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“Destruidores” no Lolla – O primeiro dia do Festival
Escuta Aí
31 mar 2015 | Por Jornalismo Júnior

“Bicha, a senhora é destruidora mesmo”, gritou uma moça que assistia ao último show do palco principal no sábado do Lollapalooza Brasil, 2015: Jack White. White não ouviria e tampouco entenderia a frase, que surgiu num reality show LGBT da TV Diário, mas pode-se dizer que ele “destruiu mesmo”.

Com Icky Thump, hit do duo The White Stripes de que participou até 2011, ele abriu o que seria um show “destruidor”, no melhor sentido da palavra. Iluminação azul – diferente do forte vermelho dos álbuns da antiga banda -, telões em contrastado preto e branco, banda poderosa, rock muito bem feito, repertório variado que nocauteou o público em toda sua 1h40 de duração. Canções de seus álbuns solo – “Lazaretto” (2014) e “Blunderbuss” (2012) – eram intercaladas com outras de sua carreira com The Raconteurs e The White Stripes, sempre com a presença meio mágica, meio misteriosa do estadunidense.

Jack White - Foto: Divulgação

Jack White – Foto: Divulgação

A competente banda trazia violino, contrabaixo acústico e piano em harmonia no palco com a voz e guitarra rasgadas de White e a bateria arrasadora. Havia a avalanche de Would You Fight for My Love? e Lazaretto, premiada no último Grammy como melhor performance de rock, com os arranjos desacelerados de Fell in Love with a Girl e We’re Going to be Friends, ambas do White Stripes. A cantora e violinista Lillie Mae Rische fez bonito e o acompanhou em canções como Temporary Ground e Love Interruption.

Músicas pareciam se fundir umas nas outras, como aconteceu com Cannon, Dead Leaves and the Dirty Ground e Screwdriver, logo antes de Just One Drink. Hotel Yorba e Black Math, outras famosas do White Stripes, e Steady As She Goes, do Raconteurs, também animaram o público.

Seven Nation Army, o maior sucesso do White Stripes e praticamente um clássico, já era entoado pelos milhares de fãs no Autódromo de Interlagos quando a banda deixou o palco por alguns minutos, para o bis. Depois de quatro músicas, foi ela a música que triunfante fechou o show, por volta das 23h, com a multidão fazendo da voz instrumento base para que White cantasse e fogos de artificio explodiram no céu. “Monstro” virou uma boa palavra para definir o que e quem tinha acabado de acontecer, um brilho diferente do que mais se vê no festival.

 

Robert Plant está entre nós

Mais cedo, às 18h20, o mesmo palco Skol recebeu outro “destruidor”: Robert Plant, o eterno cantor do Led Zeppelin, banda inglesa lendária dos anos 1970. Os 66 anos e a aparência física distante daqueles tempos – exceto pela juba loira e impecável – não atrapalham o vigor de Plant, que tem a voz ainda boa e canta no palco brincando, veterano.

Robert Plant - Foto: Divulgação

Robert Plant – Foto: Divulgação

Ele usou o repertório do Led Zeppelin a seu favor, emocionando fãs desde o início com Babe, I’m Gonna Leave You e depois puxando clássicos como Going to California e Black Dog, em que todos cantaram. A exemplo desta última, as músicas tinham algumas versões encurtadas, arranjos adaptados a um estilo mais moderno de Plant, que, além de não ter mais o mesmo alcance vocal de outrora, é como se nos lembrasse de que aquele não é um show do Led Zeppelin.

Outras canções de sua carreira solo e covers de blues também estiveram no setlist do curto show, como Spoonful e Rainbow. A banda que bem o acompanhava era a The Sensational Spaceshifters e engatava em jams e instrumentos musicais diferentes, como o africano ritti. Infelizmente, não se repetiu o incrível momento que aconteceu no Lollapalooza argentino, no dia 21, quando Plant tocou Lemon Song, do Led Zeppelin, com Jack White.

Plant arriscou um pouco no português com “oi, galera”. Solto, batia palmas durante a própria música, dançava e mandava gemidos como nos idos de 1970. Todos sentiam estar diante de um mestre; mesmo uma moça que ouvia aquilo tudo pela primeira vez não hesitava em suspirar e dizer repetidamente “que massa, que massa”. Os fãs e os “tios” mais aficionados soltavam palavrões, tinham olhos brilhantes e o sorriso infantil escancarado, quase agradecendo aos céus por poder ouvir ao vivo, da voz de seu criador, Whole Lotta Love e Rock and Roll, a derradeira.

 

Primeiro dia de festival

O primeiro dia do Lollapalooza recebeu aproximadamente 66 mil pessoas para assistir também a shows de artistas como St. Vincent, Alt+J, Skrillex, Banda do Mar, Kasabian, Marcelo D2 e Bastille, distribuídos em quatro palcos no Autódromo de Interlagos. O show de Marina & The Diamonds foi cancelado de última hora, por problemas no voo que a traria para São Paulo, e fez com que horários no palco Axe fossem rearranjados. A estadunidense St. Vincent foi um dos destaques do palco, quiçá do autódromo todo, com guitarra distorcida e performances que a colocam numa deliciosa posição entre o estranho e o agradável.

St. Vincent - Foto: Barbara Monfrinato

St. Vincent – Foto: Barbara Monfrinato

Entre as novidades desta edição, estava o “mango” – moeda própria que equivale a R$2,50 e otimiza filas para quem os compra antecipadamente pela internet. Os preços, “destruidores”. A água, que em 2014 custava R$3, desta vez custa R$5; a cerveja, R$10; comidas dos food trucks ficavam na média dos R$20; pipoca e pastel de ambulantes eram vendidos por no mínimo R$10.

Boa parte do público comparecia bem vestido e arrumado, apesar das longas caminhadas e do cansaço que o festival implica. Selfies tinham ponto oficialmente planejado: um totem se erguia por quatro metros próximo ao palco Axe e acumulava pequenas filas para dois minutos de contemplação do Autódromo e, claro, eternidade no Instagram.

Por Barbara Monfrinato
bmfmonfrinato@gmail.com

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