Jornalismo Júnior

Generic selectors
Exact matches only
Search in title
Search in content
Post Type Selectors
Generic selectors
Exact matches only
Search in title
Search in content
Post Type Selectors

41ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo: A Oeste do Rio Jordão

Este filme faz parte da 41ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo. Para mais resenhas do festival, clique aqui. Desde o início da carreira, o israelense Amos Gitaï dedica quase todo o seu trabalho ao conflito entre Israel e Palestina. Com uma visão duramente crítica da política israelense, ele dirigiu dezenas de filmes ficcionais e …

41ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo: A Oeste do Rio Jordão Leia mais »

Este filme faz parte da 41ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo. Para mais resenhas do festival, clique aqui.

Desde o início da carreira, o israelense Amos Gitaï dedica quase todo o seu trabalho ao conflito entre Israel e Palestina. Com uma visão duramente crítica da política israelense, ele dirigiu dezenas de filmes ficcionais e documentários, abordando diferentes lados da contenda. Em 1983, chegou a mudar-se para a França após o longa Field Diary causar controvérsia em seu país.

Em seu novo do documentário, A Oeste do Rio Jordão (West of the Jordan River, 2017), o diretor vai até a Cisjordânia e a Faixa de Gaza e mostra personagens desconhecidos para a maioria de nós espectadores ocidentais, acostumados a acompanhar o conflito com o maior distanciamento possível. Usando como uma espécie de prólogo uma entrevista feita com o ex-primeiro ministro Yitzhak Rabin em 1994, Gitaï fica lado a lado de vários palestinos e israelenses e pede que eles contem como enxergam a situação. Dessa forma, ouvimos tanto a versão da história por representantes do atual governo de Benjamin Netanyahu, por exemplo, quanto a de uma criança palestina cujo maior desejo é morrer como mártir pelo seu povo.

“Ouvir” talvez seja a palavra chave em A Oeste do Rio Jordão. Todo estruturado em entrevistas, o filme e menos sobre o conflito em si e mais sobre as narrativas que o sustentam, de ambos os lados. Por isso, cada personagem é importante para surtir esse efeito.
É uma pena, entretanto, que Gitaï não invista mais em ilustrar e contextualizar de alguma forma as situações narradas pelos entrevistados, tornando difícil para o espectador menos familiarizado enxergá-los com sensibilidade. Fosse uma tentativa de buscar certa imparcialidade, deixando os relatos falarem por si, seria até compreensível, mas fica claro que não é o caso uma vez que o próprio diretor aparece em cena diversas vezes, explicitando sua opinião.

Se uma parte dos relatos são a respeito de como o conflito se constrói, a outra é sobre as diferentes formas de resistir a ele, e é ela que torna o documentário mais interessante e também dá a ele um tom otimista. Aqui, conhecemos várias ONGs que combatem o sionismo, cada uma a sua maneira, como a B’Tselem, que ensina palestinas a usarem câmeras como armas para denunciar violações dos direitos humanos por parte do Estado de Israel; a The Parents Circle, rede de apoio entre mães e esposas que perderam familiares na guerra, independente de qual lado lutavam; ou a Breaking The Silence, em que soldados israelenses expõem o quanto o estado de constante hostilidade sob o qual vivem é prejudicial inclusive para eles. Mais uma vez, o que mais importa são as narrativas construídas.
No final, Amos Gitaï se posiciona novamente, mas dessa vez somente através das imagens. Numa cena alegre,vemos árabes e judeus juntos numa festa tradicional da região, cantando e dançando as mesmas músicas, comendo da mesma comida, unidos por uma cultura em comum: aqueles dois povos, que há mais de um século têm convivido como inimigos, são menos distintos do que pode parecer.

Por Matheus Souza
souzamatheusmss@gmail.com

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Rolar para cima