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Homem-Aranha: Longe de Casa dá continuidade ao legado da Marvel de maneira excepcional
CINÉFILOS
04 jul 2019 | Por Maria Luísa Bassan (malugomesdesa@hotmail.com)

(Esse texto contém spoilers de Vingadores: Ultimato)

Quando se pensa nos acontecimentos de Vingadores: Ultimato (Avengers: Endgame, 2019), o filme que daria continuidade ao Universo Cinematográfico Marvel (MCU) teria uma tarefa árdua quanto a respeitar a memória dos heróis que morreram, mas o mesmo tempo garantir que a missão de proteger a Terra estivesse em boas mãos. O amigo da vizinhança, Homem-Aranha, foi o escolhido para suceder o legado dos Vingadores – compromisso cumprido com sucesso em Homem-Aranha: Longe de Casa (Spider-Man: Far From Home, 2019).

Peter Parker (Tom Holland) não vê a hora de fazer a viagem de férias com seus colegas de classe. Enfrentar Thanos o fez presenciar a morte do Homem de Ferro e por conta do estalo do vilão, alguns de seus amigos sumiram e voltaram cinco anos depois, o que fez o ano letivo e a vida escolar de Peter ficar uma bagunça. O garoto vê na viagem para Europa o momento perfeito para agir como o garoto de dezesseis anos que ele é. Seus planos incluem descansar e se abrir para MJ (Zendaya) quanto aos seus sentimentos por ela.

Em Veneza, primeira parada da viagem, uma criatura monstruosa formada por água coloca o garoto em perigo juntamente com seus amigos. Peter se vê em um impasse – ser o Homem-Aranha faria com que descobrissem sua identidade.Porém, um herói misterioso consegue controlar o monstro. Não demora muito para Peter conhecê-lo: com uma visita surpresa de Nick Fury (Samuel L. Lackson), o garoto é apresentado a Quentin Beck (Jake Gyllenhaal). O cientista vindo do multiverso quer a ajuda do Homem-Aranha para enfrentar o último dos Elementais, feito de fogo. Peter deseja ajudá-lo, mas não quer deixar de aproveitar a viagem nem dar motivos para seus amigos desconfiarem de sua identidade como herói.

Além desse dilema, Parker tem que lidar com a falta de Tony Stark. Ele sente que, por conta da proximidade que tinha com o empresário, as pessoas cobram a continuação de seu legado. O garoto, porém, não se acha capaz de honrar o papel de Stark, mas sabe que a população precisa de um herói que a faça se sentir segura. Tudo isso é intensificado depois que ele é presenteado com EDITH, um sistema de inteligência artificial milionário desenvolvido pelo Homem de Ferro Como fazer bom uso dele se Peter é apenas um adolescente que está se descobrindo no mundo?

Peter precisa lidar com o peso de seus poderes e a falta de seu mentor Tony Stark [Imagem: Copyright Sony Pictures]

Tom Holland dá continuidade ao seu papel de Peter Parker/Homem-Aranha comprovando que o personagem merece o destaque nesse novo ciclo de heróis. Seus diversos lados são muito bem desenvolvidos: a sensibilidade de Peter e o apego ao Tony Stark dão o tom dramático sincero e necessário ao longa, enquanto o Homem-Aranha está ainda mais preciso em seus movimentos e inovando quanto às habilidades nas cenas de luta, entregando ação bem-feita e nada cansativa. Já seus conflitos relacionados à adolescência, além de fazerem jus à idade do personagem, constroem o lado menos sério do filme, o que funciona muito bem. O resultado final é um herói que, mesmo já tendo aparecido nas telonas por meio de outros atores, consolida e faz valer a admiração e apego que os fãs carregam por ele.

O papel de Jake Gyllenhaal, Quentin Beck/Mysterio, é uma feliz surpresa. Inicialmente, a presença dele na história parece sem explicações, entretanto, sua complexidade é o elemento-chave para a construção do roteiro do longa. Ele consegue sintetizar muitos dos conflitos enfrentados por Peter, de modo a entregar o personagem perfeito para o contexto do filme, marcado pela perda de grandes heróis e a consolidação de novos na missão de proteger o planeta.

O roteiro, assim como grande parte dos filmes do MCU, conquista pelo ritmo e pelas discussões sobre aspectos da nossa sociedade além do maniqueísmo previsível de histórias de herói. As pitadas de humor dão o toque típico da Marvel, com destaque para as conversas entre Happy (Jon Favreau), motorista do Tony Stark, e Tia May (Marisa Tomei) e o “amor de verão” de Ned (Jacob Batalon), amigo de Peter. É possível rir e chorar de maneira sincera ao longo dos 129 minutos de duração do filme. 

Além disso, as referências a elementos da cultura pop dão continuidade ao toque atual e mais adolescente já apresentado em Homem-Aranha: De Volta ao Lar (Spider-Man: Homecoming, 2017). As cenas de ação aproveitam o melhor dos personagens na medida certa, enquanto os momentos mais emocionantes são aqueles referentes à figura de Tony Stark. Aliás, a memória do Homem de Ferro é um dos pontos altos do filme, funcionando como síntese dos feitos dos Vingadores, mas abrindo espaço para novos heróis. Esse elemento do roteiro também funciona como um convite para o próprio público aceitar a transição para o novo ciclo do MCU, sem esquecer daqueles que fizeram os heróis terem o prestígio que possuem hoje.

Homem-Aranha: Longe de Casa mantém o nível excelente da Marvel ao consolidar o Homem-Aranha como herói não só querido, mas competente. Peter enfrenta novamente o dilema “com grandes poderes, há grandes responsabilidades”, mas respeitando sua jornada até aquele momento. As cenas pós-créditos, como na maioria das vezes, deixam o gostinho de “quero mais” no público. Se utilizarmos o filme para prever o sucesso da Marvel nos próximos anos, é certo dizer que a Terra está em ótimas mãos.

O longa estreia no Brasil em 4 de julho. Confira o trailer aqui:

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