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A leveza do Giro de Roberta Sá
Escuta Aí
20 maio 2019 | Por Letícia Flávia Guedes (leticiaflavia@usp.br)

O álbum recém-lançado Giro, da artista de MPB, Roberta Sá, emana calor, leveza, simplicidade e, ao mesmo tempo, sofisticação. Produzido por Bem Gil, o álbum concretiza a parceria da cantora com Gilberto Gil, que compôs onze músicas inéditas que formam o disco, sendo sete delas feitas com colaboração de outros artistas e quatro exclusivas do cantor. Além disso, Gilberto Gil participa tocando violão em todas as faixas do álbum. Ele integra a banda Giro, juntamente com Bem Gil (guitarra), Domenico Lancellotti (bateria e percussão), Alberto Continentino (baixo) e Roberta Sá (voz).

[Créditos: Divulgação]

A primeira música, Giro, traz na melodia e na voz de Roberta Sá a leveza que será sentida ao longo  das faixas. A canção, de tom alegre, foi a primeira composta por Gil para integrar o álbum. Nela, elementos rítmicos remetem ao giro presente no título e refrão. É oferecido calor e aconchego com imagens presentes na letra da música, como o sol a brilhar na cidade. Nota-se, também, a presença da flauta no arranjo, contribuindo para a suavidade da canção.  

Roberta Sá e Gilberto Gil [Créditos: Alice Venturi]

A segunda faixa, O lenço e o lençol,  também é composta exclusivamente por Gilberto Gil. A letra traz um eu lírico confiante e, mais uma vez, o ouvinte é acompanhado pela sensação calorosa do sol. O arranjo musical provoca deleite com a presença do violino, do trombone e do cello.

Cantando as Horas, a terceira música do álbum, muda de tom. Composta por Gil e Roberta, a canção deixa de ser alegre quanto as outras duas músicas, e possui como tema a saudade do eu lírico apaixonado em relação a seu amor. A letra, por meio de metáforas, é capaz de aludir a intensidade do sentimento do eu poético. Observamos no trecho: “ Sou passarinho e bem devagarinho vou cantando as horas para poder voar para nosso ninho”.

A guitarra traz singularidade à música, e a entrada do acordeon no meio da canção a deixa mais dançante.

Quarta canção do álbum, Ela Diz Que Me Ama, foi o primeiro single lançado, e resgata na sua composição uma parceira que há tempos não víamos: Jorge Ben Jor e Gilberto Gil. A afinação de Roberta chama ainda mais a atenção do espectador nessa faixa. Jorge Ben Jor, mesmo participando no vocal de maneira comedida, traz sua identidade à música, e contribui para a malemolência e gingado da canção.     

Gilberto Gil, Roberta Sá e Jorge Ben Jor na gravação do clipe Ela diz que me ama
[Créditos: Alice Venturi]

Nem, quinta música, pode ser caracterizada por sua leveza que perfeitamente se combina com o timbre de Roberta Sá. Pode-se perceber uma letra repleta de rimas simples, repetições e antíteses, provocando um efeito agradável ao ouvinte em seu canto.

A sexta canção do disco, Fogo de Palha, possui um tom tranquilo.Há a sensação de ela trazer “um cheiro” do nordeste pelos elementos nela presentes, como o ritmo, “xodó” e “sanfona” na letra, e o próprio título.

Autorretratinho, composta por Gil, caracteriza-se por ser mais lenta, e a marcação do ritmo, bem como sua letra, revela certo fardo do eu poético, que se ameniza com a suavidade presente no canto de Roberta. Talvez seja a faixa que menos traga aconchego ao ouvinte, e, dessa maneira, a menos cativante do álbum.

A vida de um casal, oitava música, conta com metáforas (A vida de um casal é uma escada que não se acaba nunca de subir) e passagens metalinguísticas (para conjugar o conjugal, do verbo amar o essencial está na primeira do plural).  Entre jogos linguísticos, busca-se definir subjetivamente a vida a dois.

Gilberto Gil, Roberta Sá e Jorge Ben Jor em gravação para Ela diz que me ama
[Créditos: Alice Venturi]

A nona canção, Xote da Modernidade, conta com a leveza e tranquilidade marcantes de Giro. Com otimismo na letra e arranjos de gaita, traz “nova maneira de encarar a vida”.

A décima canção, Outra Coisa, composta por Gil, Roberta Sá e Yuri Queiroga, utiliza-se de MPC (aparelho que promove um som eletrônico) e ganha destaque na percussão. No canto de Roberta, a música torna-se mais leve.  

Apesar de a música ter sido a segunda composta por Gil para integrar o disco, Afogamento corresponde à última canção do álbum. Com ritmo mais lento, observa-se  na letra metáforas para descrever as sensações de se apaixonar, que se reverberam no ouvinte, também, pela presença do trompete e saxofone presentes no arranjo. Com um verso final em “me entreguei completamente ao mar” , termina-se o álbum com a tranquilidade e suavidade tão características de Giro.

Para amantes da MPB, o álbum Giro é uma excelente escolha. Possui uma pegada leve e gostosa de ouvir. O timbre de Roberta Sá, por si só, já é estonteante. Somado aos arranjos musicais presentes, o resultado fica melhor ainda. Os shows de Giro se iniciam em maio, sendo Salvador a primeira cidade. E aí, que tal girar junto com Roberta Sá?

[Créditos: Nana Moares]

 

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