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“Smithereens”: A ficção como retrato da realidade
Controle Remoto
18 jun 2019 | Por Gabriel Guerra (gabriel_guerra@usp.br)

O segundo episódio de Black Mirror, Smithereens, foi ao ar no dia 05 de Junho. Com a direção de James Hawes e escrito por Charlie Brooker, o capítulo se desenrola em torno do motorista de aplicativo, Christopher Gillheany (Andrew Scott). Na trama, o personagem tem como objetivo principal entrar em contato com o diretor executivo da empresa Smithereens – uma rede social equivalente ao Twitter.   

Já no início, o episódio prende a atenção do telespectador ao criar um clima de curiosidade para saber o objetivo do motorista ao falar com Billy Bauer (Topher Grace), CEO da Smithereens. Para alcançar seu propósito, Christopher quer sequestrar um dos membros da empresa  para poder falar com Billy. No entanto, Christopher se confunde e sequestra um estagiário pela semelhança na vestimenta. Por mais que a narrativa se permaneça estável, o episódio não decepciona em relação às críticas, característica essencial de Black Mirror.

Como uma das críticas mais presentes na série, Smithereens também aborda a relação das pessoas com as redes sociais, que se é exemplificada nos  dois passageiros que Christopher pega ao longo do episódio, ambos estão fixados em seus celulares e não mantêm um contato verbal ou visual com o motorista. Christopher, ao descobrir que o rapaz sequestrado era um estagiário e não um diretor, surta e expõe essa crítica: “Todos estão viciados […] as pessoas não olham mais para cima. O céu podia ficar roxo e só iam notar depois de um mês.”

A fala enfurecida do motorista transmite uma questão em voga das sociedades modernas: o avanço tecnológico e a imersão às redes sociais em detrimento das relações presenciais. Embora a série tenha como centralidade crítica aos efeitos da tecnologia na sociedade, o episódio não é mais do mesmo. Smithereens é eficaz em manter a atenção do público com o desenrolar da trama, mesmo sob uma narrativa com poucas variações de roteiro.

[Imagem: Netflix]

Outra crítica sutil em Smithereens  é o controle que empresas cibernéticas detêm de informações e dados pessoais. No momento mais ativo do episódio, no qual a polícia tenta descobrir os motivos para o motorista sequestrar um estagiário da empresa, Penelope Wu (Ruibo Qian), diretora de operações da Smithereens, demonstra o excesso de dados que a empresa tem acesso. Ao falar com a policial responsável pelo caso, a diretora logo oferece informações importantes para a investigação, sendo que os policiais ainda estavam no início deste processo.

Smithereens desponta como o destaque desta quinta temporada. Por mais que o episódio não criasse expectativa no público e não explore uma narrativa mais movimentada, ele consegue manter a concentração dos telespectadores pela excelente construção de roteiro e por conseguir transmitir reflexões ao público, o que já se tornou marca de Black Mirror.

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