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O rock’n’roll no final do arco-íris
CINÉFILOS
10 maio 2019 | Por Cinéfilos

[Guilherme Roque/Comunicação Visual – Jornalismo Júnior]

Por Fernanda Pinotti
fsilvapinotti@usp.br

O filme O Mágico de Oz (1939) e o disco The Dark Side of the Moon (1973), do Pink Floyd, a princípio parecem não ter nenhuma relação. Durante os anos 90, porém, começou um boato de que o álbum teria sido inspirado no filme, pois, quando reproduzidos juntos, os dois parecem se encaixar perfeitamente. O fenômeno ficou tão conhecido que ganhou nome próprio, “The Dark Side of the Rainbow”.

O longa conta a história de Dorothy (Judy Garland), uma garotinha do interior do Kansas que é levada por um tornado para a mágica Terra de Oz. Para sair de lá, ela embarca em uma jornada pela estrada de tijolos amarelos e conhece no caminho o Espantalho (Ray Bolger), o Homem de Lata (Jack Haley) e o Leão (Bert Lahr), que passam a acompanhá-la no trajeto até a Cidade das Esmeraldas onde vive o Mágico. Foi neste musical que a canção Over the rainbow estreou e ganhou o Oscar de Melhor Música Original. A trilha sonora alternativa não fica atrás: “The Dark Side of the Moon” é um dos álbuns de rock’n’roll mais famosos e vendidos da história, e parece ter sido feito sob medida para o filme. Mesmo que as letras da banda falem sobre temas distantes daqueles abordados no filme, como a cobiça do ser humano e a saúde mental, a melodia e até mesmo algumas frases realmente se encaixam às cenas.

Para testar a experiência em casa, basta colocar o disco para tocar logo após o terceiro rugido do leão da MGM (Metro-Goldwyn-Mayer), ou procurar no YouTube um dos vídeos que unem a imagem e o áudio.

[Imagem: Reprodução]

Em vários momentos as sincronias ocorrem, e as transições de uma música para outra parecem marcar perfeitamente as trocas de cenário e o clima das cenas. Um dos melhores momentos é quando o tornado chega à casa de Dorothy e a música agitada e com gritos que soa durante a confusão muda para um tom mais calmo no exato momento em que a garota desmaia. Quando o filme muda de preto e branco para colorido, marcando a transição do Kansas para a Terra de Oz, o animado início de “Money” (primeira faixa do lado B) começa a tocar, e os munchkins que a garota encontra ao aterrissar parecem estar dançando no ritmo da música.

Alguns pontos do filme parecem se encaixar com as letras do álbum também. Enquanto a Bruxa Boa do Norte explica que existem duas bruxas do mal, a do Oeste e a do Leste a música “Us and Them” canta “who knows which is which and who is who?” e quando o espantalho começa seu número musical sobre não possuir um cérebro, “Brain Damage” começa com o verso “the lunatic is on the grass”. É impressionante a sincronia no momento em que o Homem de Lata conta que não possui coração e Dorothy se inclina com o ouvido em seu peito enquanto de fundo soam os batimentos cardíacos do final de “Eclipse”.

O albúm tem por volta de 50 minutos e acaba um pouco antes de Dorothy encontrar o Leão. Mesmo que alguns falem para reiniciar o disco, as sincronias param de aparecer tão evidentemente. Os membros do Pink Floyd já foram muito questionados sobre o assunto e sempre afirmam que o fenômeno não passa de uma grande coincidência, contradizendo os mais conspiracionistas que afirmam que a banda se inspirou no filme para gravar.

Sendo proposital ou não, “The Dark Side of the Moon” sem dúvida daria uma boa trilha sonora para a jornada de Dorothy. E assistir ao filme desta maneira mostra como nossas emoções são influenciadas pela música de fundo, que geralmente acaba ditando as expectativas que temos sobre a cena. Talvez o filme e o álbum combinem tão bem por conta disso, as músicas mais agitadas se encaixam com os momentos de maior movimento e as músicas mais tranquilas com os momentos calmos.

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O Cinéfilos é o núcleo da Jornalismo Júnior voltado à sétima arte. Desde 2008, produzimos críticas, coberturas e reportagens que vão do cinema mainstream ao circuito alternativo.
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