Por Loren Tangi (lorentangi@usp.br)
A banda indie folk The Lumineers faz sua terceira visita ao Brasil e inicia a etapa sul-americana de divulgação do álbum Automatic (2025), que nomeia a turnê. A The Automatic Tour passou pelo Rio de Janeiro, Curitiba e foi finalizada em São Paulo, no dia 25 de abril no Suhai Music Hall. O show levou o grupo a um estado de nostalgia e conexão com o público brasileiro ao performar músicas desde seu primeiro álbum autointitulado The Lumineers (2012) até a sua última produção.
O álbum, lançado em 2025, celebra os 20 anos de história entre Wesley Schultz (vocalista e guitarrista) e Jeremiah Fraites (baterista, pianista e percussionista), fundadores da banda que foi criada em Nova Jersey, com 11 faixas nunca lançadas. A produção pode ser interpretada como uma reflexão sobre a sociedade moderna e a relação de um mundo superficial gerado pelo excesso do uso de tecnologias, refletindo em uma atualidade que estaria “automática”. As músicas, por outro lado, procuram estabelecer uma conexão real através de suas letras.

[imagem: reprodução/instagram/@thelumineers (creditada para @rkdeeb)]
O setlist foi iniciado com Same Old Song, faixa do novo álbum, a qual elevou o astral do público e fez todos cantarem e se moverem na batida da música. Stubborn love, sucesso de 2012 encerrou a noite com a sensação de nostalgia característica da banda enquanto todos cantavam, em uníssono, uma das frases com mais destaque do repertório musical “The opposite of love is indifference”, o que define muito bem a mensagem principal da faixa, que fala sobre um amor persistente.
O folk brasileiro representado
O evento iniciou às 20 horas com a abertura de Rafael Witt, cantor e compositor gaúcho que se considera um fã da banda desde sua adolescência e trabalha com um ritmo musical similar ao deles. Rafael, curiosamente, conseguiu essa oportunidade ao pedir à produção para estar presente como número de abertura do show, através de um vídeo postado nas redes sociais, o que ele já fez em outras ocasiões, onde contava um pouco de sua história e fazia uma espécie de audição para estar lá. Com o apoio de seus fãs, que se movimentaram para marcar em sua publicação a conta de redes sociais da empresa responsável pela produção do show e da banda, o cantor conseguiu fazer com que a mensagem realizasse seu objetivo.
“Eu em alguns outros momentos fiz vídeos pedindo para as coisas acontecerem, e muitas deram certo, então: porque não, fazer um vídeo como um currículo, mostrando o que eu já fiz? E foi o que aconteceu.”
Rafael Witt

[imagem: reprodução/instagram /@rafaelwitt__ (creditada para @malufrei.re)]
Rafael abriu o show cantando algumas de suas músicas mais famosas como Space & Time e Don’t cry. Uma versão brasileira de Lose yourself, do rapper Eminem, acompanhada do som da sanfona, conduzida por Vito, e do Pandeiro, tocado por Kabé Pinheiro, chocou o público mas reafirmou a marca registrada do cantor para seus fãs de longa data. De acordo com o artista, “é muito Brasil, experimentar as coisas e deixar tudo com a nossa cara e esse cover tem esse lugar”.
Em entrevista à Jornalismo Júnior, o cantor e compositor gaúcho revelou que minutos antes da entrada ao palco, Wesley e Jeremiah o questionaram sobre como traduzir termos em inglês como Let’s Go e outras palavras para o português, mas que as acharam um tanto complexas e decidiram não arriscar durante o show.
Apesar da presença do folk no brasil não ser tão consolidada quanto em outros países, a energia e presença da banda é muito clara ao observar a força do público em sons como Ho Hey, Flowers in your hair e Ophelia. O que demonstra como uma banda de 20 anos, através de sua sinceridade e constância moldam uma conexão com o público. O vínculo é muito bem ilustrado em Brightside, onde Wesley deixa os holofotes do palco para caminhar entre os fãs, os quais aproveitam esse momento de proximidade com o artista e com a mensagem transmitida por eles.

[imagem: reprodução/instagram /@thelumineers (creditada para @rkdeeb)]
A conexão entre a banda reflete ao público
A dinâmica no palco entre os membros se move como um fluxo, onde a cada música as posições e instrumentos são revezados, gerando uma dinâmica única e extremamente fluida. Ela revela o talento e afinidade construída ao longo dos anos, shows e gravações entre os artistas, e também entre os instrumentos, que caminham da bateria ao violino. Em Big Parade a música deixa de ser protagonizada apenas pelo vocalista e passa a ter a parte vocal compartilhada. Nela, todos os membros da banda Stelth Ulvang, Byron Isaacs, Lauren Jacobson e Brandon Miller se aventuram e participam da música de forma descontraída e divertida, na medida em que são apresentados ao público.
Em Gale Song, aconteceu uma grande surpresa quando o artista Rafael Witt foi convidado a subir ao palco para cantar junto da banda. A música foi produzida para o filme Jogos Vorazes: Em Chama (The Hunger Games: Catching Fire, 2013) e é amada pelo público pela sua letra extremamente sincera e comovente, pelo ponto de vista de um dos personagens da obra ficcional, Gale (Liam Hemsworth), em relação a personagem principal, Katniss Everdeen (Jennifer Lawrence).
Rafael apontou sua alegria desde que recebeu a notícia de que tocaria com o grupo. “Minha produtora me chamou de noite com uma mensagem no celular falando que os meninos haviam gostado muito de minha apresentação e que gostariam de me convidar para cantar Gale Song ou Charlie Boy no próximo show”. O cantor gaúcho concluiu dizendo que além de um sonho realizado o momento foi uma honra, “foi além do que eu tinha imaginado, foi uma surpresa”.
Para completar a experiência do público, no ápice da canção Sleep on the floor, a qual retrata a vontade de conhecer o mundo e as pessoas, uma explosão de confetes aconteceu e deixou o público boquiaberto e totalmente imerso no momento vivido. O show foi encerrado com os artistas distribuindo palhetas, baquetas e até mesmo partituras para o público, com Stubborn Love como trilha sonora para essa memória única.

[imagem: reprodução/instagram/@thelumineers (creditada para @rkdeeb)]
*Capa: [imagem: reprodução / instagram/@thelumineers (creditada para @rkdeeb)]
