Home História da Ciência As mulheres que mudaram e continuam mudando o mundo
As mulheres que mudaram e continuam mudando o mundo
História da Ciência
13 maio 2017 | Por Jornalismo Júnior

Livro “As cientistas” expõe o triunfo feminino na ciência e promove evento para discutir tópicos da área

Por: Gabriela Bonin (gabibonin@usp.br)

 

“Este livro conta as histórias de algumas dessas cientistas, desde a Grécia Antiga até os dias de hoje, que, diante de um ‘Não’, responderam ‘Tente me impedir’.”

É dessa maneira que Rachel Ignotofsky faz a introdução de uma obra que viria a ser o best seller científico do New York Times em 2016. “As cientistas: 50 mulheres que mudaram o mundo” é um livro que apresenta, de uma forma muito didática e visualmente atrativa, o perfil e a história de mulheres que revolucionaram o campo da ciência, tecnologia, engenharia e matemática.

Um exemplo de página do livro descrevendo o perfil de Mary Anning, tida como “a maior estudiosa de fósseis que o mundo conheceu”. (Imagem: Rachel Ignotofsky Design)

Bate-papo de divulgação da obra

“As cientistas” foi lançado no Brasil em abril de 2017 pela Editora Blucher, que promoveu um evento de lançamento no dia 6 de maio, na Livraria Saraiva do Shopping Pátio Paulista, em São Paulo. O acontecimento uniu quatro mulheres relacionadas ao mundo da ciência: Julia Jolie, dona do canal do youtube Julia Jolie que divulga cultura, educação e ciência e estuda biomedicina na UFRJ; Natalia Pasternak, bióloga, pesquisadora da USP e coordenadora do “Pint of Science”; Julia Jaccoud, estudante de Matemática da USP e youtuber (canal Matemaníaca); e Cláudia Fusco, jornalista que já escreveu em revistas como a Superinteressante.

Em um evento para 40 pessoas, muitos tópicos foram discutidos, mas todas as palestrantes defenderam assiduamente a importância da divulgação científica – papel que elas exercem no mundo digital. Foi trazida à tona a redução de 44% no orçamento federal da ciência, considerada por Natalia Pasternak “uma decisão errada que vai afundar o país e refletir futuramente na saúde e na educação”. A bióloga também defendeu a importância de diminuir a dependência entre o governo e a ciência, citando a necessidade do financiamento privado.

Ainda nesse tópico, parte da discussão voltou-se à importância do jornalismo científico de credibilidade. As convidadas citaram a dificuldade de comunicação entre jornalistas e cientistas, uma vez que, em muitos casos, os veículos midiáticos apenas buscam informações que chamem a atenção e promovam visualizações. Natalia comentou o valor de uma população bem informada: “Do mesmo jeito que existem canais bons como os delas [Julia Jaccoud e Julia Jolie], existe uma enorme gama de programas e blogs que falam besteira. Como dar um filtro para a população e lidar com essa era de desinformação? A única maneira de combater isso é educar um cidadão crítico e consciente”.

As “embaixadoras” do evento: Julia Jaccoud, Julia Jolie, Natalia Pasternak e Cláudia Fusco (Imagem: divulgação)

A participação feminina na área

Ao serem questionadas sobre desafios e preconceitos sofridos por consequência de serem mulheres, todas as convidadas disseram nunca terem sido afetadas diretamente por isso. No entanto, Julia Jaccoud comentou a existência de situações de desânimo feminino na área das ciências exatas, citando a presença de um coletivo de mulheres na universidade para compartilhar tais experiências. “A gente fica desencorajada para ir até a lousa resolver um exercício, porque todo mundo vai olhar. Têm pessoas desencorajadas a perguntar […] e também existe a ideia de que a mulher tem que ser perfeita e não pode errar. São pressões de todos os lados”, disse a matemática.

Natália Pasternak também defendeu que “a ciência não tem gênero, ela só precisa de pessoas apaixonadas pelo que fazem” e disse que “bons cientistas estão interessados em bons resultados. Eles não estão nem aí se você é um homem, uma mulher ou uma ameba”.

De modo a incentivar o estudo científico, Julia Jolie defendeu a importância de experimentar novas áreas e descobrir assuntos diferentes, reiterando a relevância da ciência no cotidiano das pessoas. “Não deixe ninguém dizer para você que é impossível”, completou a matemática Julia Jaccoud.

Um pouco mais sobre o livro

A obra inicia-se com a apresentação de Hipátia de Alexandria, a primeira astrônoma, matemática e filósofa documentada. Passando por nomes conhecidos como Marie Curie, pioneira na pesquisa da radioatividade e primeira mulher a receber um Nobel, o livro traz também a história de cientistas como Rosalind Franklin, a química que provou que o DNA é uma dupla hélice, mas teve seus trabalhos lidos e plagiados por dois homens na época.

Feminista e encantada pelo mundo da ciência, a autora é formada em design gráfico e acredita muito no poder da ilustração como ferramenta de aprendizado. Por isso, cada página do livro conta com gravuras e notas feitas pela própria Ignotofsky e não deixam que a leitura se torne algo massante e cansativo. Sempre fiel a seu objetivo – tornar a ciência algo mais acessível -, ela também adicionou ao fim da obra um glossário, que explica detalhadamente e simplifica conceitos desse mundo tão distante da realidade de muitos.

Brindes entregues pelos organizadores no fim do bate-papo. (Imagem: divulgação)

Dentro do contexto atual de ascensão feminina, “As cientistas: 50 mulheres que mudaram o mundo” mostra a história daquelas que contribuíram de forma inexplicável com o progresso da ciência, mas nem sempre tiveram o reconhecimento merecido. Além disso, com apenas 128 páginas, a leitura pode ser realizada para crianças e jovens de modo a encorajá-los a ingressar no ramo. Afinal, a mensagem deixada por Ignotofsky é apenas uma: quando o assunto é ciência, não há gênero que impeça o avanço.

Laboratório
O Laboratório é o portal de jornalismo científico da Jornalismo Júnior. Apaixonados por curiosidades, nosso objetivo é levar a informação científica o mais próximo possível do público leigo. Falamos sobre saúde, meio ambiente, tecnologia, ficção científica, história da ciência, escrevemos crônicas, resenhamos livros, cobrimos eventos e muito mais!
VOLTAR PARA HOME
COMENTÁRIOS
Cesar Crash
Meninas superpoderosas S2
11 jun 2021
 
Edvan sousa da costa
Muito bom essas histórias viu PARABÉNS
23 maio 2020
 
DEIXE SEU COMENTÁRIO
Nome*
E-mail*
Facebook
Comentário*