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Eleições 2026 | Lula é reeleito para 4º mandato como presidente do Brasil

Com 100% das urnas apuradas, o petista garante mais quatro anos no cargo após eleição marcada por escândalos e um resultado acirrado
Por João Paulo Mansur (joaopaulomansur@usp.br)*

Depois de meses de campanha — que envolveu um dos maiores escândalos da história do Supremo Tribunal Federal (STF), reviravoltas nas pesquisas e narrativas religiosas — Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e seu vice Geraldo Alckmin (PSB) venceram a disputa à Presidência do Brasil contra o oponente Flávio Bolsonaro (PL) e seu vice Alfredo Gaspar (PL) neste domingo (25). 

Com 51,78% dos votos válidos e 100% das urnas apuradas, o petista conseguiu mais de 64 milhões de votos, contra os 48,22% de Flávio. Foi também uma das votações mais acirradas da história do Brasil, com menos de 3% de diferença de votos. É também a primeira vez na história brasileira em que o candidato vencedor do primeiro turno não mantém o favoritismo na segunda etapa. 

Em meio à tarde de eleição, diversos casos de irregularidades no transporte público em cidades como Salvador e São Paulo tomaram conta das manchetes. Segundo relatos, a frota prevista para atender às demandas dos eleitores não estava sendo usada. 

Além disso, o clima chuvoso em grandes colégios eleitorais no sul e sudeste também foi um motivo para que ambos os candidatos pedissem extensão do tempo de votação.  Cristiano Zanin, Ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), ampliou o tempo de abertura das urnas para às 19h. A informação foi divulgada após o horário de fechamento normal das urnas, às 17h, o que levou a transtornos e pausas no processo eleitoral. 

Em seu pronunciamento após a derrota, Flávio questionou a decisão de Zanin e disse que não irá aceitar o resultado eleitoral em desacordo com seu discurso anterior, no qual afirmou que não iria questionar os resultados da eleição, como seu pai fez.

Brasil continua dividido pelo muro da polarização

Lula foi eleito para seu quarto mandato, algo nunca feito antes, mas a vitória não significa um acordo do Brasil com o petista. Ela vem em um momento de extrema polarização no país, em que os dois principais candidatos são altamente rejeitados por grande parte da população. Ambos, Flávio e Lula, protagonizaram uma disputa única — um presidente três vezes eleito e muito rejeitado, contra o filho de seu antigo oponente, agora preso por tentar um golpe de Estado.

Pesquisas iniciais, realizadas nos primeiros momentos do período eleitoral, apontavam a possibilidade desse cenário. O levantamento inicial Datafolha, em 21 de agosto, indicava 47% dos votos para Lula e 43% para Flávio, na disputa de segundo turno. Outras pesquisas, como a Quaest, apontavam vitória do presidente Lula em diversos estados, com uma pequena margem de diferença para o oponente bolsonarista.

Mas os números mudaram ao longo dos meses. Durante o final de agosto e o início de setembro, devido aos escândalos envolvendo o Caso Master e à popularidade repentina de Augusto Cury (Avante), os números de intenção de voto de ambos os candidatos oscilaram, e, em algumas pesquisas, Flávio chegou a ultrapassar Lula, em números totais — sem a margem de erro.
As últimas pesquisas, realizadas no final de setembro, mostraram um cenário de empate técnico no segundo turno, com Lula à frente por poucos pontos, ou até décimos, sem considerar a margem de erro de dois pontos percentuais.

Homem idoso branco de cabelo branco com terno azul
O atual presidente tomará posse em Brasília, com cerimônia agendada para o dia 5 de janeiro de 2027, que marcará, possivelmente, o início do último governo do petista [Imagem: Reprodução/Flickr]

Polêmicas religiosas e crise no STF

Durante os meses de campanha e nos antecedentes, o Caso Master e as ligações de Flávio Bolsonaro a Daniel Vorcaro, a quem o senador teria pedido dinheiro para a produção do filme biográfico de seu pai, Jair Bolsonaro (PL), abalaram o cenário político brasileiro. Depois, foram divulgadas relações do banqueiro com ministros do STF, incluindo Alexandre de Moraes. 

Às vésperas do pleito, em setembro, houve notícias ligando Flávio a um projeto de desvinculação de Nossa Senhora Aparecida do posto de padroeira do Brasil, sem provas concretas e evidências que comprovem o fato. Segundo pesquisas feitas após a comoção, Lula cresceu dentre os eleitores católicos, enquanto o seu oponente manteve-se forte entre os evangélicos.

Inicialmente, Lula não iria disputar a reeleição

Em 2022, quando estava em campanha eleitoral para seu 3º mandato, o atual presidente afirmou, em entrevista à Rádio Metrópole, da Bahia, que “quando chegar em 31 de dezembro de 2026, que a gente for entregar esse mandato para outra pessoa, esse país estará bem”. Lula falou indiretamente sobre a possibilidade de uma futura disputa à reeleição.

O petista afirmou que só tinha quatro anos para realizar todas as políticas que pretendia à época. Ele ainda disse que, em quatro anos, a eleição seria disputada “por gente nova” e que teria quatro anos de sua vida para cuidar do povo brasileiro e entregar o Brasil “tinindo”.

Ainda no segundo mês de mandato, em fevereiro de 2023, Lula refez seu discurso e disse que não descartaria uma possível reeleição. Em entrevista ao UOL, o presidente afirmou que era necessário “construir novos candidatos para 2026”, citando Rui Costa (PT), ex-Ministro da Casa Civil); Wellington Dias (PT), Ministro de Estado do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome); e Flávio Dino (PSB) Ministro do Supremo Tribunal Federal como “gente da maior qualidade” para um futuro cargo de presidência.

A vitória de Lula ocorre quatro anos após a eleição mais acirrada da história brasileira até então, quando ele venceu o pai de Flávio, Jair Messias Bolsonaro, que buscava a reeleição. Jair foi o primeiro presidente a não conseguir se reeleger desde que a possibilidade de disputar um segundo mandato consecutivo foi instituída, em 1997. Com a vitória, Lula mantém-se como o segundo brasileiro que ocupou o cargo da presidência por mais tempo, atrás somente de Getúlio Vargas, e o maior governante eleito de forma democrática. 

[Imagem de capa:Ricardo Stuckert/PR]


Esta reportagem foi produzida pela repórter João Paulo Mansur sob a supervisão da diretora de redação Gabriela César.

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