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O velho Skank, ainda e sempre
Escuta Aí
03 out 2019 | Por Gabriella Sales (gabriellasm@usp.br)

No último sábado, 23, o jogo de luzes do Espaço das Américas foi embalado pelos acordes do Skank e pelo coro das quase oito mil pessoas que acompanharam Samuel Rosa nos vocais. Com uma produção excelente e repertório cativante, o show da turnê Os Três Primeiros junta o velho ao contemporâneo e surpreende ao mostrar a capacidade da banda de continuar fazendo sucesso, mesmo depois de tanto tempo.

O Skank surgiu em 1991, em Belo Horizonte, pela junção de Samuel Rosa, Henrique Portugal, Lelo Zaneti e Haroldo Ferretti. A sua proposta inicial era trazer o estilo do dancehall jamaicano para o universo do pop brasileiro. Entretanto, na prática, é difícil classificar o gênero tocado pela banda. Com elementos do reggae, pop e rock, a única certeza é que as músicas dos mineiros trouxeram inovações ao cenário brasileiro e carregam uma marca típica do conjunto

As músicas do Skank são daquelas que permanecem nos repertórios das rádios e ficam no imaginário popular de um jeito que é difícil não reconhecê-las nos primeiros acordes e cantar junto o refrão. Esse é um dos motivos pelos quais, mesmo após quase 30 anos de carreira, a banda ainda lota casas de show ao redor do país. 

Banda no início da carreira. [Imagem: Reprodução]

A turnê Os Três Primeiros não foi desencadeada por nenhum álbum: os últimos lançamentos da banda foram Velocia (2014) e o single Algo Parecido (2018). Sua proposta é reviver os primeiros álbuns da banda, trazendo de volta as marcas iniciais da carreira e celebrando com o público os maiores sucessos. 

O carisma do vocalista não falhou ao começar o show com Réu e Rei, acompanhada com animação pelos presentes. A partir daí, a banda seguiu explorando os sucessos do seu primeiro álbum, Skank (1993) até um momento de pausa, preenchido por um discurso de apresentação e agradecimento, com tons de crítica política, que precedeu a música In(Dig)Nação. O tom político permeou as últimas apresentações do álbum de lançamento da banda – gravado à época de forma independente – e alcançou as primeiras de Calango (1994). Já a segunda produção do Skank se deu por meio do contrato com a Sony Music e inclui sucessos como Jackie Tequila e Te Ver, que elevaram o show a outro nível de animação, adequado para introduzir o último dos três primeiros álbuns da banda: O Samba Poconé (1996). As apresentações continuaram cativando o público com hits desse álbum, incluindo É Uma Partida de Futebol, Tão Seu e Garota Nacional.

[Imagem: Gabriella Sales/Jornalismo Júnior]

Contudo, o show não se encerrou com a retrospectiva do início da carreira do Skank, e esse foi o seu ponto alto. Embora repletas de grandes sucessos, as músicas dos “três primeiros” têm ritmos semelhantes, que podem se tornar cansativos para quem não tem uma ligação muito forte com elas e desconhece as letras. Por isso, uma viagem pela extensa carreira da banda, ao som de algumas das suas mais famosas produções, foi essencial para atender às demandas do público e demarcar o porquê dos ingressos terem sido adquiridos. Ao mesmo tempo em que demonstrou saber exatamente como animar a plateia com as melodias fortes e agitadas de Vou Deixar e Vamos Fugir, a banda deixou claro não precisar de apoio rítmico ao convocar tantas vozes para cantar com as calmas Ainda Gosto Dela e Resposta. A simplicidade de arranjos foi levada ao extremo com os acústicos de Acima do Sol e Algo Parecido, que evidenciou a capacidade da banda de cativar com novas produções.

[Imagem: Gabriella Sales/Jornalismo Júnior]

O show da turnê Os Três Primeiros demonstra a relevância da carreira do Skank e evidencia o quanto sua obra está presente na música popular brasileira. São músicas que, sem perceber, conhecemos, ou que já ouvimos tantas vezes que sabemos a letra inteira sem esforço. É uma carreira de sucesso construída em parceria com o público, que foi uma das estrelas da noite.

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