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Adalberto Neto fala sobre carreira e vivências no evento online Bloco Jotano

O convidado respondeu à perguntas dos espectadores em transmissão no YouTube

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28 out 2021 | Por Por Eslen Brito (eslenbrito@usp.br) e Fabio de Almeida Martins (fabio.martins@usp.br) - Sala de Imprensa

O jornalista e roteirista Adalberto Neto participou como convidado do evento Bloco Jotano, que ocorreu no sábado, dia 23, em transmissão no YouTube. A programação foi dividida em blocos de bate-papo e perguntas enviadas pelos espectadores. Nas duas horas de duração, ele tratou com seriedade e bom humor de temas pessoais e sociais e comentou inicialmente sobre a convergência da dramaturgia e da luta antirracista em seu trabalho nas redes sociais. 

Além disso, Adalberto Neto também contou sobre a sua relação com as redes sociais. A ideia de retratar o racismo estrutural por meio de vídeos de humor surgiu após a indignação ao assistir uma cena lamentável de blackface sendo apresentada numa grande emissora de televisão. Neto explicou que a ideia é gerar reflexão por meio de vídeos bem-humorados, retratando o racismo estrutural cotidiano. 

Para o jornalista e roteirista, este tipo de humor engajado e debochado pode incomodar muitas pessoas, que podem se sentir atingidas com o seu conteúdo. Quando perguntado a respeito de ataques sofridos nas redes sociais por conta do seu conteúdo, Neto respondeu que estes ataques não o abalam, pois são consequência do seu trabalho de denúncia do racismo estrutural. Seus vídeos apenas escancaram o que estas pessoas são e como pensam. 

No segundo bloco, o tema debatido foi a causa social. Segundo Neto, o acesso à formação acadêmica, por meio de políticas públicas de inclusão, proporcionou um relativo empoderamento da população preta. “Eu tive um letramento social aprendendo com os pretos. Muitas das políticas públicas foram desenvolvidas depois que os pretos entraram nas universidades”, afirma o roteirista. 

Dentre suas principais referências políticas e ideológicas, destacam-se acadêmicos, intelectuais e artistas negros de enorme reputação, como os professores Suely Carneiro e Sílvio de Almeida, os atores Lázaro Ramos e Fabrício Boliveira, o dramaturgo Rodrigo França, e influenciadores de comunidades carentes do RJ, como René Silva e Joel Luiz.

Segundo ele, é fundamental falar sobre o genocídio da população negra. As empresas são, em sua grande maioria, racistas. Mas apenas quando algum escândalo de discriminação ou desrespeito é espalhado pela imprensa, tais empresas passam a se preocupar e adotar medidas para coibir práticas racistas.

Questionado sobre a importância de apresentar conteúdos do cotidiano com uma abordagem humorística em seus vídeos, Neto explica que seu desejo era levar uma narrativa e uma estética diferentes, com uma nova abordagem de fixar essa mensagem. Trata-se da conciliação de um sonho e uma missão. “É uma maneira de defender a minha existência, meu grupo”, explica Adalberto Neto.

No terceiro bloco, ele contou sobre a sua trajetória como jornalista e roteirista. Desde pequeno, sempre foi extrovertido na escola. Quando jovem, escrevia roteiros, poesias e outros textos. Mais tarde, aos 34 anos, Neto realizou um curso de dramaturgia e atuação, em que obteve excelente desempenho e foi elogiado pelos professores.

“Você tem que estar na TV para ser Deus”, comenta Neto. “Há uma ‘cultura da novela’ no Brasil”. O prestígio e o “status de celebridade” dos artistas advém da exposição em grandes veículos de mídia, sobretudo a televisão. Cita o exemplo do grupo de dramaturgia ‘Porta dos Fundos’, um grande sucesso na Internet, mas que até pouco tempo transitavam nas ruas sem sofrer o mesmo assédio e sem provocar aglomerações, diferente dos atores consagrados da TV.

[Imagem: Reprodução/YouTube]

Jornalista, roteirista e criador de conteúdo digital, Neto lida de forma tranquila com a transição entre estas áreas. Explicou que tudo isso é comunicação: jornalismo, teatro, Internet. Questionado sobre o que o jornalismo poderia realizar para dar mais visibilidade para a questão da discriminação racial, ele afirmou que é preciso “mexer nas estruturas”, incluindo efetivamente pessoas negras e outras minorias. “É preciso mudar a estrutura, colocar a diversidade na direção.” O negro deve estar na direção, dirigindo equipes.

Na pergunta final a respeito da discriminação racial no ambiente corporativo, Neto respondeu sobre eventuais mudanças, ainda que lentas, que podem ter ocorrido. Ele  explicou que a mudança só poderá vir com a adoção de medidas de inclusão efetiva nos ambientes corporativos. Porém, muitas destas empresas  adotam medidas de inclusão apenas quando são publicamente expostas por algum escândalo de discriminação. Trabalhar com diversidade traz lucro, mas as empresas ainda precisam entender isso”, comentou.

Por fim, em seu comentário final, Neto deixou a mensagem: “Não adianta ficar esperando que nos dêem uma oportunidade, precisamos correr atrás. Só existe democracia quando existe democracia racial. Se você quer ser antirracista, siga o perfil de pessoas pretas, pessoas trans, entre outros”, conclui.

O Bloco Jotano foi aberto ao público e para aqueles que não puderam acompanhar a transmissão ao vivo o evento foi gravado e pode ser acessado aqui.

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