Por Redação Cinéfilos
Listas de fim de ano são sempre uma tarefa complexa. Muita coisa boa acaba ficando de fora do radar por falta de tempo ou oportunidade. Outras, mesmo que vistas, são revisitadas com olhos mais interessados em momentos posteriores. Por isso, o que se capta em exercícios como este são tendências, muitas vezes alteráveis, mas que melhor funcionam como o atestado de um período e as relações cinéfilas que dele emergem.
Resguardados os poréns, é possível dizer que 2025 foi, definitivamente, um ano interessante para a sétima arte. De filmes de grandes autores, há muito aguardados, como Uma Batalha Após a Outra (One Battle After Another), do diretor Paul Thomas Anderson, a surpresas comoventes, como Sorry, Baby (ausente desta lista), da estreante Eva Victor, o cinema em 2025 foi movimentado, marcado pela pluralidade, seja nos erros ou nos acertos.
Após a comoção gerada pelo sucesso de Ainda Estou Aqui (2024), de Walter Salles, em premiações mundo afora, o cinema nacional vive um grande momento de conexão com o público como não se via há anos. Isso está representado na lista composta pelo Cinéfilos: considerando menções especiais, filmes brasileiros compõem ¼ das escolhas.
O Agente Secreto, de Kleber Mendonça Filho, talvez seja o maior beneficiário da alta projeção do nosso audiovisual em 2025, mas outros longas, como O Último Azul, de Gabriel Mascaro, e Oeste Outra Vez (ausente desta lista), de Erico Rossi, também foram destaques, mobilizando crítica e público.
Baseado nas listas individuais de repórteres e diretores do Cine, apresentamos os melhores filmes do ano que se passou. O ranking inclui obras cujo lançamento se deu em 2025 nos cinemas brasileiros. As escolhas são acompanhadas de comentários editoriais.
Menções Honrosas
O Último Azul (2025), de Gabriel Mascaro

O Filho de Mil Homens (2025), de Daniel Rezende

Top 10
10º lugar – The Mastermind (2025), de Kelly Reichardt

Há quase duas décadas, Kelly Reichardt produz o que de mais interessante o cinema americano proporcionou no período. The Mastermind, seu novo longa, aborda um assalto amador a obras de artes. Não espere o típico filme de roubo, muito menos um pastiche do gênero. Sem demonstrar o mínimo movimento aparente, a cineasta leva o espectador a lugares onde outros nem se aproximam. Leia a crítica da repórter Clara Hanek ao Cinéfilos.
9º lugar – Uma Batalha Após a Outra (One Battle After Another, 2025), de Paul Thomas Anderson

Paul Thomas Anderson é um dos autores mais aclamados e influentes de sua geração. Uma Batalha Após a Outra pode não ser a mais bem acabada e coesa de suas obras, mas é preciso admirar um cineasta com um olhar tão apurado da realidade, capaz de fazer um filme no calor do momento sobre as feridas expostas da América com ritmo e condução de mestre.
8º lugar – Foi Apenas um Acidente (Yek Tasadef Sadeh, 2025), de Jafar Panahi

Com toques inusuais de comédia, o drama de Jafar Panahi desce ao inferno para retratar a opressão do regime teocrático iraniano. Antes disso, porém, é um filme de e sobre seres humanos, suas contradições e modo de agir nem sempre passíveis de entendimento. O fim opta por escancarar o mal-estar como quem entende que, em tempos de obscuridade, só a clareza tem poder de contraposição.
7º lugar – Bugonia (2025), de Yorgos Lanthimos

Yorgos Lanthimos, conhecido por seus trabalhos excêntricos, traz uma narrativa mais comercial em seu novo longa. Bugonia, apesar de não ser um dos filmes mais inovadores do diretor, provoca o espectador a abrir sua visão de mundo para o inesperado enquanto retrata satiricamente a sociedade atual. Leia a crítica da repórter Heloísa Falaschi ao Cinéfilos.
6º lugar – Anora (2025), de Sean Baker

Na abordagem intimista de Sean Baker, Anora mistura comédia, drama e até horror em uma narrativa caótica e avassaladora, capaz de provocar debates. Mikey Madison, vencedora do Oscar de Melhor Atriz em 2025, protagoniza o longa com uma atuação comovente, responsável por elevar a experiência quase traumática de assistí-lo. Leia a crítica da repórter Gabriela Nangino ao Cinéfilos.
5º lugar – Homem com H (2025), de Esmir Filho

Em uma indústria tão saturada de cinebiografias, Homem com H traz à tela tudo de mais bonito e encantador na vida de um artista, sem deixar de abordar também os conflitos familiares e pessoais. Jesuíta Barbosa entrega uma performance estelar como Ney Matogrosso, e que, se não fossem as barreiras linguísticas, seria tão aclamado quanto Rami Malek por Bohemian Rhapsody (2018).
4º lugar – Conclave (2025), de Edward Berger

Conclave apresenta ao público uma versão da Igreja Católica que não é a primeira a se pensar quando se fala de uma das maiores religiões do planeta. As boas atuações, com destaque para Ralph Fiennes, fazem o espectador se sentir mais próximo do lado político do cristianismo e da sede de poder que o cargo de cardeal traz consigo.
3º lugar – Valor Sentimental (Affeksjonsverdi, 2025), de Joachim Trier

Obviamente, o melodrama familiar de Joachim Trier tem no cinema de Ingmar Bergman sua maior fonte. Mais do que um mero exercício metalínguistico e homenageador, Valor Sentimental tece suas próprias simbologias ao colocar no centro a afetividade desenvolvida nas ações e reações de grandes atores. É um longa em que a expressão de um rosto tem capacidade para transformar tudo, e não poucas vezes o faz. Leia a crítica da repórter Heloísa Falaschi ao Cinéfilos.
2º lugar – Pecadores (Sinners, 2025), de Ryan Coogler

Pecadores engana com seu trailer e pôster que fazem-no parecer ser apenas mais um filme de vampiros, quando, na verdade, o que ele entrega é muito mais rico e profundo. O horror fica quase em segundo plano diante de uma obra que fala sobre música, identidade e mazelas sociais e que funciona como uma verdadeira carta de amor ao blues. Ao fugir dos clichês e misturar gêneros, o longa encontra sua graça no inesperado.
1º lugar – O Agente Secreto (2025), de Kleber Mendonça Filho

Kleber Mendonça Filho sempre teve uma autoconsciência aguçada, mas em O Agente Secreto ela se apresenta em sua total maturidade. A decisão de sobrepor linhas do tempo, estilos e imagens é audaciosa e se concretiza como um grande acerto, principalmente devido à condução ímpar do diretor-roteirista. Consegue ambientar repressão, região e o absurdo com toques de humor — e muitos jornais impressos e lidos — de maneira inesquecível. Leia a crítica da repórter Sofia Matos ao Cinéfilos.








