Jornalismo Júnior

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Do repórter-herói ao paparazzo: como o cinema construiu o jornalista 

Transformar a história em pauta é sua ferramenta de trabalho. A indústria cinematográfica com frequência se apropria do profissional repórter em quatro estereótipos para desenvolver sua narrativa
Por Renata Paes (renatapaes777@usp.br)

O último lançamento da franquia do Super-Homem, Superman (2025)colocou, novamente, Clark Kent, identidade secreta do super-herói, em evidência entre os fãs de cinema. Interpretado por diferentes atores em produções live-action, como Christopher Reeves e David Corenswet, o personagem mantém uma característica que atravessa todas suas versões: o jornalismo. 

Desde suas primeiras aparições no cinema, Clark é apresentado como como um repórter que escreve para o jornal Daily Planet, representação que está longe de ser exclusiva do herói. De Crepúsculo dos Deuses (1950) a Superman (2025), jornalistas são representados por diferentes arquétipos no cinema, dentre eles, o de protetor do interesse público. 

O jornalismo sempre foi uma pauta no cinema. Federico Fellini, grande cineasta e roteirista italiano, coloca o jornalista como figura central em filmes como A Doce Vida (1960), O Navio (1983) e Agência Matrimonial (1953). Já Billy Wilder explora os bastidores da profissão em A Montanha dos Sete Abutres (1951), obra que retrata o sensacionalismo na cobertura jornalística. Com base em produções que percorrem diferentes períodos da história do audiovisual, a imaginação criativa cinematográfica estabeleceu diferentes traços para a profissão, que, por consequência, influenciam a percepção popular sobre o jornalismo.

Para Simone Castro, jornalista formada pela Universidade do Vale do Itajaí (Univali) e pós-graduada em Argumento e Roteiro para Cinema pela Faculdade Armando Álvares Penteado (FAAP), o interesse da indústria pela figura jornalística acontece por sua capacidade de disparar uma história. “A narrativa clássica cinematográfica precisa de um incidente incitante para que se desenvolva, e não há nada mais interessante do que uma personagem que leva o espectador a descobrir junto com ela a trama e seus segredos”, contou em entrevista à Jornalismo Júnior. 

Entre os estereótipos mais recorrentes do repórter em produções estão o jornalista paparazzo, figura que ultrapassa limites, interfere na vida dos outros e transforma acontecimentos privados em notícia;  o jornalista-herói, personagem que utiliza a profissão como instrumento de investigação e defesa do interesse público; o jornalista oportunista, profissional que prioriza audiência, fama ou benefício próprio em detrimento de princípios jornalísticos; e o jornalista intelectual-frustrado, representação ligada à escrita, à literatura e à vida intelectual, mas que frequentemente aparece marcada pela frustração.

O paparazzo

O termo paparazzo surgiu a partir de A Doce Vida (La Dolce Vita, 1960), filme que retrata a obsessão da imprensa pela vida privada das celebridades. A produção acompanha Marcello Rubini (Marcello Mastroianni), um jornalista de fofocas que, em meio à perseguição de estrelas, apaixona-se por Sylvia (Anita Ekberg), uma atriz hollywoodiana. 

Ao lado de Paparazzo (Walter Santesso), seu parceiro fotógrafo, Marcello percorre as noites de Roma em busca de acontecimentos que possam render notícias. Sempre munido de uma câmera, Paparazzo invade o espaço pessoal das celebridades para registrar momentos íntimos, cotidianos ou comprometedores. É dessa prática intrusiva que surge o termo italiano paparazzo, posteriormente utilizado para designar fotógrafos que perseguem pessoas famosas em busca de imagens exclusivas.

O personagem Paparazzo foi inspirado no fotojornalista italiano Tazio Secchiaroli, que trabalhava fotografando celebridades na Via Veneto, em Roma [Imagem: Reprodução/ Wikimedia Commons]

Em grande parte do filme de Fellini, os paparazzi — plural de paparazzo — aparecem em meio à agitação das ruas, atropelando-se, gritando e disparando flashes na tentativa de conseguir o melhor registro. Contrariando a captura do momento cru, os paparazzi intervêm na realidade em busca de ângulos chocantes, pedindo poses e repetições de atos das pessoas fotografadas. A fórmula do “jornalismo de perseguição” foi usada em diversas produções posteriores, por vezes pautando a trama ou surgindo como plano secundário. 

Em Um Lugar Chamado Notting Hill (Notting Hill, 1999), a atriz Anna Scott, interpretada por Julia Roberts, tem a sua vida pessoal transformada em espetáculo quando só deseja privacidade. O jornalismo aqui é quase predatório: a personagem precisa fazer uso de disfarces para conseguir aproveitar momentos banais sem a preocupação de perseguição pelos tablóides. Já Paparazzi (2004), exemplo direto do arquétipo, narra as consequências da perseguição de um astro de Hollywood e sua família por fotógrafos.

A busca pela imagem exclusiva também transforma o jornalista em um personagem que está sempre em movimento, atravessando espaços privados e chegando a situações às quais o público não teria acesso. É essa posição privilegiada diante dos acontecimentos que torna o paparazzo uma figura recorrente nas narrativas cinematográficas. 

“Isso de ser meio inconveniente faz parte da nossa profissão. Na vida real, somos pessoas meio ‘pentelhas’. É complicado, às vezes se tenta colocar na boca da pessoa aquilo que queremos ouvir”, revelou Simone. A fala aproxima a representação cinematográfica de uma prática reconhecida no cotidiano da profissão: a insistência na busca pela declaração ou imagem que possa render uma boa história.

 No cinema, porém, essa característica é levada ao extremo. A insistência se transforma em perseguição, e a busca pela notícia passa a ultrapassar os limites da privacidade, consolidando a figura do jornalista movido pela “paixão por fofoca”. 

O jornalista herói

“Estou aqui para lutar pela verdade e pela justiça (…)”. A frase, dita pelo Super-Homem (Christopher Reeve) , também poderia ser atribuída ao jornalista Clark Kent, sua identidade civil — afinal, o ofício jornalístico também se pauta nesses valores. De acordo com o Código de Ética dos Jornalistas Brasileiros, a profissão tem a premissa de defesa do interesse público, ou seja, a busca pelo benefício coletivo.

No cinema, o heroísmo do jornalista oscila entre os “semideuses justiceiros”— figuras humanas dotadas de poderes sobrenaturais que, em suas formas comuns, exercem o jornalismo — e  repórteres “mocinhos” que, em meio ao cotidiano da profissão, transformam a apuração e a publicação de suas matérias em instrumentos de denúncia e justiça. 

O exemplo mais conhecido de herói literal é Clark Kent. Ele trabalha como repórter investigativo no jornal fictício Planeta Diário e atua em campo para combater a ilegalidade tanto em sua profissão quanto em sua face sobre-homem. Enquanto jornalista, busca informações e acompanha acontecimentos; como Superman, intervém diretamente para impedir injustiças.

Para Mayara Youssef, estudante de jornalismo na Universidade de São Paulo (USP), a escolha de Clark como jornalista está relacionada ao acesso à informação. Por meio de fontes e dados privilegiados, o personagem consegue obter informações que contribuem para sua atuação como herói. 

Outro fator, segundo ela, é a liberdade proporcionada pela profissão. “Clark Kent, como Superman, precisa de uma profissão com atuação em campo para conseguir salvar a cidade. Seus momentos de cobertura podiam ser convertidos em ações heróicas concretas”, pontuou.

Acima desses aspectos, porém, Mayara destaca o lado humano do jornalismo como principal motivo para a escolha. “Um dos grandes papéis do jornalismo é contar histórias e expor fatos. Para além de sua atuação como super-herói, Clark também protegia Metropolis com sua profissão”, finalizou.

Em Spotlight: Segredos Revelados (Spotlight, 2015), os espectadores são introduzidos ao arquétipo heróico realista. Baseado em fatos reais, o longa acompanha o trabalho de uma equipe especial de jornalistas do The Boston Globe que, em 2002, revelou como a Igreja Católica acobertou durante décadas a pedofilia de padres. 

Para o repórter do G1 Rodrigo Ortega, o filme faz uma ode ao trabalho jornalístico e defende sua função social em meio a crise do setor, que abarca queda de audiência e necessidade de conquistar leitores — ambos pontos mencionados no filme. Embora o cenário difícil figure no campo, o jornalista entende que ele não representa o declínio da profissão. A obra, nesse sentido, “ainda deixa claro que a figura do jornalista independente e corajoso ainda pode ser heróica – não voando fora da redação, como um Clark Kent, mas trabalhando à paisana mesmo”. 

Comandada por Walter Robinson, a equipe do Boston Globe produziu uma longa reportagem sobre os casos de crimes sexuais com crianças envolvendo padres e recebeu o Prêmio Pulitzer em 2003 [Imagem: Divulgação/Sony Pictures] 

O telespectador testemunha desde a escolha da pauta sobre os casos de abusos cometidos por membros da Igreja católica até a publicação da reportagem. É nesse percurso que o filme constrói seu heroísmo: não há poderes sobrenaturais ou grandes atos individuais, mas um trabalho coletivo de apuração, checagem e publicação de informações de interesse público. 

Na visão de Simone Castro, a representação do jornalista como herói pode reforçar uma expectativa equivocada de que os profissionais da área sejam “santidades protetoras”. Segundo ela, a representação é recorrente no cinema e associada à “jornada do herói”, conceito de Joseph Campbell que descreve o percurso de um protagonista diante de desafios e transformações.

“Jornalistas não são heróis, pelo contrário, em geral fazem um trabalho básico e às vezes até chato”                                                                                                                        Simone Castro

O jornalista oportunista 

A ultrapassagem da ética acompanhada da distorção da realidade em uma busca desenfreada por sucesso é o que define Louis Bloom (Jake Gyllenhaal), protagonista do filme O Abutre (Nightcrawler, 2014), representante do arquétipo do profissional oportunista. 

A personagem, em meio a uma crise financeira, decide se lançar ao jornalismo policial na esperança de obter dinheiro. A ideia surge a partir de uma conversa com um fotojornalista durante a cobertura de um acidente rodoviário. Bloom observa a atuação do cinegrafista e pergunta quanto ele recebe pelo trabalho. A resposta funciona como pontapé para sua entrada no mundo noticioso: “if it bleeds, it leads”, ou seja, “se sangra, dá audiência”. Louis então compra um rádio de polícia para ter acesso a informações privilegiadas, como a localização exata de cenas trágicas.

Em busca dos takes mais trágicos e dramáticos, Louis Bloom interfere em cenas de acidentes e homicídios, ele reposiciona vítimas e espalha sangue pelos locais para tornar as imagens mais impactantes [Imagem:Divulgação/ Diamond Films] 

Então, Louis passa a se aproveitar de momentos trágicos para gravá-los e vendê-los a uma grande emissora de Los Angeles. O protagonista, que enxerga o dinheiro como principal objetivo, seleciona as ocorrências que considera mais rentáveis com base no perfil das vítimas e na repercussão que podem gerar. 

Segundo Nina Romina (Rene Russo), diretora do telejornal da madrugada para o qual Bloom vende seu material, imagens de pessoas brancas e moradoras de bairros abastados feridas ou mortas em crimes cometidos por negros e imigrantes são as melhores. Por isso, quando cenas criminosas têm outras composições, com minorias machucadas, por exemplo, o personagem não se dá nem ao trabalho de ouvir as informações da polícia por completo.

É dessa busca pelo sangue e pelo aspecto mais gráfico das cenas que surge a relação com o título do filme. O abutre é uma ave de hábitos necrófagos, ou seja, que se alimenta de animais mortos. O personagem de Gyllenhaal, em sua busca desenfreada por acidentes e ocorrências violentas, aproxima-se da figura do pássaro. Para ambos, o sangue sacia.

De acordo com Simone Castro, a busca por audiência e exclusividade é uma constante do jornalismo real que encontra boas representações no cinema. Em entrevista, a jornalista citou o filme A Montanha dos Sete Abutres (Ace In The Hole, 1951), de Billy Wilder. 

Para ela, a lógica oportunista aparece na trajetória de Chuck Tatum (Kirk Douglas), jornalista que espetaculariza um acidente ocorrido em uma mina. Em vez de priorizar o resgate da vítima, Tatum prolonga a cobertura e manipula a situação para garantir a exclusividade da história e atrair cada vez mais atenção do público.

Ao final do longa, o local do acidente transforma-se em um ponto turístico, procurado por pessoas atraídas pelo espetáculo em torno da tragédia. A cena evidencia como a exploração jornalística ultrapassa a busca por audiência e passa a alimentar a própria curiosidade do público, convertendo o sofrimento alheio em mercadoria. 

Para o arquétipo do jornalista oportunista, acontecimentos trágicos deixam de ser apenas objetos da notícia e passam a ser matéria-prima para a disputa por audiência. Se Tatum prolonga um resgate para garantir a exclusividade, Bloom interfere diretamente nas cenas que registra para produzir imagens cada vez mais impactantes. 

A urgência jornalística é substituída pela oportunidade de transformar a tragédia em espetáculo rentável — o que pode representar tanto um traço de personalidade das personagens quanto um reflexo das exigências da própria indústria midiática, sugeriu Simone. 

O jornalista intelectual-frustrado

 La Dolce Vita (1960) abarca também outro arquétipo jornalístico recorrente no cinema: o intelectual-frustrado. Marcello Rubini (Marcello Mastroianni) tem o desejo de ser um escritor sério, porém passa os dias cobrindo pautas sensacionalistas na Roma dos anos 1950. A personagem expressa diversas vezes ao longo do filme o seu desejo de largar os tablóides — estilo de imprensa focado em conteúdos populares — para focar em produções mais densas e respeitadas. 

Há uma cena que ilustra bem a frustração de Marcello com o caminho que tomou. Em um restaurante à beira-mar, o jornalista se afasta da agitação da cidade para tentar escrever. Mesmo distante do ambiente em que trabalha, Marcello não consegue se concentrar. Sua atenção se volta para Paola (Valeria Ciangotinni), uma jovem garçonete do local, enquanto o projeto literário que tanto menciona permanece sem se concretizar. 

A recorrência do livro inacabado reforça a distância entre a carreira que Marcello exerce e a trajetória intelectual que gostaria de construir. A personagem então mergulha em um estado de tédio e cinismo. 

Crepúsculo dos Deuses (Sunset Boulevard, 1950), também apresenta esse arquétipo. Joe Gillis (William Holden) é um jornalista quebrado que — perseguido pela polícia por estar há três semanas sem pagar as parcelas de seu carro — foge em busca de arranjar dinheiro e manter seu veículo. 

É em seu escape desesperado que o protagonista se esconde em uma garagem acoplada a uma mansão. A casa de alto padrão pertence a Norma Desmond (Gloria Swanson), atriz do cinema mudo esquecida pela mídia em razão de seu envelhecimento. Joe é recebido pelo  devoto mordomo da antiga estrela, e logo instala-se na vida dos dois solitários. 

Gloria Swanson também havia sido uma das grandes estrelas do cinema mudo [Imagem: Reprodução/ Wikimedia Commons] 

O filme é narrado pelo próprio Gillis, com observações ácidas, frias e distanciadas sobre a loucura de Norma e a falsidade de Hollywood que caracterizam a postura de um jornalista calejado e desiludido que já não vê saída para exercer seu ofício da forma que um dia sonhou. 

Em uma passagem na qual o protagonista tenta vender um de seus roteiros “baratos”  para um produtor do estúdio Paramount, Betty Schaefer (Nancy Olson), funcionária do escritório, crítica o texto e expressa depositar esperança em um trabalho mais original e menos mercadológico produzido pelo personagem. 

“A razão pela qual eu odiei o seu texto foi porque conheço o seu nome. Sempre ouvi que você tem talento”, diz ela a Joe, que retruca com “Isso foi no passado. Este ano estou tentando ganhar a vida”. A fala exprime a tensão entre ambição intelectual, deixada para trás há muito tempo, e necessidade de sobrevivência.

De acordo com Simone Castro, a recorrência dessa representação do jornalista está relacionada ao fato de que personagens interessantes são aqueles que apresentam múltiplas camadas. “A profissão tem seu objetivo associado à busca por um mundo melhor e a um certo idealismo. Por isso, o baque do mundo real chega a chocar bastante. É daí que a figura do intelectual-frustrado surge”, diz ela. 

Em Uma Doce Vida, Marcello ainda alimenta a expectativa de abandonar o jornalismo sensacionalista para se dedicar à literatura. Já em Crepúsculo dos Deuses, Joe Gillis parece ter transformado a frustração com a própria carreira em cinismo. Para ambos, o trabalho que exercem está distante da trajetória que um dia imaginaram para si, já que a profundidade não os oferece um bom retorno financeiro. 

“Os jornalistas representados pelo cinema refletem uma sociedade complexa e a frustração de quem produz arte em meio a ela”                                                                                        Simone Castro

Este arquétipo está em consonância com a vida real? Segundo Simone Castro, a resposta é sim. “Quando entramos na faculdade de jornalismo, é comum se apegar à ideia de poder mudar o mundo futuramente. Com o tempo, a vida vai nos engolindo e caímos na realidade”, relatou. 

Para ela, a profissão também instiga à reflexão, enquanto o contato direto com o corpo social e com as complexidades do ser humano suscita, inevitavelmente, frustração. No fim, a busca por reconhecimento e o contato com o mundo real, elementos que segundo Simone fazem parte do ofício, aproximam os profissionais da área de Marcello e Joe. 

Qual é a distância entre o jornalista real e o cinematográfico?

Segundo Simone, os filmes citados representam bem os jornalistas da época em que foram produzidos. Para ela, o jornalismo contemporâneo, marcado pela presença das redes sociais, pela disseminação de fake news e pelo excesso de informações, apresenta desafios maiores para ser representado pelo cinema. 

A jornalista exemplificou esse cenário ao mencionar a cobertura da atual crise no Supremo Tribunal Federal: “São tantos furos. É uma loucura difícil de retratar. A vida cotidiana é sem tempo. Há um lado de correria na atualidade sem glamour que para o cinema não funciona”. 

A distância entre essa realidade e a representação cinematográfica ajuda a explicar o apelo de obras como O Diabo Veste Prada (2006), cuja sequência chegou aos cinemas em 2026. Ao acompanhar a rotina de uma revista de moda, os filmes transformam o ambiente editorial em um universo de prestígio, poder e sofisticação, no qual a proximidade com figuras influentes e a disputa por espaço profissional ocupam o centro da narrativa. O sucesso da franquia evidencia como o cinema ainda encontra no glamour e nos bastidores da imprensa elementos capazes de despertar o interesse do público, mesmo quando a realidade das redações envolve uma dinâmica menos espetacular.

Cruzar dados, fazer telefonemas e ler muito são aspectos que fazem parte do trabalho jornalístico, mas que acabam pouco representados nas telas por serem menos atraentes para a narrativa cinematográfica, pontuou Simone. No filme brasileiro O Debate (2022), o jornalismo é retratado de maneira distante da realidade, segundo ela. “Eles ficam mil horas discutindo em uma mesa. Nós jornalistas não temos tempo para isso na vida real. Além disso, as redações hoje têm uma dose muito grande de online”.

Apesar de as representações contemporâneas não coincidirem com o cotidiano dos jornalistas e com os novos formatos de produção e circulação da notícia, Simone acredita que a presença desses profissionais no cinema ainda deve perdurar. “A profissão é interessante para observar a sociedade. Por mais que suas formulações estejam associadas ao olhar do roteirista e do diretor, há um olhar contemplativo do corpo social muito útil para contar histórias com profundidade. O jornalista acaba sendo a representação do próprio telespectador”, finalizou. 

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