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À luz do céu noturno: como observar os astros em casa?

A observação é mais simples do que você pensa: veja técnicas úteis para observar o céu sem qualquer instrumento especial

Matéria Escura
07 jul 2021 | Por Eslen Brito (eslenbrito@usp.br)

Você já deve ter lido em algum lugar que um grande evento astronômico estava prestes a acontecer e que seria visível na sua região. Então, ao olhar para o céu, apenas se frustrou por não conseguir ver nada do que foi prometido. Nesta reportagem, você encontrará técnicas úteis para observação do céu sem qualquer instrumento especial.

Desde a antiguidade, o céu noturno nos atrai e, com ele, aprendemos a nos orientar no tempo e espaço. Com as mudanças da vida moderna, o hábito da observação foi se perdendo. Hoje em dia, quem mora em grandes cidades e deseja observar o céu ainda enfrenta empecilhos, como a proximidade entre as construções e a poluição, por exemplo.

Foi buscando disponibilizar conteúdos didáticos para os curiosos pelo céu que o astrônomo amador Luanderson Gomes criou o perfil de Instagram Descomplicando Astronomia. Ele conta que frequentemente recebe mensagens de pessoas que querem começar a observar o céu, mas não sabem como.

A gente não precisa de nada para a observação. A dica que eu dou é: vá para um local escuro na sua casa e sempre observe os astros mais brilhantes. Se você não conhece o céu noturno, comece a observar aos poucos, porque você vai se adaptando a cada dia”,  aconselha.

Roberto Costa, astronomo do IAG

O professor Roberto Costa, do Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas (IAG) da Universidade de São Paulo (USP), explica que, se da sua janela a área visível de céu é muito pequena, o ideal é ir a um local aberto, como uma praça ou um parque. Ele afirma que é totalmente possível observar o céu de casa. 

“Ao contrário do que muita gente pensa, não é preciso nenhum equipamento sofisticado. Eu acho que o que a pessoa precisa, essencialmente, é a curiosidade de entender como o céu funciona.”

Além disso, ele pontua que já existem sites e aplicativos que podem auxiliar os observadores. São eles:

 

Star Walk 

É um aplicativo em que é possível acompanhar os objetos celestes visíveis no céu de acordo com o momento e local da observação. Basta informar sua localização e selecionar a seção “visível hoje” que você descobrirá os diferentes astros e constelações no seu campo de visão, além de ter acesso a gráficos com informações sobre seus horários de ascensão e crepúsculo. Disponível para Android e iOS.

Satellite Tracker 

O aplicativo oferece o acompanhamento da localização de satélites artificiais em órbita na Terra em tempo real e envia notificações ao seu dispositivo caso algum satélite no qual você tenha interesse esteja próximo à sua região. Com ele, é possível apontar a câmera do celular para o céu e verificar o movimento dos satélites em tempo real. Disponível para Android, iOS e Huawei

Stellarium 

O um programa de computador, que também conta com a versão mobile em site, é um planetário virtual que mostra um céu realista na tela com perspectiva 360°. Através da sua localização, ele simula sua esfera celeste em tempo real e sinaliza onde estão as constelações e corpos celestes mais conhecidos.

Sky Map

É um mapa celeste on-line que oferece um panorama completo do céu na região e horário selecionado.

Google Sky

Novo recurso do Google Earth projetado para visualização espacial. Nele é possível obter imagens da Nasa, do Sloan Digital Sky Survey e do Telescópio Hubble.

Nasa

O aplicativo fornece atualizações sobre descobertas e missões espaciais através de artigos e lives da Nasa TV, além de compartilhar imagens do espaço obtidas pela agência espacial. Disponível para Android e iOS.

Alguns desses recursos oferecem apenas a versão em inglês. Contudo, muitos deles possuem interface intuitiva e de fácil utilização.

 

Como fazer a observação?

Conforme recomendado por Luanderson, o melhor é que o observador procure um local mais escuro para fazer sua observação. Isso porque as luzes emitidas pela cidade colidem com partículas dispersas no ar e gera-se a impressão de que o céu está mais claro. Segundo o professor Costa, com o fundo de céu claro, o contraste de luz com os astros é menor e, assim, fica mais difícil localizar aqueles de brilho mais tênue.

É importante saber que o céu que vemos em determinada época do ano não se mantém constante. Devido ao movimento da Terra em torno do Sol, chamado de translação, em diferentes períodos do ano estamos em lados opostos do Sol, o que gera esferas celestes diferentes.

Aliás, a esfera celeste nada mais é do que a meia-esfera de céu visível até a linha do horizonte, como se fosse uma abóbada cobrindo a Terra.

Esfera celeste (observação do céu)

[Imagem: Reprodução/UFRGS]

 

Assim, é importante observar o que aparece no céu no momento em que você olha, tendo em mente que determinadas constelações só são visíveis durante alguns meses do ano. A observação pode ser feita a olho nu e, primeiramente, não é preciso se preocupar em visualizar planetas e constelações. Entretanto, assim que sentir segurança para isso, a busca por conhecimento ajudará a entender melhor a dinâmica celeste que se passa diante dos seus olhos, é o que diz o professor Roberto Costa.

“Devemos esclarecer essas dúvidas em fontes com credibilidade. No site da USP você encontra livros de astronomia em PDF, gratuitos para baixar. Além disso, temos uma série de videoaulas da disciplina ‘Astronomia, uma visão geral’ disponível no YouTube e cursos de extensão voltados a educadores sobre o ensino de astronomia. No site Coursera também é possível encontrar bons cursos de astronomia. Por fim, consultar sempre fontes confiáveis, como livros e artigos do Google Acadêmico, além de materiais educativos de universidades e de planetários”, recomenda.

É útil também destacar a importância da orientação espacial para a compreensão da perspectiva pela qual você enxerga a esfera celeste. Da mesma forma que, em um mesmo local, não vemos o mesmo céu ao longo do ano, não é possível que vejamos o mesmo céu que alguém vê no hemisfério Norte, por exemplo. Então, o uso de técnicas simples para encontrar os pontos cardeais – norte, sul, leste e oeste –, como a de apontar a mão direita para a direção em que nasce o sol e encontrar o leste, ajudam bastante quem está começando a visualizar os astros a olho nu ou através de sites e aplicativos que requisitam a sua localização e orientação espacial.

Orientação espacial para observação

[Imagem: Reprodução/Plenarinho]

 

Mesmo que as primeiras observações não sejam tão boas, Luanderson deixa como mensagem final um incentivo à perseverança. Questionado sobre o que considerava mais importante para quem está começando a observar o céu, ele responde: “Eu acredito que é a prática, a força de vontade e não desistir. Tem gente que fala que não consegue observar alguma coisa e eu digo ‘não desista’, porque você vai conseguir. É questão de prática e de conhecimento. Assistindo vídeos no YouTube e procurando conteúdo científico, você vai conseguir observar, mesmo sem equipamento astronômico”.

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COMENTÁRIOS
luanderson Gomes da luz
Aaaah, que alegria participar desse bate-papo incrível. Foi uma honra, estarei sempre a disposição. 🌌♥️
07 jul 2021
 
Juliana Lannes
Muito interessante a reportagem! Para nós, moradores das grandes cidades, a observação noturna do céu é algo realmente difícil. Por isso, adorei as dicas e a clareza do texto. Parabéns a autora!
07 jul 2021
 
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