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A vida de Marguerite Duras encenada pelo Grupo de Teatro Macunaíma
Em Cena
23 out 2017 | Por Jornalismo Júnior

Marguerite Duras (pseudônimo de Marguerite Donnadieu) foi uma das mais importantes vozes femininas do século XX na Europa e, por isso, a companhia de teatro Macunaíma montou a peça Marguerite, Mon Amour, homenageando a romancista francesa. Em oitenta minutos, o espetáculo intercala citações de seus escritos com a dramatização de partes de sua vida que foram descritos em sua extensa literatura produzida em seus anos de trabalho.

Na montagem, absolutamente tudo colabora para criar o clima retrô e romântico em que a história se passa. Realizada no espaço CPT do Sesc Consolação, o auditório proporciona aos espectadores a sensação de se estar dentro da peça, pelos poucos lugares e a proximidade com o espaço cênico. Além disso, a iluminação simples, de algumas lâmpadas amareladas que variam apenas sua intensidade, e a cenografia composta por um piano, uma escrivaninha com máquina de escrever e uma mesa de jantar foram pontos essenciais para imergir os que estavam assistindo no clima que a peça precisava.

A história perpassa momentos delicados da vida da escritora, começando pela sua história de amor com o Amante Chinês, com quem deu início a uma vida sexual intensa e que acabou abruptamente por conta da necessidade de dinheiro e da miséria em que Marguerite vivia. Sem sustento, a família da escritora se mostra caótica, com uma mãe que vai à loucura depois de criar os filhos sozinha e perder todas as terras que a família tinha.

O Amante Chinês foi uma parte importante da vida da autora, com um relacionamento complicado e que deixou marcas eternas em sua história. Emídio Luisi/Catraca Livre

Por fim, a escritora contracena com seus próprios personagens: Anne-Marie Stretter e o Vice-Cônsul em Lohore, quando estão exilados em Calcutá, promovendo diálogos reflexivos sobre a vida de escritora e realidade da Indochina francesa (onde a história é ambientada).

O piano, parte da composição cenográfica, também é utilizado como trilha sonora para os momentos mais intensos da montagem, o que é muito positivo para o clima da história contada, tornando-o mais intenso e trazendo um toque muito original àpeça, por ter a música ao vivo tocada pelos próprios personagens.

Com sessões lotadas, a peça vem fazendo tanto sucesso que sua temporada foi estendida até o dia 30 de novembro. Além disso, é uma opção acessível por ter ingressos de R$6 a R$20. Marguerite, Mon Amour é encenada toda quinta-feira às 20h.

O Grupo de Teatro Macunaíma existe desde 1978 e vem produzindo peças importantes para a história do teatro brasileiro, com textos de Nelson Rodrigues e Mário de Andrade, por exemplo, se tornando conhecido internacionalmente. Juntamente com o SESC, o Grupo criou o CPT (Centro de Pesquisa Teatral), núcleo de pesquisas que formou – e forma – grandes nomes do teatro brasileiro por meio de suas montagens e cursos abertos à população.

Por Giovana Christ
giovanachrist@usp.br

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