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Festival Na Janela, dias 21 e 22/05
Eu Fui
27 maio 2020 | Por Juliana Alves (juliana_mendonca@usp.br)

Entre os dias 21 e 24 de maio, foi organizado pela editora Companhia das Letras o evento Na Janela: Festival de não ficção. A programação consistiu em bate-papos online com autores do gênero. No dia 21, quinta-feira, ocorreu uma pré-estreia especial, com lançamento do vídeo do evento, desenvolvido com o convidado Yuval Noah Harari em novembro do ano passado. O festival foi uma oportunidade de discutir diversos assuntos relevantes com escritores renomados. Confira a cobertura realizada pelo Sala33

 

Dia 21: 21 lições do século 21, entrevista com Yuval N. Harari 

Entrevista com Yuval Harari [Imagem: Reprodução/YouTube - Cia das Letras]

Entrevista com Yuval Harari [Imagem: Reprodução/YouTube – Cia das Letras]

Na pré-estreia do festival, o escritor israelense Yuval N. Harari foi entrevistado pelo jornalista André Petry. O autor dos livros Homo Deus, Sapiens e 21 lições do século 21 é mundialmente reconhecido, com 20 milhões de exemplares desses livros vendidos pelo globo. O enfoque da conversa foi a obra 21 lições do século 21.

O bate-papo tratou de diversos temas, atuais e importantes, como a crise da democracia liberal e o ressurgimento do nacionalismo. O escritor e professor de história aborda os tópicos de forma didática e com pluralidade de perspectivas. Ele defendeu que, apesar das crises, a democracia é o melhor regime, já que é flexível por causa do mecanismo de voto. Harari acrescentou que o nacionalismo é benéfico pois significa amar os compatriotas, e não odiar os estrangeiros, como muitas pessoas entendem. Além disso, afirmou que esse sentimento está enfraquecido em comparação aos períodos conflitantes do século 20.

Posteriormente, o assunto abordado foi o de liberdade no atual século, que envolve várias áreas, como a de manipulação de dados. O historiador comentou sobre como as pessoas vêm sendo controladas ao longo da história devido às fake news, e como os governos populistas podem controlar os cidadãos por meio da inteligência artificial, de maneira que esses passam a acreditar em movimentos negacionistas. Conforme Harari, basta escolhermos de que maneira os dados são manuseados: “Será possível que os governos vigiem os cidadãos, mas também será viável que os cidadãos observem os governos, a favor da população, a fim de evitar casos de corrupção”.

Em alguns momentos, Harari retratou os desafios do século de 21 de forma assustadora. Porém, ele ainda mantém esperanças de que haja mudanças, principalmente por meio da educação. A conversa foi uma forma de esclarecer os desafios com os quais devemos lidar. De modo descontraído, o diálogo foi encerrado com comentários de Yuval Harari sobre seus motivos para não usar smartphone e sobre a produção de um novo livro, desta vez infantil, o qual tem como tema a história da humanidade. 

 

Dia 22: “A República em frangalhos”, entrevista com Lilia M. Schwarcz e Heloisa M. Starling

Conversa com Lilia M. Schwarcz e Heloisa M. Starling, mediada por Patrícia Campos Mello [Imagem: Reprodução/YouTube - Cia das Letras]

Conversa com Lilia M. Schwarcz e Heloisa M. Starling, mediada por Patrícia Campos Mello [Imagem: Reprodução/YouTube – Cia das Letras]

A primeira mesa de encontro virtual foi reservada às coautoras do livro Brasil: uma biografia: Lilia Schwarcz, historiadora e colunista do Nexo Jornal, e Heloisa Starling, historiadora e cientista política. A mediação foi da jornalista Patrícia Campos Mello.

A conversa é desenvolvida a partir de semelhanças e diferenças entre dois momentos pandêmicos do Brasil: a gripe espanhola e a COVID-19. Apesar da primeira ter atingido o país no século passado, muitos acontecimentos foram semelhantes, conforme as historiadoras. O diretor da saúde da época, detalhou Lilia, estabeleceu medidas parecidas com as atuais, como o isolamento social e o fechamento dos lugares públicos, inclusive das igrejas. Além disso, a escritora relatou que a doença escancarou a realidade de desigualdade social do país , assim como se observa hoje, com a COVID-19. Outra semelhança que Lilia alega é a propaganda de remédios milagrosos, como o sal de quinino, composto da cloroquina que foi condenado pelos médicos porque gerava problemas cardíacos. Por outro lado, naquele contexto, o presidente seguia as recomendações do responsável pela saúde. Embora a população tenha sofrido com gripe espanhola, os interesses e as ações convergiram, o que impediu muitas mortes. “A velha nova história”, completou Lilia. 

Em outra parte da conversa, as escritoras comentaram a discussão sobre um possível impeachment do presidente Jair Bolsonaro e as atitudes autoritárias do governo. As historiadoras relacionaram o autoritarismo com a História: Lilia esclareceu que termos como “democratura” são utilizados por vários líderes do mundo, que estão empregando esses conceitos para convencer parte da população. Heloísa complementou que é um mecanismo para fraudar a história e maquiar a ditadura.

Lilia e Heloísa trouxeram, com muita leveza, notáveis reflexões sobre questões extremamente importantes e críticas pontuais. Uma aula.

Para assistir às entrevistas completas do Festival Na Janela, basta acessar o canal da Companhia das Letras, no YouTube.

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