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Um pote vazio, mas repleto de lições
Na Estante
13 mar 2020 | Por Laura Toyama (laura.toyama@usp.br)

O livro infantil da editora Martins Fontes foi publicado pela primeira vez em 2000. Repleto de ilustrações coloridas, ele traz consigo uma lição de vida para crianças e adultos, que se veem envoltos nessa história do folclore chinês.

De capa verde, O Pote Vazio nos desperta curiosidade pelo título pouco revelador. O que é esse pote? Do que ele deveria estar cheio? Ao abrirmos a primeira página, entendemos que trata-se de um pequeno chinês chamado Ping e seu grande amor pelas flores. As ilustrações são o aspecto mais marcante do livro. Feitas dentro de grandes círculos centralizados nas páginas, são desenhos de traço fino que imitam pinturas tradicionais chinesas. Além do traço, os tons pastéis revelam a delicadeza e simplicidade das paisagens e elementos da história nessa curta narrativa.

O texto sucinto, e bem acessível para crianças que estão em fase de aprendizado na leitura, está posicionado em frases curtas no pé das páginas e oferece maior espaço às ilustrações, o ponto forte do livro. As poucas páginas e pouco texto completam a aura de simplicidade, que casa com as lições que o livro tem a ensinar.

Os textos curtos e simples facilitam a leitura e complementam as ilustrações das páginas [Imagem: Reprodução de ilustração]

Os textos curtos e simples facilitam a leitura e complementam as ilustrações das páginas [Imagem: Reprodução de ilustração]

A história sobre honestidade e esforço é contada de forma sutil. Somos apresentados à simples vida de Ping, uma das muitas crianças que viviam na China na época do império. O Imperador, por sua vez, já idoso, pretende escolher um sucessor e, ao convocar todas as crianças do reino para começar sua escolha, cruza seu caminho com o do menino. 

As flores estão por toda parte, nos desenhos, na história, nas lições que o livro traz. Tudo o que sabemos sobre o protagonista é seu amor pelas plantas e sua grande capacidade de cultivá-las. Quando percebe que a semente entregue pelo imperador não floresce, o menino se entristece e acompanhamos um dilema que enfrenta sobre honra, vergonha e verdade.

Ilustrações coloridas que procuram reproduzir as pinturas tradicionais chinesas e ilustrar com muitas cores a história de Ping [Imagem: Reprodução de ilustração]

Ilustrações coloridas que procuram reproduzir as pinturas tradicionais chinesas e ilustrar com muitas cores a história de Ping [Imagem: Reprodução de ilustração]

Apenas outros dois personagens figuram essa história: um amigo e o pai de Ping, ambos personagens opostos pelos valores e pela grande diferença de idade, que entendemos como o motivo pelo qual pensam de forma tão distinta sobre como proceder frente a uma frustração. A aparição de uma figura familiar é importante para que a lição passada de geração em geração seja atribuída à uma figura mais velha e mais experiente. 

No entanto, esse aprendizado não vem só do núcleo familiar, que está longe de ser o foco dessa narrativa. O próprio Imperador, personagem já velho e uma figura de autoridade e sabedoria, é a principal fonte de conhecimento para as crianças de todo o reino sob o qual exerce seu poder. Ao elaborar um processo de escolha de seu sucessor que surpreende a todos, ensina ao leitor a importância da ponderância e da sabedoria para tomar decisões. 

No final, surpreendente e alegre, nos deleitamos com o desfecho de uma história que parecia sem solução. Aprendemos que a recompensa pelo esforço não é o único meio para conquistar as coisas e que a honestidade impera como um valor ainda mais importante para que se vá longe. 

Este simples livro, repleto de desenhos florais, roupas coloridas e ensinamentos, é ideal para as primeiras leituras de uma criança pelos valores e pelo estímulo à criatividade em suas ilustrações. 

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