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A imprevisibilidade esportiva substituída por milhões
ARQUIBANCADA
01 dez 2020 | Por Lucas Zacari (lucas.zacari@usp.br)

“O que faz um time ganhar uma partida? Treino, suor, garra? Ou uma mala cheia de dólares?”. Essa é a frase da contracapa do livro O Submundo do Futebol, do cingapuriano Wilson Raj Perumal. Nele, há uma série de histórias sobre a participação do autor na manipulação de resultados de partidas de futebol, incluindo eliminatórias para a Copa de 2010 e de alguns dos principais campeonatos europeus.

O brasileiro possui uma relação de proximidade com esporte e apostas. Esse vínculo foi impulsionado a partir da criação da Loteria Esportiva, da Caixa Econômica Federal, nos idos dos anos de 1970. Por NCr$ 1,00 (um cruzeiro novo), o apostador marcava 13 resultados de jogos de futebol no volante e torcia para que os placares escolhidos acontecessem.

Exemplo de bilhete preenchido da Loteca, como a Loteria Esportiva era chamada [Reprodução/Caixa Econômica Federal]

Hoje, esse modelo de negócio tomou a internet e é possível apostar não só em partidas futebolísticas, mas também em uma série de outras modalidades esportivas. Tudo isso com uma hospedagem de sites em locais permitidos para tal, tendo em vista que, no Brasil, o único modelo de apostas esportivas com permissão para atuar é o da Caixa Econômica.

No entanto, a adrenalina promovida pelos palpites, às vezes, é subvertida pela certeza adquirida a partir da manipulação de resultados. A imprevisibilidade dos acontecimentos, fator primordial dentro de um esporte, é retirada. Em troca, há o benefício de alguns poucos que, por meio da combinação de placares e da corrupção dos participantes do esporte, conseguem a obtenção de cifras milionárias, afetando a integridade das competições.

 

A corrupção que afeta dentro de campo (ou quadra) 

Infelizmente, é comum surgirem na mídia casos de manipulações de resultados, sobretudo envolvendo o futebol. De acordo com Felippe Marchetti, gestor esportivo e doutor em ciência do movimento humano pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), o grande contingente de partidas ocorridas é um dos principais atrativos para os criminosos: “É o país do mundo que tem mais partida de futebol oficiais em uma temporada, aproximadamente 14 mil jogos no ano”.

Em 2020, tivemos o aniversário de 15 anos de um dos maiores escândalos acontecidos no esporte brasileiro. Denunciada pelo jornalista André Rizek, a “Máfia do Apito”, comandada pelo empresário Nagib Fayad, pagava R$ 10 mil aos árbitros Edílson Pereira de Carvalho, na época árbitro FIFA, e Paulo José Danelon para que eles conseguissem placares pretendidos da Copa Libertadores e da Sul-Americana, além de jogos do Campeonato Paulista e do Brasileiro de 2005. Esse último, inclusive, teve 11 de seus jogos refeitos, por suspeita de que Edílson tivesse interferido. Com isso, o Corinthians, que havia perdido dois jogos apitados pelo juiz, conseguiu quatro pontos nas reedições, sacramentando o título nacional.

No entanto, o gestor esportivo aponta que Giba, como o empresário era conhecido, foi um manipulador incomum: “Era um ‘lobo solitário’, colocava as apostas dele, e procurou independentemente o Edílson e o Danelon”.

Isso porque, em sua grande maioria, as manipulações de resultados envolvem quadrilhas criminosas, com um interesse sombrio que vai muito além do esporte. Em meados de 2016, a Polícia Civil deflagrou, por meio da operação Game Over (“fim de jogo”, em inglês), um esquema de combinação de resultados envolvendo partidas das divisões de acesso do Campeonato Paulista, além da primeira divisão do Pernambucano e da segunda do Potiguar. 

Financiados por apostadores asiáticos, jogadores, técnicos, árbitros e dirigentes eram aliciados por intermediários brasileiros, principalmente por pessoas que possuíam relações com o esporte. Segundo Marchetti, responsável pelo primeiro estudo sobre manipulações de resultados na América do Sul, essa é a principal tática utilizada pelos aliciadores: “Alguém que tem uma boa circulação dentro do esporte, para essa pessoa fazer a oferta, geralmente alguém que ele [o alvo] confie”.

A Operação Game Over, uma das maiores da manipulação de resultados no esporte

Organograma da quadrilha deflagrada pela operação Game Over [Imagem: Reprodução/Ministério Público de São Paulo]

Apesar de, recentemente, terem sido expostas uma série de casos nesse tipo, essa situação não é nova. A própria Loteria Esportiva já sofreu com isso, como foi exposto no ano de 1982, por meio de reportagem da Revista Placar. Aliado à denúncia do radialista Flávio Moreira, que havia participado desses esquemas, descobriu-se o nome de 125 pessoas do mundo do futebol que participavam das manipulações de placares.

O radialista expôs que até mesmo a escolha dos jogos era definida com base nos times com os quais os apostadores possuíam contatos. Depois, comprava-se árbitros e jogadores para promover as chamadas “zebras”, ou seja, quando clubes de menor expressão ganham dos grandes. Com isso, apenas os mandantes do esquema conseguiam marcar os 13 pontos do cartão, visto que eram poucos os apostadores corriqueiros que arriscariam em não apostar nos favoritos e, consequentemente, conseguir os prêmios máximos.

Mas não é só no futebol que as manipulações são promovidas. O tênis também é um dos esportes que mais sofrem com casos de combinação de lances e resultados, principalmente nas competições menores. Segundo Felippe Marchetti, isso se deve pela garantia de renda: “O prêmio pago pelo manipulador muitas vezes é maior que o pago pelo torneio. Para um jogador que tem um custo elevado e um retorno baixo, e é um atleta que não tem perspectiva muito boa, vale a pena correr o risco”.

É isso que aconteceu com um dos expoentes brasileiros nesse esporte João Souza, o Feijão. Não se sabe ainda quem o abordou, mas a acusação de que ele jogou para perder no Torneio Challenger de Morelos, em 2019, no México, fez com que ele fosse banido das competições pela Tennis Integrity Union (TIU), comitê que investiga casos de corrupção nessa modalidade.

Feijão foi um dos atletas descobertos por manipular resultados pela operação da TIU, uma das poucas voltadas para a integridade [Imagem: Maria Adelaide Silva/Flickr]

Engana-se, porém, quem pensa que esse é um fator exclusivo do Brasil. Das principais ligas, a mais afetada por esses esquemas foi a italiana, que sofreu com o “Totonero” e o “Calciopoli”. O primeiro, em 1980, rebaixou o Milan para a Série B e puniu por dois anos o atacante Paolo Rossi, a tempo de ser carrasco brasileiro na Copa da Espanha. Já o segundo retirou os títulos nacionais da Juventus das temporadas 2004/05 e 2005/06, pois os dirigentes do clube alteravam as escalas de arbitragem em seu favorecimento. Curiosamente, os dois últimos títulos mundiais italianos vieram em meio a essa confusão.

Alemanha, Argentina, França, Índia, Turquia e Zimbábue são alguns dos inúmeros países que sofreram, em diferentes esportes, com essas quadrilhas de manipulação de resultados e de situações pequenas do esporte.

 

Como agem os manipuladores?

O mercado de apostas online permitiu apostar em inúmeros esportes e em eventos dentro deles. Consequentemente, a gama de possibilidades de manipulação aumentou. De acordo com Paulo Schmitt, advogado que trabalhou como procurador-geral do Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD) por dez anos, afirma que “tudo que for objeto de aposta tem potencial de manipulação”, e que os chamados “match-fixing” são os mais utilizados pelos esquemas: “Os lances que influenciam o placar final em gols ou pontos devem estar sempre no radar prioritário de oficiais de integridade, porque pagam mais nas casas de apostas”.

Felippe Marchetti complementa com uma modalidade que pode passar despercebida pelas autoridades: “Tem o ‘spot-fixing’, que é a manipulação de um evento menor dentro da mesma partida”, ou seja, tudo aquilo que não vai influenciar diretamente em um resultado final, mas que pode acontecer em uma partida. “No futebol, são todos os eventos menores: cartão, escanteio…” Isso facilita muito o trabalho das quadrilhas, pois, apesar de pagar menos, não é necessária a compra de vários atletas, às vezes de um só, que realizará esses pequenos atos aparentemente corriqueiros nas partidas.

A maneira como essas abordagens ocorrem são diversas. A atuação feita pelas quadrilhas geralmente é a mesma promovida pelos fraudadores expostos pela Game Over, em que se utiliza de um intermediário para aliciar os alvos suscetíveis. Porém, as formas de se abordar os possíveis atores são diversas, desde uma abordagem direta, com o próprio manipulador oferecendo a propina, até a criação de uma relação com um personagem do esporte e, quando perceber uma vulnerabilidade, apresenta-se uma proposta, assim como ocorrera no caso do árbitro alemão Robert Hoyzer.

A definição do alvo de tal aproximação é um trabalho minucioso, semelhante a de um detetive, com pesquisas e apurações sobre locais e pessoas vulneráveis. “Qual a liga mais suscetível? Dentro dessa liga mais suscetível, quem são os atores mais suscetíveis? Descobri quais os atores, quais são aqueles que estão com problemas financeiros, quais são os que têm algum vício em jogo, ou que têm alguma relação extraconjugal?” explica Felippe, demonstrando a complexidade dessas redes de crime.

“Pessoalmente em centros de treinamentos, estádios, ou mesmo à distância, via redes sociais e contatos telefônicos” reforça Schmitt, demonstrando as inúmeras e diferentes formas que, definidos os focos, ocorrem as aproximações com os personagens suscetíveis.

No Brasil, o principal alvo desses contatos são os árbitros, sobretudo por uma perspectiva de um futuro bom financeiramente. “Não são profissionalizados, em caso de lesão eles não ganham, não têm 13º, não têm direito a férias, têm só um acompanhamento profissional que as federações dão, muitas vezes bem ‘meia-boca’. O salário não é muito alto. Muitas vezes o juiz tem uma outra ocupação, não se dedicando só ao esporte”, aponta Felippe, apesar dos riscos criminais e também de integridade.

Uma segunda vertente muito utilizada pelos manipuladores é a abordagem a jogadores de divisões de acesso e de campeonatos menos conhecidos. Marchetti complementa também com a questão econômica:  “A grande maioria ganha pouco, tem contrato de curta duração, só pra jogar o estadual, [enfrenta] atraso salarial, a carreira do atleta é muito curta”. Apesar de existir uma ilusão de que jogadores de futebol são ricos, o cenário real é muito diferente. Segundo relatório da CBF do ano de 2018, cerca de 95% dos atletas recebem, no máximo, três salários mínimos.

Árbitros acabam sendo os principais envolvidos na manipulação de resultados no esporte

As más condições fornecidas aos árbitros e jogadores de divisões mais baixas tornam-os alvos dos esquemas de manipulação [Imagem: Phillip Kofler/Pixabay]

O cenário brasileiro de desigualdade e falta de recursos, além de um histórico sociopolítico de corrupção, é um “prato cheio” para a promoção e a infiltração dessas quadrilhas de placares. No entanto, essa relação entre o crime e o esporte, como já foi visto, não é unicamente brasileira, mas todas possuem uma característica: um montante de dólares que, em muitos casos, já poderá sustentar o resto da vida dos aliviados.

Há, ainda, um outro ponto que tem preocupado as entidades desportivas: a criação dos clubes-empresas. Esse modelo, muito utilizado nos países europeus e incentivado pelo governo federal, busca a transformação das associações sem fins lucrativos, como a grande maioria dos clubes são atualmente, para sociedades anônimas ou limitadas. Esse projeto visa uma melhor gestão e mais investimentos na área. 

Teme-se esse movimento, pois, tendo um ou alguns times inteiros, o dono pode utilizá-los para promover placares ou eventos lucrativos. “É um risco de ter pessoas que vão apostar em resultados do clube deles, e toda semana ir ganhando um pouquinho, passando despercebido do radar das autoridades”, ressalta Marchetti, apresentando uma nova vertente de esquemas de corrupção envolvendo a imprevisibilidade do esporte.

Apesar de os pontos de atuação serem diversos, dependendo de uma série de fatores e de pesquisas, os locais em que as quadrilhas se fixam são conhecidos: o sudeste asiático e o leste europeu. Apesar de em muitos dos países ali presentes as apostas não serem permitidas, o mercado ilegal é muito forte, sendo responsável por 53% dessa modalidade, segundo pesquisa da International Centre for Sport Security (ICSS), de 2014. 

No entanto, mesmo com essa proibição, o que mais atrai essas organizações são os paraísos fiscais. Esses locais, que oferecem isenção de impostos à renda e ao controle de câmbio, são ideais para atuações ilegais, como a lavagem de dinheiro. Malta, Curaçao e Singapura são exemplos de países que agem dessa maneira, sendo esse último o principal foco de quadrilhas desse tipo, como a de Dan Tan, uma das principais manipuladoras de resultados esportivos, e que fora explicitada no livro de Perumal.

 

Os mecanismos de defesa contra a combinação

“Comprovar é muito difícil, porque o esporte é muito relativo”, alerta o gestor esportivo. Ele ainda aponta que a qualidade e a corruptibilidade de um atleta em ação é algo difícil de se diferenciar: “Como você vai dizer se o goleiro falhou porque ele é ruim, ou está em um dia ruim, ou está comprado? É uma linha muito tênue”.

Atuações anormais e placares elásticos entre clubes ou atletas com desempenhos anteriormente semelhantes são os cenários que mais levantam suspeitas. Porém, a forma mais propícia a se desconfiar de tais movimentações envolve justamente os sites de aposta. Um volume incomum de lances em determinado evento esportivo, seja pelo alto valor investido, seja por ser uma atividade sem tanto apelo, pode ser identificado por tais plataformas e, a partir daí, alertar as autoridades responsáveis.

Investigados e descobertos os mandantes e atuantes dessas quadrilhas, assim como toda procura criminal, devem ser submetidos a penas que vão desde a suspensão ou banimento da modalidade na esfera esportiva à prisão de dois a seis anos e multa, de acordo com a Lei 12.299, de 2010. Essa preocupação, apesar de ser presente desde o Conselho Nacional de Desportos de 1942, não é colocada em prática de forma efetiva.

Apesar de existirem algumas organizações independentes que realizam pesquisas e estudos envolvendo a integridade do esporte, como o  TIU no tênis, o Tyche na La Liga (liga espanhola de futebol) e a própria Federação Paulista de Futebol (FPF), que possui um órgão independente e especializado em tais denúncias, ainda são poucas as entidades que promovam, efetivamente, o combate às manipulações de resultados.

“O que falta ainda é que tanto as instâncias desportivas como as judiciais as apliquem com rigor no Brasil. Ainda há muito ‘passa-pano’ e morosidade nesses casos” ressalta o advogado Schmitt, corroborado pelo histórico dos casos julgados em instâncias brasileiras. Das ocorrências citadas anteriormente, apenas a Game Over teve um desdobramento judicial, com a prisão de alguns envolvidos e a contínua procura por outros.

No entanto, os dois escândalos que mais repercutiram no futebol brasileiro não tiveram as devidas punições. Na Máfia do Apito, apesar do banimento dos árbitros e do pagamento de multas, todas essas voltadas para o meio do esporte, a justiça criminal nada fez. O caso da Loteria Esportiva é ainda mais grave. Aliada a uma descrença em relação à publicação da Revista Placar pelas entidades, a lentidão do processo judicial gerou a prescrição dos atos, ou seja, o Estado não poderia mais punir pela extrapolação do prazo previsto em lei. Com isso, das 125 pessoas denunciadas, somente 20 foram indiciadas.

O que, segundo os especialistas, pode realmente diminuir os esquemas de manipulação não está pautado no pós, ou seja, na aplicação de penas mais severas, mas sim em uma ação preventiva. Marchetti apoia, por exemplo, o uso do aplicativo Red Button, disponível em países como Finlândia, Noruega, Suíça, Polônia, Suécia, Dinamarca e Nova Zelândia. Essa plataforma permite ao profissional denunciar, de forma anônima, que foi abordado ou sabe de uma proposta para manipular.

Felippe explica que a não identificação permite com que o personagem esportivo sinta-se mais seguro para denunciar: “A gente sabe que tem muita máfia envolvida por trás, então pode criar um medo dele ir denunciar e isso se voltar contra ele mesmo”, aponta. Assim, o denunciante não precisa ter uma preocupação tamanha com retaliações dos envolvidos no esquema, sejam eles os chefes das quadrilhas ou mesmo um colega de profissão.

“É preciso implementar ações educacionais como a elaboração de cartilhas, campanhas de prevenção, cursos, palestras, capacitação de profissionais e envolvimento de todos os atores do esporte”, ressalta Paulo Schmitt, cuja opinião é compartilhada pela maioria dos especialistas. Com isso, já sabendo dos malefícios que o envolvimento nesses esquemas podem causar, a participação poderia ser diminuída em muito. Ainda mais em países com baixos níveis educacionais e de renda, a tentação a aderir é grande, porém, se instruída, a participação em tais manipulações seria por conta e risco da pessoa.

Atualmente, tramita uma lei no Brasil que está sendo pautada por alguns como a solução para tal problema. Apesar de ser importante para a questão econômica no país (estima-se que os brasileiros apostem R$ 2 bilhões em esportes), a lei 13.756, de 2018, que permitiu a criação do mercado de apostas, não promoveria muitas mudanças na questão das manipulações esportivas.

“Mesmo que legalize ou proíba as apostas no Brasil, os jogos acontecidos no Brasil vão estar disponibilizados nas casas de aposta em qualquer lugar do mundo, e a manipulação vai continuar ocorrendo”, Marchetti explica a ineficiência em preservar a integridade esportiva somente com essa ação. “A partir de um momento que estiver claro que parte desse dinheiro tem que ser reinvestido em medidas de prevenção, educação e monitoramento, você cria uma situação muito mais complicada para os manipuladores e uma proteção para os atletas”, ele reforça.

 

A volta do futebol atrai novas corrupções

Como dito, uma das principais estratégias que as quadrilhas utilizam é abordar atores que possuem salários baixos ou ainda que estão em situação de atrasos em seus pagamentos. Com a pandemia de coronavírus, que inicialmente paralisou praticamente todas as competições, o dinheiro parou de circular no meio esportivo e, com isso, atores de todas as modalidades tiveram seus contratos cortados ou encerrados.

Essa situação é um atrativo ainda maior para os manipuladores, que observam nessa situação uma oportunidade de lucrar ainda mais de forma ilegal. Em entrevista ao Globo Esporte, Fred Lord, diretor do departamento de anticorrupção e transparência do ICSS, aponta que os criminosos estão usando este cenário de falta de recurso para realizar tais aproximações. “Com o esporte parado pela covid-19, muitos atletas em todo o mundo não conseguem manter uma renda para se sustentar, criando uma tempestade perfeita para o crime organizado”, explica.

Porém, nem mesmo a pandemia, em que a maioria dos países adotou um esquema rígido de reclusão, foi párea para impedir as ações desses grupos. O movimento que se viu foi a do impulsionamento da modalidade de jogos fantasmas. Essas partidas, como o próprio nome diz, não ocorreram na realidade, mas estão presentes em sites de apostas, com o resultado sendo aquele que as quadrilhas já haviam determinado.

Na Ucrânia, houve a criação da Copa Azov, um torneio fictício que, em dois jogos, movimentou cerca de R$ 700 mil, até que as autoridades tomaram providências e tiraram esses torneio dos sites de aposta. 

Esse cenário repetiu-se no Brasil, com uma partida fantasma entre o Andraus-PR e o Serrano-PB. Dias após a paralisação do futebol no país, houve uma movimentação suspeita e muito volumosa nos sites de aposta em um suposto amistoso envolvendo os dois times. No entanto, não existe confirmação nenhuma de que esse jogo tenha acontecido, apesar das agremiações, com argumentos distintos, afirmarem que a partida foi realizada. 

Coincidentemente ou não, o clube paranaense já foi acusado no ano de 2017 por perder jogos para beneficiar o presidente do próprio clube, que havia apostado na derrota de seu time.

Arquibancada
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