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3ª Semana da Jornalismo Júnior I Último dia: Novos formatos
Eu Fui
28 ago 2016 | Por Jornalismo Júnior

Depois de quatro dias debatendo as novas redações, o papel da mulher na profissão, a produção independente e a abordagem às minorias, a 3ª Semana da Jornalismo Júnior terminou com o tema “novos formatos”. E a mesa de convidados, composta por jornalistas dos mais diversos meios de comunicação, conversou com a plateia sobre as transformações que o jornalismo vem sofrendo, além de tirar dúvidas e orientar os estudantes prestes a entrar nesse mercado.

Antes de tudo, uma boa história

Teca Perosa, repórter de Mundo da Revista ÉPOCA e apresentadora do podcast Pop Don’t Preach, foi a mediadora do dia. Junto a ela, estavam Phelipe Siani, repórter do Jornal Nacional, Manu Barem, editora do site  Buzzfeed Brasil e Marcel Nadale, editor da Revista Mundo Estranho. Logo em sua primeira pergunta, Teca perguntou aos demais palestrantes sobre o que vinha primeiro: o formato ou a história que vamos contar?

Phelipe contou aos demais que nunca escolhe a estética antes de conhecer a história. Para ele, é importante que se entenda o caso para depois decidir como contá-lo. Em um exemplo prático, o jornalista mostrou para a plateia um de seus equipamentos de filmagem, e disse que, apesar das boas imagens e o dinamismo produzidos pelo aparelho, ele não é usado para todas as reportagens, já que para cada uma há uma emoção diferente a ser transmitida para o espectador.

Quanto a Marcel e Manu, coube a eles discutirem sobre a aparente competição existente na internet. A dúvida era a de como é possível, com tantos formatos e opções diferentes na rede, prender a atenção do público. “A gente está concorrendo por quem conta a história da melhor história”, disse Manu. Para ela, existe sim uma infinidade de material na internet, mas basta uma boa narrativa para conquistar o leitor. Em um determinado momento do debate, a editora do Buzzfeed Brasil lembrou de um exemplo recente: uma extensa reportagem lançada no site americano da empresa, que apesar de fugir dos padrões do que normalmente viraliza, alcançou enorme sucesso, tanto que ela solicitou a um dos tradutores da empresa uma versão em português do texto original, lançada hoje no portal.

Marcel trouxe um fato curioso para o debate: o número de acessos que as matérias da Mundo Estranho compartilhadas no Facebook (muitas delas já bem antigas) é, em algumas ocasiões igual ao das postagens da Superinteressante, que produz uma quantidade de conteúdo atual e exclusivo para a internet muito maior do que o da Mundo. “É fundamental saber o que as pessoas precisam e querem saber”, disse o editor ao lembrar das quase duas mil mensagens que chegam à sua caixa de e-mails todos os meses. Muitas das dúvidas já respondidas pela revista continuam a serem enviadas, e por conta disso, segundo ele, é importante misturar entretenimento com conteúdo para que o leitor se divirta e, ao mesmo, sinta que aprendeu alguma coisa.

Afinal, o que precisamos saber?

Os convidados ocuparam boa parte da palestra, sobretudo na parte em que a plateia os enviava perguntas, a tentar responder e, talvez, acalmar os futuros jornalistas ali sentados. O aprendizado dos tais novos formatos, o choque entre gerações dentro de uma redação e até a falta de sintonia entre o mercado e a faculdade foram debatidos pelos quatro convidados.

Por conta de sua experiência e convívio com grandes nomes do telejornalismo, Phelipe buscou esclarecer dúvidas quanto a relação entre os novos e velhos profissionais. Em tom de conselho, assim como todos os outros convidados fizeram, o repórter explicou que tal enfrentamento é comum, mas que pode render bons frutos, pois mesmo que as novas gerações aparentemente dominem as últimas tecnologias e formatos, são os jornalistas mais experientes que possuem um faro para boas histórias, fundamental para a realização de um bom trabalho. “O choque de geração sempre vai existir. Mas é preciso saber se posicionar”, ele conclui.

Manu contou que demorou mais ou menos oito anos até decidir que trabalharia com jornalismo na internet, e aconselhou a todos que testassem os mais diferentes meios e formatos para ver com o qual você se identifica. Marcel foi mais decidido: saiu da faculdade com o objetivo de trabalhar com jornalismo cultural, ainda que não tenha tido nenhuma aula sobre o tema. “Estudei até jornalismo agrário, mas nada de cultural”, ele brinca.

A fala de Marcel abriu espaço para a questão acadêmica, que foi inclusive a última pergunta do dia. O que fazer já que o ensino não acompanha o mercado? Unânimes, os quatro convidados disseram que é muito difícil que as faculdades abordem as últimas tendências do mercado, mas melhor do que dominar os novos formatos é aprender o conteúdo humanístico e ético ensinado nos cursos de Jornalismo.

Um alívio ao final

Se as palavras “jornalismo” e “crise” parecem sempre andarem juntas, pelo menos quem assistiu a palestra de sexta-feira pôde ouvir algumas palavras de conforto. Phelipe enxerga a vinda dos novos e inúmeros formatos como uma coisa positiva. O jornalismo vive um bom momento, e ele se sente honrado por fazer parte disso.

Manu cuidou de tranquilizar aqueles que viam as mudanças constantes como um problema. Segundo a editora, não é possível acompanhar o ritmo da internet, e que todo esse fenômeno das redes sociais é muito recente e carece de estudos, mas que não impede que se possa trabalhar e investigar o que está acontecendo.

O clima de descontração perdurou durante toda a palestra, e as comidas e fotos ao final do evento contribuíram ainda mais para isso. Uma boa maneira de encerrar uma semana inteira de esforço, trabalho em equipe e muito aprendizado. Se o que importa mesmo é uma boa história, a Jornalismo Júnior já tem uma ótima para contar.

Por Rafael Popp
rafael.popp8ajm@gmail.com

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