Jornalismo Júnior

Generic selectors
Exact matches only
Search in title
Search in content
Post Type Selectors
Generic selectors
Exact matches only
Search in title
Search in content
Post Type Selectors

Ciência Aberta 2026 | Laboratórios que desenvolvem biotecnologias revolucionárias

O Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais (CNPEM) abre suas portas para o público, a fim de aproximar sociedade, ciência e inovação
Cartazes de divulgação de evento na CNPEM.
Por Juliana Lara (juliana.llrodrigues@usp.br

O CNPEM, em Campinas (SP), realizou o evento “Ciência Aberta” nos dias 29 e 30 de maio. A  iniciativa promove a transparência e o livre acesso ao conhecimento científico ao permitir que o público conheça pesquisas de ponta nas áreas de saúde, energia, materiais renováveis e tecnologias quânticas.

Entre os destaques do dia, os laboratórios nacionais de Biociências (LNBio) e Biorrenováveis (LNBR) impressionaram o público ao transformar pesquisas complexas – como o uso de ressonância magnética nuclear, a manipulação de aminoácidos, o uso de moléculas fosforescentes e a cristalização de proteínas – em experiências interativas e de fácil entendimento. 

Mulher observa microscópio em mesa de exposição no CNPEM.
A resposta positiva do público reforçou o papel do CNPEM como um polo de incentivo à cultura científica [Imagem: Juliana Lara/ Acervo pessoal]

Organização do evento

Para coordenar o fluxo de milhares de visitantes, o evento costuma se estruturar em dois dias, divididos estrategicamente para atender diferentes grupos. O primeiro dia é exclusivo para visitas agendadas de escolas, universidades e grupos estudantis, já o segundo dia funciona no modelo de “Portas Abertas”, sendo totalmente voltado à comunidade geral. 

Toda essa movimentação exige uma infraestrutura de grande porte no campus, que se transforma para receber o público. O evento conta com praças de alimentação, pontos de hidratação bem distribuídos, sinalização reforçada, equipes de monitoria e de suporte médico preparadas para o atendimento do fluxo de pessoas.

 A cientista Daniela Mayra, integrante do Grupo de Engenharia de Tecidos, atua no Ciência Aberta desde 2024 e explica que o planejamento dos estandes busca expor o conteúdo da forma mais didática possível. É levada em consideração, por exemplo, a presença de visitantes crianças que ainda não compreendem alguns dos assuntos facilmente. 

 Segundo Mayra, embora os institutos abordem temas centrais semelhantes em cada edição do evento, o conteúdo das bancas é constantemente renovado com a inserção das novas aplicações tecnológicas desenvolvidas nos laboratórios e de novas ideias para atrair e facilitar a compreensão do público. Além disso, a estrutura do evento passou por atualizações focadas no atendimento a pessoas com deficiência (PCDs). Algumas das modificações implementadas, em relação aos anos anteriores, foram a ampliação e adaptação da frota de transporte interno para o deslocamento entre os institutos do campus, além do reforço no número de intérpretes de Libras distribuídos em algumas atrações.

Grupo de pessoas caminha em rua do campus do CNPEM.
Apesar da grande extensão do campus, o espaço é bem sinalizado com cartazes e indicações visuais para que os visitantes consigam se localizar e encontrar todas as atrações [Imagem: Juliana Lara/ Acervo pessoal]

Laboratório Nacional de Biociências

O LNBio é conhecido por pesquisas em biologia integrativa e pelo desenvolvimento de soluções terapêuticas voltadas para a saúde humana. Seus feitos vão desde decifrar o funcionamento de doenças complexas, como o câncer, até criar medicamentos e vacinas mais eficientes.  

Para o Ciência Aberta, pesquisadores deste laboratório nacional apresentaram 16 atividades aos visitantes. Dentre elas: mesas de apresentações, com jogos, maquetes e vídeos; stand para tirar fotos vestidos de cientistas; oficinas práticas e tour em uma das estruturas laboratoriais do local.

Centrífugas em laboratório do CNPEM.
A bancada exibe uma fileira de centrífugas refrigeradas, aparelhos que giram as amostras em altíssima velocidade para separar substâncias e isolar materiais biológicos, como proteínas e DNA [Imagem: Juliana Lara/ Acervo pessoal]

O público pôde conhecer a da equipe de design de proteínas, um nicho que trabalha com a manipulação de aminoácidos presentes em medicamentos, a fim de conseguir estabelecer melhor conexão com os agentes infecciosos. Os pesquisadores expuseram um modelo computacional que simula o encaixe de monômeros proteicos ao vírus da Covid-19 e possibilita fazer mudanças na estrutura do binder. 

A pesquisadora Rocío Riveiros explica que essa etapa, aparentemente simples e primordial do desenvolvimento de novos fármacos, é realizada diversas vezes. Por meio de modelos de inteligência artificial (IA), os cientistas analisam e medem a afinidade de até 200 mil combinações moleculares. Essa aplicação garante o refinamento das análises e a seleção mais eficaz de candidatos para síntese e teste em modelos animais.  

Mulher observa estrutura celular em tela.
As trocas de aminoácidos são feitas entre componentes que sejam parecidos, mas que tenham propriedades diferentes, como a fenilalanina e a alanina
[Imagem: Juliana Lara/ Acervo pessoal]

Para que as ferramentas de IA consigam realizar os cálculos de encaixe no computador, o laboratório precisa, primeiro, determinar a estrutura tridimensional exata das moléculas. Na prática, para descobrir essa forma, os cientistas usam a luz síncrotron do Sirius, um tipo de raio X super potente. 

Primeiro, a proteína é transformada em um pequeno cristal. Em seguida, o feixe de luz atinge e atravessa esse cristal, funcionando de forma parecida com um sonar: em vez de ondas sonoras que batem e voltam para mapear o fundo do mar, são as ondas de raio X que são desviadas pelos átomos da proteína. Ao analisar a direção e a intensidade dos feixes de luz refletido capturado pelos detectores, os computadores conseguem calcular a posição exata de cada átomo, reconstruindo o formato tridimensional perfeito da molécula  O time de organizadores planejou uma experiência interativa para explicar aos espectadores todo o processo, incluindo desde a cristalização de proteínas até a difração de raios x,  é feita no acelerador de partículas Sirius.

Amostra de produção de proteínas de cristais.
Na oficina prática de produção de cristais de proteínas, a adição de sal força as moléculas a se organizarem de forma ordenada enquanto o corante facilita a visualização das pequenas estruturas criadas
[Imagem: Juliana Lara/ Acervo pessoal]

Outra área exibida no evento foi o setor de Engenharia de Tecidos e o Biobanco. Esse setor trabalha com a coleta, o processamento e o armazenamento de materiais biológicos, como sangue, DNA e tecidos, para viabilizar pesquisas científicas e médicas. Além disso, a área atua na medicina regenerativa por meio da criação de tecidos e órgãos artificiais em laboratório, a exemplo de pele e cartilagem. 

A pesquisadora Daniela Mayra detalha como o tecido adiposo proveniente de procedimentos cirúrgicos de descarte, como lipoaspirações e abdominoplastias, pode ser processado para a obtenção de células lipídicas e células-tronco. Posteriormente, essas células são cultivadas em garrafas com meio de cultura. 

Elas são expandidas de uma monocamada bidimensional (2D) para modelos tridimensionais (3D) . Com o uso de biomateriais e impressoras biológicas, os cientistas constroem biomodelos e biocurativos voltados para feridas dérmicas, cardíacas e oculares. Para aumentar a validação se o efeito observado no laboratório é real e aplicável no corpo humano, o grupo utiliza dispositivos microfluídicos conhecidos como “órgãos no chip”, que simulam sistemas circulatórios por onde bombas passam líquidos para trocar nutrientes em modelos de fígado, intestino, rim e coração, o que permite estudar a interação de fármacos com o corpo humano.

Duas melhores expondo modelos de estruturas científicas em evento na CNPEM.
A mesa da engenharia de tecidos foi pensada com cuidado para seguir o mesmo fluxo de rotina do laboratório, desde a extração das células no biobanco, passando pelos biomodelos, até a impressora, o que tornou a apresentação mais pedagógica
[Imagem: Juliana Lara/ Acervo pessoal]

Com essa variedade de atrações, o LNBio apresentou um trabalho focado na alta interatividade para traduzir suas pesquisas em saúde humana. O espaço permaneceu cheio ao longo do dia. Algumas oficinas foram disputadas por todos os públicos, o que evidenciou o sucesso do circuito didático planejado pelo instituto. 

Mesa com instrumentos para experimento com o DNA da banana.
A oficina de extração de DNA da banana permitiu que os visitantes executassem um protocolo molecular simplificado, que simulava os mesmos passos de isolamento de material genético que ocorrem diariamente em laboratórios
[Imagem: Juliana Lara/ Acervo pessoal]

Laboratório Nacional de Biorrenováveis

Enquanto o LNBio concentra seus esforços nas soluções voltadas para a saúde humana, o LNBR direciona suas pesquisas para a sustentabilidade e o desenvolvimento de alternativas ecologicamente corretas. 

Durante o “Ciência Aberta”, os pesquisadores buscaram explicar os projetos em biotecnologia e química verde, através de ensaios enzimáticos práticos, observação em microscópios, jogos didáticos sobre ecossistemas e passeio em uma parte das instalações.

Mesas de laboratório do CNPEM.
Durante a visita, é possível observar a enorme quantidade de geladeiras e freezers espalhados pelos laboratórios, eles são essenciais para conservar as amostras biológicas e os reagentes químicos sob temperaturas rigorosas [Imagem: Juliana Lara/ Acervo pessoal]

Segundo a pesquisadora Anna Brilhante, o instituto é dividido em 3 grandes áreas: química analítica, que trabalha com a caracterização da biomassa;  processos, que realiza procedimentos biopilotos,eles são a primeira experiência de escalonamento em ambiente industrial ou real para aferir a eficácia e viabilidade de uma inovação biológica, tanto em larga escala (na Planta Piloto que se encontra atrás do prédio principal) quanto em tamanhos menores; e biologia sintética e biocatálise, que foi aberto ao público, na qual se estudam enzimas de bactérias e fungos. 

Várias amostras de leveduras encima deuma mesa.
Os trabalhos com fungos e leveduras envolvem a reprogramação  de metabolismo, para que eles secretem coquetéis enzimáticos potentes e consumam os açúcares da cana-de-açúcar de forma mais rápida [Imagem: Juliana Lara/ Acervo pessoal]

De forma geral, as pesquisas no LNBR  seguem o lema “Não basta ser renovável, tem que ser sustentável”. Ou seja, os cientistas buscam soluções na biodiversidade brasileira para alavancar o desenvolvimento sustentável. Um dos exemplos mostrados foi uma investigação no trato digestivo da ave Jacu-Cigano, que busca uma enzima que seja capaz de degradar resíduos como a cana-de-açúcar

Imagem de experimento para verificar a ação das enzimas.
Prática focada em demonstrar a ação de enzimas. Neste caso, a quebra da lactose: o público consegue observar a reação química em que a lactase quebra a lactose em glicose e galactose [Imagem: Juliana Lara/ Acervo pessoal]

Um dos pontos mais reforçados pelos stands desse laboratório nacional foi a importância de mapear e priorizar o uso da flora e da fauna brasileira. Alguns exemplos de espécies investigadas são a copaíba e o peixe-boi

Desenho de peixe-boi em divulgação de evento na CNPEM.
Os estudos com o peixe-boi da Amazônia focam no sequenciamento genético dos microrganismos presentes no sistema digestivo do animal e buscam isolar novos tipos de enzimas para acelerar a produção de biocombustíveis  [Imagem: Juliana Lara/ Acervo pessoal]

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Rolar para cima