Home Festivais 45ª Mostra Internacional de SP | ‘Pegando a Estrada’
45ª Mostra Internacional de SP | ‘Pegando a Estrada’

Exibido na Quinzena do Festival de Cannes e no Festival de Londres, o primeiro longa de Pahan Panahi se conecta ativamente com quem assiste

CINÉFILOS
30 out 2021 | Por Rafael Canetti (rafaelcanetti@usp.br)

O filme Pegando a Estrada (Jaddeh Khaki, 2021) mostra a viagem de carro de uma família constituída por 5 membros: uma mãe mal humorada (Pantea Panahiha), um pai com a perna quebrada (Hasan Majuni), uma criança hiperativa (Rayan Sarlak), um filho mais velho retraído (Amin Simiar) e um cachorro doente.

O destino dessa viagem é uma região fronteiriça, enquanto os pais alegam que o motivo se dá pelo casamento do irmão mais velho, o clima de tensão e angústia torna tal razão uma mera dúvida.

Pahan é filho de Jafar Panahi, um dos diretores mais relevantes da atualidade se tratando de filmes de viagem, além desse legado, o trabalho dos dois carregam outras similaridades, uma delas é o desenvolvimento de reflexões elaboradas usando metáforas. Jafar costuma utilizar essa figura de linguagem para criticar o regime político da república islâmica do Irã, já Panah usa ela para uma finalidade múltipla, misteriosa e bela.

As metáforas de Pegando a Estrada se associam a referências de obras clássicas, juntas elas resultam em cenas fantásticas. Esses trechos são subjetivos e ambíguos e cumprem com a função do longa: de fazer quem assiste pensar e participar ativamente na história.

A capa de Pegando a Estrada mostra o filho transcendendo após concluir a viagem. [Imagem: Divulgação / JP Productions]

A capa de Pegando a Estrada mostra o filho transcendendo após concluir a viagem com referência ao clássico 2001-Uma Odisseia no Espaço (2001: A Space Odyssey, 1968). [Imagem: Divulgação / JP Productions]

O que corrobora para isso, é que poucos fatos são entregues de bandeja, em todos os momentos deve-se ficar atento às falas, as atuações e a participação de personagens secundários, para então chegar em teses sobre o que está acontecendo com os protagonistas e onde se direciona o desenvolvimento do enredo.

A incerteza é uma marca de Pegando a Estrada, toda a trama segue uma lógica reflexiva. O diretor se preocupa que cada inferência do pensar ativo leve o público a estabelecer uma conexão por completo com o filme.

De um lado, essa conexão se amplia devido às boas atuações dos atores que aliadas a um roteiro que engloba diálogos interessantes, amplificam o carisma e a relação com cada persona. Do outro, há uma bela fotografia, em que o principal destaque é o meio não rural, a própria natureza é capaz de aproximar os espectadores ao espaço físico da ficção.

Se o roteiro não deixa muitas pistas, a trilha sonora do filme Pegando a Estrada é o meio mais pertinente para a tentativa de respostas. Além de ser uma excelente fonte de entretenimento, é nesses mesmos momentos que os personagens cantam e dançam, expressando as suas verdades e seus sentimentos.

Em cena de Pegando a Estrada, criança brinca no gesso do pai. [Imagem: Divulgação / JP Productions]

Cena da criança brincando no gesso do pai, enquanto rola a trilha sonora de piano. [Imagem: Divulgação / JP Productions]

O longa de estreia de Pahan é uma obra rica e criativa que se conecta em vários sentidos com o espectador. Existe uma conexão com os personagens e a trajetória deles. Uma conexão com o autor graças ao roteiro interativo e metafórico. E outra conexão com a realidade sócio política iraniana, em que a fotografia e as próprias reflexões colaboram com a imersão a esse cenário.

Esse filme faz parte da 45ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo. Para mais resenhas do festival, clique na tag no final do texto. Confira o trailer:

*Imagem de capa: Divulgação / JP Productions

Cinéfilos
O Cinéfilos é o núcleo da Jornalismo Júnior voltado à sétima arte. Desde 2008, produzimos críticas, coberturas e reportagens que vão do cinema mainstream ao circuito alternativo.
VOLTAR PARA HOME
DEIXE SEU COMENTÁRIO
Nome*
E-mail*
Facebook
Comentário*