Home Controle Remoto Once Upon a Time e a modernidade dos contos de fadas
Once Upon a Time e a modernidade dos contos de fadas
Controle Remoto
16 jan 2015 | Por Jornalismo Júnior

Os contos de fadas são extremamente presentes na vida de uma criança. Porém, ao crescer, as histórias de princesas e seres fantásticos são comumente deixadas de lado e busca-se algo novo. Mas e se misturassem o melhor dos dois mundos, a nostalgia dos contos com o drama e complexidade de uma série televisiva voltada para o público jovem-adulto? Once Upon a Time traz justamente isso.

A história
A série se passa, em sua maior parte, na cidade fictícia de Storybrooke, no Maine. Os personagens são todos vindos dos contos de fadas. Porém, por conta de uma maldição lançada pela Rainha Má, todos perderam suas memórias de quando viviam na Floresta Encantada e ganharam novas que os faziam acreditar que sempre levaram vidas normais. Ao longo das temporadas, a maldição é quebrada, mas os conflitos e os problemas não param de surgir.
Cada episódio conta a história por trás de um personagem sem tirar o foco da trama principal. Alguns detalhes de sua vida no mundo encantado são revelados de forma que acrescenta uma peça no quebra-cabeça da trama, fazendo com que questões deixadas em aberto sejam esclarecidas. Além disso, as histórias de personagens de diversos contos de fada são conectadas de forma inteligente e sagaz.

A série
Criada por Edward Kitsis e Adam Horowitz, dois dos escritores da série Lost, Once Upon a Time foi escrita em 2004, antes de ambos entrarem para a equipe de roteiristas de Lost. Eles quiseram esperar essa acabar para, depois, concentrarem-se no projeto de OUAT.
A intenção dos criadores não é recontar as histórias originais que todos já conhecem. Eles estão “interessados nas partes que têm buracos e precisam de preenchimento ou nas partes que você nunca pensou sobre”, contou Edward Kitsis em entrevista ao site Digital Spy. Para isso, contam com a produção da Disney, que deu-lhes total apoio para qualquer modificação que quisessem fazer. “Posso estar errado, mas eu acho que é a primeira vez que alguém mostra a Branca de Neve com uma espada, ou grávida”, declarou Kitsis durante a prévia de outono da ABC.


IMAGEM 2

As personagens femininas na série
Segundo os criadores, a primeira coisa que quiseram fazer foi ir do ícone à pessoa real. Desmistificar as personagens, tirar a perfeição e intocabilidade existentes nelas para torná-las reais. “As personagens femininas são mulheres fortes e são inspiradoras, que é o motivo pelo qual você vê a Branca de Neve com uma espada quando a Rainha Má chega, ao invés de se esconder atrás de seu marido”.
Esse estereótipo da princesa que busca única e exclusivamente, em sua vida, o seu príncipe, é quebrado na série. Emma Swan, filha da Branca de Neve com o Príncipe Encantado, e considerada “A Salvadora“, constantemente coloca em cheque a necessidade de sequer haver um homem em sua vida. Ela mesma resolve a maioria das situações e dos conflitos. E, normalmente, recusa qualquer tipo de envolvimento amoroso, sendo extremamente cética quanto ao assunto.
A aprovação da série, portanto, pelo Teste de Bechdel, é evidente. O teste, que é utilizado para verificar a representação feminina nas ficções e, consequentemente, a existência ou não de preconceito de gênero, reprova diversas obras contemporâneas. Entretanto, existem aquelas que passam e servem de exemplo para as outras. O teste consiste em checar se a obra satisfaz três requisitos:
– Ter pelo menos duas mulheres;
– Elas conversam uma com a outra;
– Sobre alguma coisa que não seja um homem.

 

IMAGEM 3

 

 

Spin-offs
Devido ao sucesso da série, foi feito um spin-off dela, chamado Once Upon a Time in Wonderland, que trata da história de Alice no País das Maravilhas. Porém, teve baixa audiência e foi cancelada após 1 temporada de 13 episódios.
Além da série inspirada, foi lançado um livro baseado na primeira temporada de OUAT, “A Once Upon a Time Tale – O Despertar“, escrito por Odette Beane. O livro é narrado por Branca de Neve e Emma Swan. A primeira narra os acontecimentos da Floresta Encantada e a segunda do mundo real.

Por Lana Ohtani
lanaohtani@gmail.com

Sala 33
O Sala33 é o site de cultura da Jornalismo Júnior, que trata de diversos aspectos da percepção cultural e engloba música, séries, arte, mídia e tecnologia. Incentivamos abordagens plurais e diferentes maneiras de sentir e compartilhar cultura.
VOLTAR PARA HOME
DEIXE SEU COMENTÁRIO
Nome*
E-mail*
Facebook
Comentário*