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A Lenda de Boston
ARQUIBANCADA
08 maio 2019 | Por Arquibancada

French Lick, Indiana. Uma minúscula cidade que, pelo censo de 2016, tinha apenas 1.769 habitantes, provavelmente seria mais um ponto esquecido no mapa dos Estados Unidos, se não fosse por uma pessoa: Larry Joe Bird.

Desde o ensino médio, Bird já se destacava por sua incrível habilidade no basquete. Com isso, foi fácil para ele ingressar em uma faculdade, primeiro na University of Indiana, porém, sem sucesso, acabou saindo do time por não se adaptar à vida na cidade grande. Fora das quadras, Bird trabalhou como varredor de rua em French Lick, por cerca de dois anos.

Mas o talento de Larry não ficaria tanto tempo despercebido. Em 1975 foi o ponto de virada. Mesmo perdendo o pai, que cometeu suicídio, o rapaz não desistiu do basquete e, no mesmo ano, recebeu o convite da Indiana State University para se juntar a eles. Foi aí, então, que a carreira do garoto no esporte alavancou.

Desde os tempos de faculdade, Larry já demonstrava que seria um dos maiores astros do basquete [Imagem: Allen Winters]

Foi por essa universidade que Bird disputou a NCAA (liga de basquete universitário dos EUA), chegando às finais da liga em 1979, contra a Michigan State University, liderados por ninguém menos que Earvin “Magic” Johnson. Esse foi o primeiro capítulo da rivalidade entre os jogadores, que se sustentaria ao longo de mais de uma década, e como era de se esperar, esse primeiro encontro foi algo épico. O jogo entrou para história como a final universitária mais assistida da história. O título ficou com Michigan State e Magic foi escolhido como MVP (título dado ao melhor jogador do campeonato).

Após a final, Larry Bird e Magic Johnson foram escolhidos para jogar profissionalmente pelos dois maiores rivais da NBA: Boston Celtics e Los Angeles Lakers, respectivamente. Para Ricardo Bulgarelli, comentarista da ESPN, a chegada de ambos foi muito importante para resgatar o glamour da liga americana de basquete: “Ele (Larry Bird) e Magic Johnson ressurgem a NBA porque, na época, ela era vista com maus olhos, tinha muita gente apostando dinheiro em Nova Iorque, principalmente. Então Larry Bird tem um fator, na minha opinião, não só importante pro Boston Celtics, mas para NBA toda. Ele e o Magic Johnson resgatam essa paixão do basquetebol, eles fazem com que a NBA nasça, na verdade, chame a atenção de todos como algo diferenciado”.

Larry caiu como uma luva nos Celtics. Era o jogador que a torcida esperava, fazia o tipo “trabalhador”, que combinava muito com o estilo de Boston. Sua chegada também ajudou a reerguer o time, que vinha de uma campanha pífia na temporada anterior.

Muito dessa melhora deve-se às características de Bird, sempre trazendo a responsabilidade para si e mostrando liderança dentro da quadra. Ricardo Bulgarelli explica melhor essas características e faz uma comparação com o outro craque da época, Magic Johnson.

“Magic Johnson era muito mais cerebral. Ele era um jogador que prezava muito mais a assistência. Era um cara que não tinha ego, ele pontuava com facilidade, mas servia muito os companheiros. O Larry Bird era um cara mais definidor, matador de bolas em todos os lugares da quadra, no poste baixo, de três pontos. Um cara frio, que chamava muito a responsabilidade. O Magic Johnson não precisava chamar a atenção, me parece um cara mais de grupo. Não que o Larry Bird tivesse ego, vendo na minha visão como telespectador, mas me parecia que o Magic não precisava ser o cestinha do time, se a equipe ganhasse estava bom. Já o Larry Bird era um cara que puxava mais a equipe. Acho que se não fosse ele o Boston não chegaria onde chegou”.

Em seu primeiro ano, Bird mostrou para que veio: foi selecionado como novato do ano, e conseguiu melhorar e muito a campanha do seu time em relação à temporada anterior. Mas, mesmo com o seu talento individual, o Celtics não conseguiu chegar às finais. Larry viu o seu maior rival ser campeão no ano de estreia e ser escolhido como o MVP das finais.

A temporada seguinte foi o marco inicial da grandeza de Larry para Boston. Junto de Kevin McHale e Robert Parish, trio que ficou conhecido como “The Big Three”, conseguiram levar o Boston até as finais da NBA. Pela frente, não havia o adversário que todos esperavam, já que os Lakers haviam perdido a final de sua conferência, adiantando a expectativa dos dois maiores jogadores da época em uma final. Na temporada em questão, o Houston Rockets foi o adversário, lutando bravamente, mas sem conseguir levar a série nem pro jogo 7, perdendo de 4 a 2. Nesse ano, Bird mostrou o porquê de ser um grande líder. Mesmo sendo anulado no começo da série, devido a uma forte marcação do adversário, ele se recuperou e ajudou o seu time com ótimas atuações defensivas e assistências.

Larry Bird e Magic Johnson protagonizaram uma das maiores rivalidades da história da NBA [Imagem: Nantonin, Visual hunt]

As duas temporadas seguintes não foram boas para os Celtics. Em ambas, o time não chegou a disputar a final nacional. O pior ano foi 1983, quando o time caiu para o Milwaukee Bucks por 4 a 0 nas semifinais. Bird mostrou todo seu descontentamento com a equipe ao fazer a seguinte declaração: “Parecemos um bando de indivíduos jogando com o mesmo uniforme”.

No ano seguinte a história foi diferente. O Boston fez a melhor campanha da sua conferência, somando 62 vitórias. Depois, se vingou dos Bucks, vencendo-os por 4 a 1 na final do leste. E, por fim, na final nacional, pela frente estava o seu maior rival: Los Angeles Lakers. Era um sonho para todo fã de basquete poder ver Larry Bird e Magic Johnson se enfrentarem em uma final da NBA.

As equipes jogavam de maneira diferente. Os Lakers, com todo glamour de Los Angeles, tinham um jogo que fazia jus a isso. Conhecido como “Show Time”, Magic Johnson e companhia esbanjavam habilidade, abusando de jogadas plásticas e abusadas. Já os Celtics, tinham um jogo distinto, faziam o básico, eram definitivos e determinados, do jeito que a cidade de Boston gostava. Bird era a alma desse time, sempre levantando a moral dos companheiros e os liderando para a vitória.

Diferente da final da liga universitária, Larry Bird saiu vencedor sobre Johnson. Numa virada espetacular, o Boston fechou em 4 a 3, decidindo a última partida em casa e vencendo por 111 a 102. Bird se confirmou como o craque que era, recebendo o prêmio de MVP do campeonato e das finais.

A partir daí a carreira de Larry Bird só alavancou. Ganhou mais uma temporada da NBA, em 1986, sendo eleito MVP das finais, além de outros dois prêmios de MVP da NBA (85 e 86). Além disso, foram 12 seleções para o All Star game (jogo que reúne as maiores estrelas da liga), ganhando um prêmio de MVP desse jogo, três títulos do campeonato de bolas de 3 e um título olímpico em 1992, no time americano que ficou conhecido como “Dream Team”. Devido a tudo isso, Bird faz parte do hall da fama da NBA, sendo introduzido em 1998.

Por muitas vezes, Larry Bird foi subestimado e teve que colocar a prova seu talento. Para muitos, ele não fazia o tipo de um jogador de basquete: não era rápido, não saltava tão alto e não tinha um físico atlético. Mas, quando estava em quadra, ele mostrava toda sua habilidade, seus passes eram precisos e inteligentes, possuía um jeito incrível de enganar os adversários, e, claro, seus arremessos perfeitos.

A estrela do Boston também era conhecido por seu trash talk, ou seja, por irritar seus adversários. Tinha o costume de chegar em seus oponentes e dizer exatamente a jogada que ia fazer, e o resultado final era quase sempre favorável a ele. Em um jogo contra o Portland Trail Blazers, o destro Larry Bird disse nos vestiários que só iria fazer pontos com a mão esquerda. Ao final da partida Bird somou 47 pontos, 11 assistências e 14 rebotes, matando a bola que levou o jogo para a prorrogação, além de fazer a cesta da vitória. A partida terminou 120 a 119 para os Celtics.

Uma carreira brilhante também terminou de maneira brilhante. Em uma belíssima cerimônia, Bird teve sua camisa de número 33 aposentada nenhum outro jogador jamais usará esse número pelo Boston Celtics. A “Larry Birds Night”, como ficou conhecida, contou com a presença ilustre de Magic Johnson, que fez um discurso emocionante elogiando seu maior rival.

Após a aposentadoria, Bird se aventurou como técnico na NBA. Voltando para Indiana, ele treinou o Pacers de 1997 até 2000, sempre chegando aos play-offs. Também o único a conquistar os títulos de MVP e de melhor técnico.

Com uma carreira grandiosa, Larry Bird sempre mostrou força de vontade, empenho e habilidade. Com seu jeito único de jogar, foi o principal responsável por reerguer uma das maiores franquias da NBA. Sua sincronia perfeita com a cidade de Boston reacendeu o amor dos fãs pelo basquete. Grandioso dentro e fora das quadras, Bird fez jus ao seu apelido “A lenda”, impressionando adversários e torcedores, tornando-se assim um dos maiores jogadores da história.

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