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Jogos Vorazes: Entre a realidade e a ficção
Na Estante
10 abr 2015 | Por Jornalismo Júnior

Neste ano chegará ao fim a saga Jogos Vorazes no cinema, com o filme “Jogos Vorazes – A Esperança pt. 2” em novembro. O filme é baseado no terceiro e último livro da trilogia, escrita por Suzanne Collins. No entanto, apesar de aclamados pelas críticas, os filmes, assim como a marioria das  adaptações, são alvos de criticas. A leitura da saga de Katniss se mostra ainda mais impactante que os longas estrelados por Jennifer Lawrence.

O primeiro livro Jogos Vorazes foi lançado nos EUA em 2008 e no ano seguinte no Brasil. Em 2011 já se iniciaram as gravações do primeiro filme, devido ao sucesso da publicação. Vendido em 38 países e traduzido em 26 línguas, em  2008 o romance ficou na lista de mais vendidos do The New York Times por mais de cem semanas consecutivas e também entrou na lista do USA Today, em 2013, por 135 semanas. Durante o lançamento do primeiro filme, a trilogia vendeu 80 milhões de exemplares mundialmente e foi a série de livros mais vendida nos EUA.

A história gira em torno de Katniss Everdeen, órfã de pai e chefe de família com 16 anos, já que sua mãe mostra incapacidade de cuidar das filhas, seja por sua falta de proatividade, ou com seus problemas psicológicos, e sua irmã Prim tem apenas 12 anos. Assim, a protagonista tenta substituir a falta do pai ao máximo, assumindo suas tarefas, como por exemplo caçar ilegalmente para o sustento da família, e negociar no mercado negro. Tudo isso em companhia de seu melhor amigo Gale, que também é o responsável por sua família. Os dois ainda tem em comum o ódio pela Capital, que comanda os demais distritos que compõem Panem, a nação onde vivem.

Eles moram  no distrito 12, em um casebre, como a esmagadora maioria dos residentes. Neste lugar hostil, homens se matam de trabalhar nas minas de carvão, sempre observados pelo estado, que os proíbe qualquer outra forma de sustento.

Eram ao todo 13 distritos, que compunham Panem cada um com sua função para a capital. O distrito 11, por exemplo, é responsável pela Agricultura de Panem e o distrito 4 é voltado para a Pesca. Porém o distrito 13, da Energia Nuclear, se rebelou contra o governo autoritário nos chamados Dias Escuros, 74 anos atrás do cenário atual do livro. O distrito perdeu a guerra conta a capital e foi bombardeado e demolido.

Em função dessa rebelião, a Capital criou os Jogos Vorazes. Eles acontecem anualmente e participam um menino e uma menina de cada distrito, dos 12 aos 18 anos. Esses chamados “tributos” podem ser voluntários ou sorteados. Após a seleção, eles tem um pequeno preparo antes de os Jogos começarem.

O evento é transmitido nacionalmente pelo governo, como forma de entreter a população e mostrar aos distritos o poder e soberania da capital. Nele, os jovens são colocados em uma arena, no qual o único vitorioso é quem sobrevive. Para vencer precisa-se de sorte, destreza e frieza, já que o tributo deve aniquilar os demais.

Imagem: Divulgação.

O livro é narrado em primeira pessoa, pela própria Katniss, o que contribui para uma recepção mais introspectiva da obra. O leitor se sente na pele da heroína e sofre um grande impacto emocional, característica que o filme não atingiu, não só por não captar toda a essência literária original, mas por ser mais voltado à ação.

Neste mais puro pão e circo, há uma interessante análise antropológica, voltada à crítica das elites e a corrupção pelo poder. Além disso, a narrativa mostra sempre os personagens principais agindo conforme seus próprios interesses, a não ser pela massa pró-revolução, que, assim como Katniss, servem como instrumento da Revolta.

Além da disputa pelo poder em diversas esferas, estão presentes questões contemporâneas e reais como segregação, trabalho escravo, estado abusivo e extrema pobreza. Apesar de Panem ser uma visão futurística dos EUA, ela carrega hiperbólicamente os traços de um forte estado capitalista. O que inspirou a autora para escrever a trilogia foi a transmissão ao vivo da Guerra no Iraque na televisão americana, bem como os tradicionais reality shows, dos gladiadores romanos e do mito grego de Teseu.

A trilogia se saiu tão bem que Suzanne Collins figurou entre as 100 personalidades mais influentes do ano da Time em 2010 e em 2013 entre os 16 escritores mais bem pagos do mundo na lista Forbes. Ela também recebeu a medalha ‘California Young Reader‘ e o prêmio ALA de ‘Livro Infantil Notável’ pela obra. Fora isso, muitos livros que foram inspirados em Jogos Vorazes ganharam espaço como o caso das trilogias “A Seleção” e “Maze Runner”.

A escritora Suzanne Collins figurou entre as 100 personalidades mais influentes do ano. Foto: Divulgação.

No entanto, seus livros foram comparados com a obra japonesa “Battle Royale” (Batoru Rowaiaru), de Koushun Takami, lançado em 1999. Nele, também estão presentes jogos mortais entre adolescentes, que são sorteados, organizados pelo governo, assim como em Jogos Vorazes.

 Tal semelhança gerou críticas a Suzanne Collins, suposta de ter copiado Koushun Takami ao escrever a trilogia. “Sobre o caso, Collins comentou, “Eu nunca tinha ouvido falar do livro até o meu estar finalizado. Então, ele foi mencionado para mim, e perguntei ao meu editor se deveria lê-lo. Ele disse, ‘Não, eu não quero esse mundo na sua cabeça. Apenas continue o que está fazendo’”. “

A jornalista Susan Dominus do The New York Times, por sua vez, comentou que “há possíveis fontes o suficiente para que os dois autores possam ter chegado à mesma premissa de forma independente”. No fim, a paridade entre os dois levou a um aumento nas vendas de Battle Royale.

Por Júlia Moura juliacrmoura@gmail.com

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