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Semana do Jornalismo 2025 | Jornalismo esportivo no Brasil: uma conversa sobre os caminhos da profissão no cenário atual 

Semana do Jornalismo convida grandes nomes do mercado para debate e troca de experiências com alunos

Por Isabela Slussarek (isabelaslussarek@usp.br) e Nina Nassar e (niiina@usp.br)

Após cinco dias de palestras, aprendizado e comemorações, a Semana de Jornalismo foi encerrada, na última sexta-feira (26), com a mesa de debate sobre Jornalismo Esportivo. Grandes nomes da área se reuniram para discutir a respeito do esporte na comunicação e levantar pontos importantes, como a linha tênue entre o jornalismo e o entretenimento e as diferentes variedades de criação de conteúdo.

Antes da palestra ser iniciada, Júlia Sardinha, presidente da Jornalismo Júnior, e Rafael Dourador, vice-presidente, fizeram uma fala especial em homenagem ao fim da Semana do Jornalismo. A presidência demonstrou gratidão a todos os convidados e visitantes que prestigiaram as palestras ao longo dos últimos dias. 

A última mesa da semana, mediada por Victória Guedes, contou com nomes de peso no meio do esporte. Marwa El-Hage, criadora de conteúdo esportivo, Marcel Merguizo, repórter da Rede Globo, Gian Oddi, comentarista da ESPN, e Marília Galvão, apresentadora dos Desimpedidos.

O atual momento do jornalismo esportivo 

Gian Oddi acredita que o esporte no jornalismo enfrenta um momento crítico, marcado pela transição entre o jornalismo tradicional e os criadores de conteúdos digitais. “Vivemos em uma era que é possível produzir em seu próprio conteúdo. Existem dois lados: os que produzem de forma adequada, e os que servem ao engajamento”, alega.

Comenta, também, sobre o clubismo danoso na internet disfarçado de jornalismo, praticado por alguns influenciadores. “A gente deve se perguntar: o que é jornalismo? Quem produz conteúdo, de qualquer maneira, deve ter ética e responsabilidade, que são coisas que norteiam a área”, afirma Gian.

Gian (à esquerda) foi afastado da ESPN após comentários feitos sobre a gestão de Ednaldo Rodrigues na CBF [Imagem: Letícia Menezes/Jornalismo Júnior]

Na sequência, Marília Galvão fala sobre a importância, para um jornalista em formação, de aproveitar as oportunidades oferecidas no meio. Marília diz que considera que sua formação foi essencial, pois a vida universitária lhe abriu muitas portas, conhecimentos e contatos do meio, o que auxiliou sua inserção no mercado de trabalho.

Na graduação, percebeu que sua vontade de fazer jornalismo televisivo migrou para o meio digital. A jornalista diz que o conteúdo digital pode ser muito bom quando se tem autenticidade, pois pode ser uma forma de dar voz a pessoas muito talentosas.

“Você é a sua própria emissora, então deve escolher o conteúdo que quer fazer. Você pode desenvolver sua autenticidade na marca pessoal.”
Marwa El-Hage

Marwa, formada em administração na Faculdade de Economia, Administração, Contabilidade e Atuária (FEA) da USP, diz que pensa que a faculdade de jornalismo fez falta para sua carreira, por isso, a considera muito importante. Diz que, quando foi contratada pelo canal Peleja, aprendeu as técnicas com seus colegas. 

Completa falando que acha que ainda há espaço para a redação e para o jornalismo tradicional, pois os criadores de conteúdo não conseguem passar de um limite com a apuração e investigação de qualidade jornalística. Como exemplo de um grande trabalho jornalístico, citam a reportagem completa da revista Piauí, feita por Allan de Abreu, sobre a queda do presidente da CBF

Marwa começou por conta própria na internet e já acumula milhares de seguidores nas redes sociais [Imagem: Letícia Menezes/Jornalismo Júnior]

Os meios do jornalismo e o entretenimento

Marília conta que a forma tradicional de se fazer jornalismo na TV era uma zona de conforto, sem espontaneidade. “O digital dá essa liberdade pra gente e eu acabei gostando da Marília que descobri”, acrescenta. Comenta que a TV percebeu essa vantagem do digital e vêm aderindo um jeito descontraído, porque o jornalismo fica mais divertido quando permite individualidades.

“Hoje eu não faço um jornalismo tradicional, mas preciso da escrita. Escrever bem e ler muito é o básico: é cultura”, completa, ressaltando que até o conteúdo humorístico da internet se destaca quando há um conhecimento por trás. 

Marcel explorou diferentes meios do jornalismo, desde os mais tradicionais até os modernos. Ao ser questionado sobre como lidou com essas mudanças, o comentarista disse que a adaptação para cada meio é complicada. “A preparação que os alunos têm aqui é fundamental. A ética, o conteúdo e os contatos te servem para sempre”, acrescenta. Para ele, o mundo digital abre novas possibilidades, mas as bases da faculdade são fundamentais para todas as áreas.

Segundo Marwa, o jornalismo não dá tanto dinheiro quanto o entretenimento, uma indústria gigante nas transmissões de futebol. “A informação e o mercado são antagônicas. Encher uma transmissão de publicidade pode ser antagônico”, afirma. Ressalta que o jornalismo não deve ceder completamente à sedução financeira da indústria do entretenimento. Para ela, a informação carregada de credibilidade ainda precisa existir. 

Gian acrescenta que o engajamento é rentável, por isso, opiniões agressivas tendem a trazer remunerações. Defende que, uma “opinião” perde o valor ao incitar o ódio por engajamento, e isso seria a baliza entre o que é ou não é jornalismo. “Já se sabe tudo que o ódio pode causar. É preciso ter limites e princípios. Saber até onde vai nossa ética pelo dinheiro”, afirma. 

Momentos marcantes na profissão

Marwa conta sobre sua experiência ao produzir um mini documentário para a FIFA, durante a Copa do Mundo Feminina. A história era sobre uma jogadora árabe que utilizava hijaab em campo. A influenciadora diz o quanto foi importante para ela entrar em contato com o esporte feminino e dar visibilidade às mulheres, pois sentia que “os bastidores da copa eram feitos de homens”.

Ao final da palestra, os convidados responderam diversas perguntas do público [Imagem: Letícia Menezes/Jornalismo Júnior]

Para Gian, um momento muito emocionante foi a cobertura da despedida de Totti. Ele ressalta que “o auge” da carreira no jornalismo esportivo não é apenas a participação em Copas do Mundo ou em grandes campeonatos, e sim, o prazer de trabalhar com o que gosta, todos os dias. 

Para Marcel, durante as Olimpíadas, “o mais legal é acompanhar o processo, pois dá o prazer do dia-a-dia.” Fala sobre oferecer visibilidade à tantos atletas e modalidades diferentes, pois alguns reconhecem o jornalista como importante para suas carreiras. 

[Imagem de capa: Letícia Menezes/Jornalismo Júnior]

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