Jornalismo Júnior

Generic selectors
Exact matches only
Search in title
Search in content
Post Type Selectors
Generic selectors
Exact matches only
Search in title
Search in content
Post Type Selectors

41ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo: Feio

Este filme faz parte da 41ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo. Para mais resenhas do festival, clique aqui. Quando se lê o título de Feio (Ugly, 2017), pode-se imaginar que o filme trata de algum assunto quanto à estética. O termo, na verdade, é utilizado quase como uma metonímia – apesar de tão associado …

41ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo: Feio Leia mais »

Este filme faz parte da 41ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo. Para mais resenhas do festival, clique aqui.

Quando se lê o título de Feio (Ugly, 2017), pode-se imaginar que o filme trata de algum assunto quanto à estética. O termo, na verdade, é utilizado quase como uma metonímia – apesar de tão associado à aspectos físicos, aqui não assume nenhum significado de beleza visual, podendo em vez disso ser lido como vergonhoso. Na beira do humilhante, o longa procura abordar as personagens em seus estágios mais degradados. O feio é aquilo que não é dito, que é escondido, que não se pensa: o Alzheimer, as expectativas que destroem os relacionamentos e a impossibilidade de amor intrafamiliar.

Em certa medida incômodo para quem assiste, o longa não diminui ou oculta a dor por trás desses problemas – aliás, essa é a força regente dos personagens. Contado em várias frentes, o filme versa inicialmente sobre o relacionamento de Hanna (Angela Gregovic) e Jura (Dmitriy Bogdan) após sofrerem um acidente de carro. Atrás do volante, Jura foi pouco atingido, mas o mesmo não acontece com Hanna, que se encontra hospitalizada na Ucrânia em graves condições. O desenrolar desse caso se dá a partir do desgaste causado em ambos pela dor de Hanna, da culpabilidade que aplicam em Jura e da expectativa de que ele cumpra o que lhe é esperado – cuide e dê amor incondicional à enferma.

A partir desse momento inicial em que o casal é apresentado, a história se ramifica para suas respectivas famílias. Da parte de Hanna, vemos uma família austríaca muito rica. A mãe, Martha (Maria Hofstätter), está nos primeiros estágios de Alzheimer. Sua condição é captada de forma muito sensível – em uma de suas primeiras cenas, sentimos a agonia da personagem ao tentar lembrar a sequência dos meses do ano -, de forma a comover o espectador.

A família de Jura, de condição financeira menor, tem conflitos existenciais que prejudicam a dinâmica interna. Numa conversa, Jura questiona a não existência de amor, tanto entre a família como em geral. A situação, que se torna até um pouco tóxica para eles, se expande e passam a contestar um grande valor social – o amor entre familiares. E se ele não existir?

Ironicamente, Feio é bonito – visualmente bonito e bem produzido. Além das captações em ângulos inteligentes, visando compreender a subjetividade de cada um dos personagens, e assim também nos tornando mais próximos dos seus sentimentos, o filme se destaca pela paleta de cores muito bem pensada. Um capricho que está longe de ser o maior mérito do longa, mas definitivamente um ponto alto – o cuidado com que tudo é posicionado em cena para que as cores coordenem entre si deve ser enfatizado.


Feio é uma cutucada, nos personagens e em nós mesmos. É um alerta, quase uma denúncia, como se ressoasse ao fundo uma ordem para pararmos com o escapismo. Além de muito bem produzido, visualmente satisfatório, e de ter roteiro coeso e inteligente, o filme é bem atuado. De fato, um dos destaques da 41ª Mostra Internacional de Cinema, que (com o perdão do trocadilho) não faz feio.

Por Giovanna Jarandilha
giovannajarandilha@gmail.com

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Rolar para cima