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My Mad Fat Diary: a adolescência fora dos padrões
Controle Remoto
13 maio 2016 | Por Jornalismo Júnior

Chega a ser impressionante a mesmice que parece ter tomado conta da área de entretenimento: penamos para encontrar séries que tratem de algo além das vidas de um determinado grupo que geralmente é demasiado rico, branco e heterossexual, e cujos grandes enredos são recheados de drama, incontáveis romances… Enfim, toda aquela fórmula batida, exagerada e distante da maneira com que a maioria de nós lida com a própria vida.

My Mad Fat Diary, produzida pelo canal britânico E4, é, assim como muitas das séries que se encaixam na descrição do parágrafo acima, centrada na vida de um grupo de amigos. No entanto, as semelhanças acabam aí. A história se passa nos anos 90 e sua protagonista, Rae Earl, é uma garota que acabou de receber alta dum hospital psiquiátrico, no qual foi admitida devido a um episódio depressivo que resultou numa tentativa de suicídio. Ao longo das três temporadas – a última delas transmitida em 2015 – acompanhamos sua reintegração à vida social jovem de Lincolnshire, cidade no norte da Inglaterra, e todos os empecilhos enfrentados por não só batalhar com uma doença psicológica como por ser gorda e, é claro, adolescente.

Rae mantém um diário (como referenciado no título) por recomendação do seu psiquiatra, e nele ela registra tudo que passa pela sua cabeça: problemas, fantasias, conquistas… Ela tem um relacionamento levemente conturbado com sua melhor amiga de infância, Chloe, que é o epítome da garota linda e popular e em quem Rae projeta muitas das suas inseguranças, principalmente em relação à imagem corporal e a relacionamentos amorosos.

Chloe é responsável por introduzir Rae ao seu grupo de amigos – Archie, Finn, Lizzie e Chop – e muita da tensão na série vem das ansiedades dela acerca de como (e se) o grupo a aceita, sentimento que piora devido ao fato dela manter sua depressão e TOC (e os 4 meses passados na clínica em tratamento) em segredo, e ter um medo terrível de te-lo exposto.

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Personagens da série My Mad Fat Diary. Imagem: reprodução

Além da temática, o grande diferencial da série está na forma que os conflitos são resolvidos. Ao invés de incentivar uma competitividade desenfreada e brigas eternas, o que movimenta o enredo é basicamente a vontade de Rae de manter seus relacionamentos – com seus amigos, sua família, seu terapeuta e com ela mesma – vivos e saudáveis, por mais que isso se prove difícil em diversos momentos. E a série consegue retratar tudo isso com medidas iguais de drama, humor e uma trilha sonora deliciosa repleta do britpop da época e outros clássicos do rock inglês, todos queridinhos da protagonista – Oasis, Blur, The Smiths, Stone Roses, Pulp…

A série infelizmente nunca foi transmitida por nenhum canal brasileiro, a exemplo de outras adoradas (e famosas) do E4, como Skins e Misfits. Os episódios podem ser facilmente encontrados pela internet, e ainda podemos nutrir esperança de algum dia ela ter o mesmo destino das últimas citadas e acabar no crescente catálogo do Netflix brasileiro. Mas olha: eu garanto que a cena seguinte, que circulou bastante pelas redes sociais e retrata uma das sessões de Rae com seu psiquiatra, te convencerá que a busca vale a pena:

Por Bárbara Reis
barbara.rrreis@gmail.com

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COMENTÁRIOS
Nathalia Silva
Na minha opinião, uma das melhores series que assisti, a historia, a trilha sonora e personagem Rae... Foram maravilhosas. Pena te sido tão curta. Mas vale muita esta assistindo e assisti novamente.
22 maio 2016
 
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