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Maldição superada! A conquista do Roland Garros de Federer

Título histórico que selou o Career Slam do tenista completou 15 anos na última sexta-feira (07)
Por Malu Vieira (marialuizavieiragoncalves@usp.br) e Yasmin Constante (yasminconstante@usp.br) 

Roger Federer nasceu em 8 de agosto de 1981, na Suíça. Desde muito jovem, mostrou interesse e habilidade no tênis e aos oito anos de idade começou a praticar o esporte, em que rapidamente se destacou. Seus pais o apoiaram em sua jornada esportiva e lhe proporcionaram o apoio necessário para se desenvolver ainda mais. Aos 14 anos, Federer decidiu se concentrar apenas no esporte e deixou a escola regular para se juntar à academia nacional de tênis da Suíça, em Ecublens, onde recebeu treinamento profissional e aprimorou seu jogo. 

O tenista rapidamente ganhou vários títulos e atraiu atenção de técnicos, ascendendo nas fileiras do tênis juvenil suíço e internacional, o que o colocou no posto dos jovens talentos mais promissores do esporte. Em 1998, aos 17 anos,  Federer fez sua estreia no circuito profissional de tênis. Ele começou a competir em “challengers”, torneios de tênis com nível de dificuldade mediano, e ganhou experiência competindo com jogadores mais experientes. 

Em 2001, o jogador conquistou seu primeiro ATP Tour  —- torneio mundial de tênis de primeira linha para homens organizado pela  Associação de Tenistas Profissionais —  ao derrotar Julien Boutter, em Milão, na Itália. Já em 2004, Federer teve um salto em sua carreira ao competir em sua primeira final de Grand Slam, no qual enfrentou o australiano Mark Philippoussis e venceu, conquistando seu primeiro Wimbledon. Além disso, teve sucesso em torneios de Masters 1000, como nas conquistas do Masters de Miami e Indian Wells em 2002, marcando seu nome como uma força a ser reconhecida no circuito.

Federer é o primeiro tenista da história a alcançar a marca de 20 títulos na carreira [Reprodução/Instagram: @rogerfederer]

Essas primeiras conquistas foram fundamentais para o lançamento de Federer em sua carreira profissional, ao mostrarem para o mundo do tênis que havia um novo ídolo em formação. A partir daí, ele continuou a construir seu legado, acumulando mais títulos de Grand Slam, estabelecendo recordes e deixando sua marca  no esporte. Porém, mesmo com a grandiosidade de Roger Federer, ainda faltava algo para consolidar sua carreira: o Roland Garros.

A “Maldição” de Federer e a tão sonhada conquista 

Roger Federer já era uma figura importante para o tênis em 30 de junho de 2009, quando conquistou seu primeiro título de Roland Garros. Este era o único Grand Slam que faltava para o tenista entrar no restrito grupo de jogadores a conseguir vencer os quatro principais torneios —- o Career Slam. O atleta já possuía treze títulos de Grand Slam quando enfim foi campeão daquele que lhe faltava. Até a conquista, a “maldição” ao redor do Roland Garros parecia o perseguir. 

Antes do título, o atleta perdeu as finais para Rafael Nadal três vezes consecutivas, nos anos de 2006, 2007 e 2008, além da eliminação na semifinal de 2005, quando também perdeu para o espanhol. Na temporada de sua vitória, Federer enfrentou o sueco Robin Söderling na final, atleta que venceu Nadal — antes da derrota, invicto no torneio há quatro anos — nas oitavas de final. No mesmo ano, após conseguir superar esse obstáculo, o jogador ainda conquistou outro grande torneio de tênis, o Wimbledon. Com essas vitórias, Federer superou o recorde de Pete Sampras e foi o primeiro atleta a conquistar 15 títulos de Grand Slam.

“O homem que se tornaria Rei, mas não conseguia. Três vezes ele havia perdido nas finais”

Andrew Castle, jornalista esportivo e comentarista britânico 

No dia 31 de maio de 2009, o inesperado aconteceu na disputa do Roland Garros. No domingo, um atleta que já havia levado o prêmio anteriormente —  Rafael Nadal — foi derrotado nas quartas de final. Ele perdeu para o sueco Robin Söderling, o que chocou o mundo, visto que era um dos favoritos da temporada. 

“Assim que Nadal saiu de vista, Federer tirou um peso das costas. Você acharia que é predestinado, mas não é”

Andrew Castle

Na semifinal, Federer enfrentou o argentino Juan Martin del Puerto. A penúltima rodada foi decidida após cinco sets históricos, com o suíço levando a melhor.

Ao vencer Juan, Federer escreveu seu nome nos livros da história do tênis ao conquistar um Roland Garros pela primeira vez em sua carreira. Federer derrotou Söderling na final e garantiu seu décimo quarto Grand Slam. Em entrevista para a Federação Francesa de Tênis, Federer falou sobre o que sentiu com a vitória. “A sensação  foi totalmente diferente de qualquer outro título que eu já ganhei. Olhando para trás, essa foi umas das vitórias mais emocionantes da minha carreira”.

Federer é considerado por muitos um dos maiores tenistas dos anos 2000, ao lado de Rafael Nadal e Novak Djokovic

Conquistar o título da forma que Federer fez vai muito além do profissional. Ainda que tenha ganhado tantos torneios anteriormente, a representatividade do Roland Garros é muito maior. A jornada do tenista mostra como até os melhores da história têm desafios a enfrentar. Sua marca foi deixada no tênis, e independente do tempo que esse título demorou, ele será lembrado para sempre.

O que é Roland Garros?

O French Open, mais conhecido como Roland Garros, é o segundo dos quatro torneios do Grand Slam, os maiores campeonatos do mundo do tênis. São torneios mais longos, então os resultados conquistados contam mais pontos nos rankings ATP e WTA -– nas classificações do tênis masculina e feminina, os vencedores ganham ao todo 2000 pontos. Além disso, os eventos também possuem premiações mais significativas que os demais torneios: em 2024, os campeões receberão 2,4 milhões de euros (13,5 milhões de reais). Fazem parte do Grand Slam, além do Roland Garros, o Australian Open, o Wimbledon e o US Open.

O Roland Garros acontece todos os anos em Paris desde 1891, quando ainda era disputado apenas por clubes franceses. Em 1920, o torneio femino passou a ser aberto internacionalmente, o que ocorreu cinco anos depois para a categoria masculina. O campeonato é disputado entre o final de maio e início de junho, em seu tradicional campo de saibro, o que permite que a bola seja desacelerada e alcance grandes alturas.

Desde 1928 o torneio é disputado no Stade Roland-Garros, que assim como o campeonato, leva o nome do aviador e herói francês que morreu em campo durante a primeira guerra. Receber este nome foi uma das condições que Emile Lesueur, presidente do Stade de France, deu às autoridades do tênis para que lhes fosse dado três hectares de terreno para a construção do local. Os jogos internacionais franceses foram transferidos para o novo estádio, que também recebeu a Copa Davis daquele ano. 

A experiência do torneio

Em 1972, Marcelo Meyer, ex-jogador e treinador de tênis, foi à França para disputar o Roland Garros, mas por erros cometidos na sua inscrição não pôde participar da competição. Mesmo decepcionado, a experiência lhe rendeu sua futura profissão: treinador de tênis. Ele relata que, graças à sua ida à Europa, foi possível enxergar o potencial do esporte, na época ainda pouco conhecido no Brasil. “Eu observei pela primeira vez que um professor de tênis poderia ser bem remunerado, ao contrário do Brasil, que naquela época era uma profissão meio marginalizada”.  Há 52 anos, a estrutura  já era quase como atualmente.  O ex-treinador completou dizendo que, além do complexo enorme, o reconhecimento por parte da população, interessada no tênis, era muito marcante.

Em 1993, o ex-jogador retornou à competição, desta vez como treinador de Fernando Meligeni. O jogador chegou a quase desistir do torneio, mas devido à insistência de seu técnico – que conhecia a importância do Roland Garros –, Meligeni resolveu jogar o qualificatório, algo que mudou sua vida posteriormente. “Ninguém o conhecia, depois que ele passou o qualificatório e a primeira rodada, já era complicado para andar na rua, todos queriam autógrafos e saber quem era aquele jogador”, conta Marcelo. Segundo ele, esse exemplo mostra a paixão dos franceses pelo esporte: “Eles conhecem o tênis, as regras e idolatram os jogadores”.

Marcelo ainda desfrutou de mais um momento marcante na história do torneio quando foi comentarista nas conquistas dos segundo e terceiro títulos de Guga, referência do tênis brasileiro. A equipe da qual fez parte foi cobrir presencialmente a semifinal e final do jogador, transmitida ao vivo na televisão aberta. Ao final do jogo a emoção tomou conta da situação. O ex-jogador ainda afirma que esses momentos fazem falta para o desenvolvimento do esporte no Brasil, já que o tênis é muito transmitido em canais fechados, onde uma grande parte da população não tem acesso. 

Brasil e a dificuldade de sucesso no tênis

Para Marcelo Meyer, a primeira dificuldade para implementar o tênis no Brasil está no difícil acesso ao esporte: até mesmo para consumir os torneios como espectador é necessária a assinatura de canais fechados de televisão, o que restringe quem pode acompanhar o esporte. Além disso, a prática do tênis também é cara: a possibilidade de fazer aulas, frequentar quadras e os materiais estão fora da realidade de muitos. 

O ex-treinador acredita que projetos sociais com o tênis existem e estão em crescimento, sendo de grande importância para o propósito de dar oportunidade a crianças de baixa renda aprenderem um esporte, estarem em bons ambientes e enxergarem no tênis uma possibilidade de profissão. Entretanto, Marcelo pontua que os projetos não visam a formação de grandes jogadores. “No nosso país temos tantas outras prioridades que não são atendidas, como educação e saúde, que não dá nem pra gente exigir investimento no esporte. É uma utopia o dia que o Brasil resolver os problemas de educação, de saúde e de empregos, aí a gente pode exigir dinheiro para formar campeões”. Por essas razões, é difícil ver jogadores com a qualidade semelhante a de Roger Federer representando o Brasil.

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