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Mostra Internacional de SP: A introspecção sensível de Beira-Mar

Este filme faz parte da 39ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo. Para conferir a programação completa clique aqui À penumbra da sala de cinema, defronte uma plateia quase lotada, os diretores de Beira-Mar (Beira-Mar, 2015) não desfrutam de muito tempo; mas apanham o pouco que têm para dizer que sua obra é, dentre outras coisas, um filme …

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Este filme faz parte da 39ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo. Para conferir a programação completa clique aqui

À penumbra da sala de cinema, defronte uma plateia quase lotada, os diretores de Beira-Mar (Beira-Mar, 2015) não desfrutam de muito tempo; mas apanham o pouco que têm para dizer que sua obra é, dentre outras coisas, um filme sobre o afeto.

Talvez os sinais dos dois, Filipe Matzembacher e Marcio Reolon, tenham mesmo se afeiçoado ao imaginário de quem os contemplava, pois que, dalguma forma, será improvável não dar fé na firmeza íntima da relação entre Martin e Tomaz. Ainda que não se saiba a história os atravessa. Ou há quanto tempo se conhecem. Ou o que os levou àquele vínculo.

No fim das contas, qualquer especulação sobre o passado será vã; pois que mesmo sem dizer palavra sobre ele, o roteiro conseguiu entrecortar suas personagens dum rasgo inquestionável de profundidade e completude. Em verdade, Beira-Mar é como um amigo taciturno, com quem há muito tempo não se troca um dedo de prosa. O velho companheiro fala pouco, sem pressa ou bruteza e, por detrás, a onda vai quebrando na costa.

A despeito disso, do lado de cá, o olhar não se impacienta. Ao contrário: ele se habitua à introspecção da película. Sossega. Há uma fotografia contemplativa travando quase todos os planos. O diálogo fluido é, ao mesmo, tempo, um canal de espessuras multifacetadas enredando Martin e Tomaz. As cenas, afinal, apenas se desdobram. Ora mais efusivas, ora mais caladas, vão avançando, recuando, e voltam a avançar – feito uma maré que, inexoravelmente, regressa à praia.

Nesse ínterim, numa pequena cidade no litoral do Rio Grande do Sul, Tomaz sentinela e acompanha Martin, enquanto ele, por sua vez, tenta desemaranhar um revés familiar, cujas origens lhes são desconhecidas. Em verdade, tudo ali parece muito alheio. E não por acaso: ei-lo num lugar de memórias esparsas, atravessado por silêncios incômodos, apenas cumprindo as interpelações dum pai truculento. A questão, porém, nem de longe aflige os quereres do filme.

E deveria? O fato mesmo é que não há nenhuma crise aguda ou nó irreversível para aperrear a serenidade de Beira-Mar. Eis a juventude e a ânsia de vivê-la, sem amarras. Martin e Tomaz são mesmo jovens. Eles têm tempo, ímpeto, oportunidade, desejo sexual. E amam-se. De jeitos insondáveis, reflexivos, mas tremendamente sensíveis.

Por último, então, sobraria o mormaço. É possível que não tenhamos aprendido a lidar com o manifesto de silêncio em Beira-Mar. Pois que ele termina e, deixa, sobre os bancos de areia, o desejo duma palavra interdita – a que poderíamos chamar de incompletude. Mas há que se reparar mais. O velho amigo veio ter conosco, e, não muito depois, outra vez nos deixou. Talvez só tenhamos querido, no fim das contas, que ele não tivesse ido embora.

Confira o trailer:

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