

Pedro Henrique Gonçalves da Silva, mais conhecido como Pepê [Imagem: ICF]


Confronto 

As principais competições de canoagem Slalom se organizam em circuito internacional e circuito nacional. O supervisor da modalidade na CBCa conta que o internacional é composto, anualmente, por cinco Copas do Mundo e um Campeonato Mundial, além dos Jogos Olímpicos a cada quatro anos. O Brasil sempre participa de todas as etapas do circuito, além de possuir o seu próprio calendário interno de competições. 

O circuito nacional é composto, todos os anos, por três Copas do Brasil mais o Campeonato Brasileiro da primeira divisão. Terezani ressalta que, em todos esses eventos, são realizadas também competições para os iniciantes. Os jovens canoístas encaram corredeiras mais fáceis, com regras pedagógicas adequadas às respectivas idades. Existe, inclusive, um campeonato brasileiro só para essa categoria. Além disso, existem provas estaduais organizadas pelas federações do esporte por todo o país. 

O atleta brasileiro Felipe Borges em prova de Slalom

O atleta brasileiro Felipe Borges em prova de Slalom [Imagem: Fábio Canhete]

Nas palavras de Denis Terezani, “a competição olímpica é completamente diferente de qualquer evento”. É necessário muita cautela e uma preparação específica para participar do maior evento que envolve o esporte a nível internacional. Para os atletas olímpicos do time brasileiro, após os Jogos do Rio de Janeiro (2016), foi planejado e executado um novo ciclo de quatro anos voltado para a edição de Tóquio, em 2020. “A expectativa é que todos os atletas cheguem até a fase final e, se realizarem ótimas descidas, a medalha será o resultado da soma de todos esses fatores”, conclui o supervisor.


Protagonistas

O time brasileiro da modalidade é formado de acordo com o Ranking Nacional de Slalom. A partir dele, são selecionados os atletas para integrar a equipe permanente do Brasil, com sede no Rio de Janeiro e treinada por Cássio Petry e Ricardo Taques. Os treinos são realizados na pista artificial do Complexo Olímpico de Deodoro, enquanto a preparação física e todo o acompanhamento necessário — nutrição, fisioterapia, fisiologia e outros — acontecem no Centro de Treinamento Time Brasil, do Comitê Olímpico Brasileiro, instalado no Parque Aquático Maria Lenk.

Alguns dos principais nomes brasileiros do esporte atualmente são os atletas que representarão o país nas Olimpíadas de Tóquio, remarcada para 2021. No caiaque masculino, Pedro Henrique Gonçalves da Silva, o Pepê — 6° Colocado nos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro (2016) e Campeão dos Jogos Pan-americanos de Lima (2019) — já está classificado para Tóquio, assim como a Ana Sátila — Campeã Mundial Júnior (2014), Campeã Mundial Sub-23 (2019) e Campeã dos Jogos Pan-Americanos de Lima (2019), tanto no caiaque quanto na canoa feminina. 

Charles Corrêa

Charles Corrêa [Imagem:  Fábio Canhete]

Felipe Borges (medalha de Bronze nos Jogos Olímpicos de Lima), Charles Corrêa (medalha de Bronze no mundial sub-23 na canoa dupla com Anderson Oliveira e atleta olímpico nos Jogos Rio 2016) e Kauã Silva (1º colocado Pan-Americano 2017, na Costa Rica, campeão Brasileiro Júnior em 2018 e 3º colocado no Sul-Americano 2019, na Argentina) estão na disputa pela vaga olímpica na canoa masculina, buscando conquistá-la no Pan-Americano do Rio de Janeiro, previsto para abril de 2021. 

Além disso, há vários outros nomes que são promessas do esporte no Brasil, com treinamentos focados já nos Jogos Olímpicos de Paris, em 2024: os paranaenses Guilherme Schena Rodrigues, Omira Estácia Neta, Marina Souza Costa e Mathieu Desnos; o gaúcho Murilo Sorgetz e o paulista Kauã Silva. 

Kauã da Silva, uma das promessas brasileiras na Slalom 

Kauã da Silva, uma das promessas brasileiras na Slalom [Imagem: Fábio Canhete]

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