Home Controle Remoto ‘A Maldição da Mansão Bly’: terror e drama em uma receita perfeita
‘A Maldição da Mansão Bly’: terror e drama em uma receita perfeita
Controle Remoto
25 out 2020 | Por Marina Bittencourt (maribcg@usp.br)

A segunda temporada da série A Maldição (The Haunting, 2018-atualmente) produzida pela Netflix, foi lançada na plataforma no dia 9 de outubro. O show possui um modelo parecido com séries como American Horror Story, em que as temporadas contêm histórias individuais — onde em cada temporada uma nova é começada, desenvolvida, e terminada —, e não sequenciais como o de costume. 

A Maldição da Mansão Bly se passa na Inglaterra quando uma professora, Dani (Victoria Pedretti), se candidata ao emprego de au pair, para cuidar e ensinar as duas crianças da família Hingrave, Flora (Amelie Bea Smith) e Miles (Benjamin Evan Ainsworth). Logo na entrevista de emprego ela é avisada dos boatos acerca das assombrações da mansão por conta das mortes relacionadas.

A série traz de volta cinco dos sete atores principais da temporada anterior. O retorno deles definitivamente relembra que a passagem ocorre no mesmo universo cinematográfico, e traz algum aspecto de continuidade além dos elementos do roteiro que auxiliam no contar da história. 

Desta vez a trama começa em um ritmo mais lento, somente toma impulso na sua metade. Ainda assim, os quatro primeiros episódios são essenciais — apesar de um pouco decepcionantes — para o entendimento final do enredo.

Mais uma vez os criadores utilizam do real para criar o terror imaginário. O uso de elementos tão gritantes e amaldiçoados do dia a dia — a culpa, a dor, o arrependimento, a necessidade de controle, um amor falido — entram na narrativa e fornecem de maneira brilhante a camada extra necessária para que até não amantes de terror se interessem pela série. Recusam a se utilizar das marcas típicas e baratas do gênero. A Maldição da Mansão Bly abraça o que é o terror real, experienciado por muitos, se não todos. 

Na primeira temporada o drama familiar trouxe essa dimensionalidade. Nesta última, o drama é sobre paixão e os grandes riscos que um relacionamento pode infligir na alma e no destino.  

Hannah (T’Nia Miller). [Imagem: Divulgação/IMDb]

Hannah (T’Nia Miller). [Imagem: Divulgação/IMDb]

Apesar de nada superar os 17 minutos gravados em apenas uma tomada no episódio seis da primeira temporada, A Maldição da Mansão Bly traz seus shots instigantes com jogo de luz e ângulos, e é claro, a presença dos fantasmas e elementos ao fundo que somam e aprofundam a narrativa da trama. 

Desta vez foca ainda mais no terror psicológico do que seu antecessor. O medo de ser esquecido e apagado após a morte, a negação da aceitação da mesma, a perda de controle e a frustração de ambições interrompidas. Mais do que tudo, os criadores jogam com a visão de fantasmas como pesos na consciência, manifestação de medos ou permanência eterna do que foram durante a vida, e seguem com o que foi dito na temporada anterior: “Fantasmas são culpa, fantasmas são segredos, fantasmas são arrependimentos. Mas na maior parte das vezes, um fantasma é um desejo”.

Com as atuações brilhantes de Victoria Pedretti, T’Nia Miller, Tahirah Sharif, Rahul Kohli, Oliver Jackson-Cohel, Henry Thomas, Amelia Eve, Carla Gugino, e principalmente Amelia Bae Smith e Benjamin Evan Ainsworth, a temporada tem o poder de encantar até os odiadores de terror.

[Capa: Divulgação/Netflix]

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