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Teatro de rua e a intervenção na vida urbana
Em Cena
14 set 2014 | Por Jornalismo Júnior

O teatro de rua surgiu no Brasil primeiramente como parte dos projetos do Centro Popular de Cultura (CPC), criado em 1961 com o objetivo de construir uma cultura nacional popular e democrática reunindo diversos artistas brasileiros. Com o golpe militar em 64, o centro foi fechado e muitos de seus participantes, presos e exilados. Por volta dos anos 80, com o final do período ditatorial, o teatro de rua voltou ao cenário do país como movimento social e forma de protesto. Desde então, o espaço urbano passou a ser utilizado como palco para dar visibilidade ao protesto em forma de arte.

A proposta do teatro de rua é, além de democratizar o acesso a esse tipo de expressão, permitindo a qualquer um contemplá-lo, interromper a rotina do cidadão urbano, chamando atenção aos problemas abordados nas dramaturgias. A intenção é fazer com que as pessoas sejam impelidas a refletir sobre questões que não fazem parte do seu cotidiano, ou que não estão a sua vista em um primeiro momento.

Sem o caráter comercial do teatro, há a liberdade de criação de encenações que não precisam entreter ou vender, abrindo espaço também para a experimentação, o que permite o surgimento de inovações no campo.

Hoje existem vários grupos de teatro de rua pelo Brasil, e, em 2002, foi criada Rede Brasileira de Teatro de Rua (RBTR), que visa o intercâmbio de experiências entre os diversos grupos pelo país. Por essa rede são organizados encontros e discussões sobre o futuro do teatro de rua, visando o seu desenvolvimento, além de reivindicações pelo direito de uso do espaço público e financiamento público para essa forma de arte. Em São Paulo há organização similar, o Movimento Teatro de Rua da Cidade de São Paulo (MTR/SP).

Entre os diversos grupos no Brasil, um dos mais influentes e antigos é o Tá Na Rua. O grupo, atuante desde os anos 80 no Rio de Janeiro, é formado por um coletivo de atores que visavam em suas pesquisas a desconstrução da linguagem do teatro tradicional. Em sua trajetória o grupo inovou, misturando o teatro e o carnaval. Hoje, com seu modo próprio de atuar, é amplamente conhecido e apresenta propostas diferentes e inusitadas. O grupo também oferece aulas e oficinas em sua unidade na Lapa.

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Apresentação do grupo Tá na Rua “Alegria do palhaço é ver o circo pegar fogo”. Foto: Reprodução.

Em São José dos Campos há, desde 2003, o Grupo Teatro do Imprevisto. Entre suas produções, o grupo fez montagens baseadas em obras literárias, e, posteriormente, criações próprias explorando o imaginário popular brasileiro. O grupo também promoveu algumas oficinas experimentais e participa de diversos festivais no Brasil.

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Apresentação do grupo Teatro do Imprevisto “Zé Malandro”. Foto: Reprodução.

Em São Paulo, há o grupo Tablado de Arruar, que faz suas encenações visando a discussão da vida urbana e seus conflitos nas ruas da cidade. Na cidade atua também o Núcleo Pavanelli de teatro de rua e circo, que mistura à sua estética de dramaturgia elementos circenses.

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Apresentação do grupo Tablado de Arruar “Movimentos para atravessar a rua” Foto: Reprodução.

Todo ano também acontece o Festival de Teatro de Rua de Porto Alegre no mês de abril. Nesse ano aconteceu a sua 6ª edição, que contou com 10 dias de apresentações com grupos de teatro nacionais e internacionais.

As agendas dos diversos grupos de teatro de rua são geralmente compartilhadas nas suas páginas no Facebook e em seus sites, indicando o local em que serão feitas as apresentações. Todas são livres e gratuítas.

Por Roberta Vassallo
robertavassallob@gmail.com

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