Por Manuela Neves Miranda (manuelanevesmiranda@usp.br)
A 27ª edição da Feira Internacional de Tecnologia em Segurança (EXPOSEC), realizada pela Associação Brasileira das Empresas de Sistemas Eletrônicos de Segurança (ABESE), ocorreu entre 1 e 3 de junho. O evento reuniu representantes do setor de segurança, pesquisadores, gestores públicos e empresas no São Paulo Expo, localizado na capital paulista.
Considerado pelo setor o maior evento de tecnologia em segurança da América Latina, o encontro apresentou soluções voltadas à segurança eletrônica, pública, privada, patrimonial e empresarial. Além disso, expôs avanços em áreas como inteligência artificial e sistemas eletrônicos para um mercado que busca combinar redução de custos operacionais e aumento da capacidade de monitoramento.
O mercado de monitoramento eletrônico no Brasil atingiu um faturamento superior a R$16 bilhões em 2025 e projeta um ritmo de crescimento de 16,2% para 18,8% em 2026, segundo dados da “Pesquisa Panorama ABESE 2025/2026“. De acordo com a pesquisa, a indústria do setor utiliza IA em 85,7% dos seus produtos.

Produtos apresentados
Estandes com câmeras, sensores, portões de acionamento automático e outras tecnologias diversas compunham o espaço. Um dos expositores mostrava, por exemplo um armário inteligente, utilizado por empresas de segurança patrimonial. Ele foi colocado dentro de um aquário. com o intuito de mostrar que o material não enferruja como outros modelos do mesmo produto.
Outra inovação que captou a atenção dos visitantes foram os drones voltados ao monitoramento e operações de segurança. A Xmobots, por exemplo, expôs em uma placa do seu estande o aerolevantamento da supressão vegetativa que seus drones fizeram na área alagada pela Usina Hidrelétrica de Jirau, no Rio Madeira.
A ABESE apresentou o ABESE Labs, programa destinado a levar pesquisas desenvolvidas nas universidades à sociedade por meio de aplicações práticas e parcerias entre o setor público e privado. O projeto foi desenvolvido em parceria com o Centro de Inovação da USP (Inova USP), o Instituto de Estudos Avançados da USP (IEA-USP) e o Observatório de Transformação Digital do Estado de São Paulo. Segundo Robson Arantes, gestor do núcleo de inovação da ABESE, a iniciativa reúne estudos nas áreas de IA, robótica, computação quântica e hardware de código aberto.
O projeto, através da sua colaboradora QualiGuard, apresentou totens de vigilância com interfones para atendimento de disque denúncia por inteligência artificial. Além disso, expôs tecnologias de rastreamento de ativos – feito com sistemas de baixo custo, como beacon e gateway bluetooth – e de telemetria de condução, que identifica fadiga, sonolência, distração, acidente, e frenagem em veículos.

O ABESE Labs também apresentou o Sentinela, projeto que visa identificar veículos roubados a partir da leitura das placas dos automóveis por uma inteligência artificial. Ele foi desenvolvido pelos Núcleos de Apoio à Pesquisa da Escola Politécnica da USP (NAPs) e, para funcionar, utiliza placas eletrônicas da família conhecida como “Caninos Loucos”, também projetadas na universidade, nos modelos Labrador e Pulga. Tais placas foram associadas a um equipamento com câmera e foram implementadas em cinquenta viaturas da Polícia Militar (PM) de São Paulo. O sistema envia alertas automaticamente para a PM quando identificada alguma anormalidade.
Participação pública
O setor público também teve espaço no evento, que contou com exposições da Polícia Civil, da Polícia Científica, da Guarda Municipal e da Secretaria de Segurança Pública de São Paulo. Uma simulação de crime no estande da Polícia Científica chamou atenção dos visitantes, que puderam aprender um pouco sobre o trabalho da perícia.
Um dos destaques foi o programa Smart Sampa, iniciativa da Secretaria de Segurança Pública de São Paulo que integra 50.000 câmeras. Destas, 20 mil são do município e 30 mil de instituições privadas, que compartilham as imagens com a central sob demanda para investigação. O sistema possui aproximadamente 100 estações de monitoramento de imagens, das quais três estavam expostas no evento.
Julianna Kesselring, perita criminal, explicou como funciona o ForenScope. Trata-se de um equipamento, composto por luzes e filtros, capaz de indicar manchas invisíveis a olho nu: primeiro, o aparelho aponta a natureza da mancha analisada; depois, o perito realiza um teste de confirmação. Segundo Juliana, com o ForenScope, o trabalho da perícia se tornou mais prático devido a otimização do processo de identificação do material.

O estande da Polícia Civil contava com demonstrações da abordagem e dos aparelhos utilizados em casos que envolvem artefatos explosivos. Luiz Petracco, investigador da Polícia Civil, explicou como funciona o fibroscópio, um dispositivo óptico que permite olhar o interior de áreas de risco com precisão e segurança, pois na ponta do cabo do aparelho há uma câmera.
Petracco ainda explica a estrutura da caixa de transporte de explosivos, utilizada para deslocar pequenas quantias de material apreendido pela Polícia. A caixa é feita de ferro, mas a parte que toca o explosivo possui uma cobertura de madeira para evitar o atrito do material com o metal, já que ele pode causar faíscas. O risco, caso contrário, seria desencadear uma reação química de detonação, se o limite de sensibilidade do material fosse atingido.

Imagem de capa: Manuela Neves/Acervo pessoal
