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Festival de Cinema Europeu Imovision chega a sua 2ª edição em São Paulo

A Noite de Gala contou com personalidades do cinema europeu e levou dezenas de pessoas à sala de exibição
por Alícia Simões (aliciasimoes@usp.br)

O Festival Imovision levou, com êxito, sua segunda edição à Reserva Cultural de São Paulo na última sexta-feira (24). O evento contou com a presença dos diretores Julio Medem (Espanha), Ludovic & Zoran Boukherma (França), da diretora Alantë Kavaïté (Lituânia) e da atriz Barbara Ronchi (Itália).

O Festival, que aconteceu em mais de 20 cidades do Brasil (como Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Recife e Salvador), exibiu 14 filmes europeus (a lista completa está no final do texto) entre os dias 23 e 29 de abril. A curadoria lançou obras inéditas no país, que receberam diversas premiações por todo o mundo. As sessões contaram com produções da França, Alemanha, Itália, Espanha, Suíça e Polônia.

Além disso, a semana contou com sessões especiais com a participação da delegação internacional em Niterói, São Paulo, Brasília, Salvador e Florianópolis. Nessas exibições, os espectadores tiveram a oportunidade de assistir ao filme e participar de um debate com os diretores/atores convidados.

Tapete Vermelho

O red carpet de São Paulo foi marcado pela presença dos 5 cineastas europeus, além da imprensa, artistas e influenciadores digitais convidados pela organização. 

Delegação internacional presente no Festival, composta por Ludovic & Zoran Boukherma, Barbara Ronchi, Alantë Kavaïté e Julio Medem
[Imagem: Alícia Simões/Jornalismo Júnior]

Em entrevista ao Cinéfilos, a diretora Alantë Kavaïté se mostrou muito animada em apresentar seu filme Beladona (Belladone, 2025) ao país. A obra aborda temas sensíveis, como a velhice e o abandono, de forma delicada, o que comoveu bastante os espectadores. A trama se passa num futuro próximo em que a jovem Gaëlle vive em uma ilha isolada do mundo, cuidando de um pequeno grupo de idosos.  “Eu acabei de ter minha primeira projeção no Brasil e eu estou muito feliz, porque eu tive um público que chorou, eu tive muitas emoções”, revelou Kavaïté . 

Além disso, a cineasta comentou sobre como a direção é uma tarefa mais desafiadora para mulheres mas que, ao mesmo tempo, faz com que questões menos usuais sejam abordadas em tela. O próprio tema da velhice, muitas vezes, é tido como um tabu, e sua ideia no longa era justamente quebrar essa visão estigmatizada sobre os idosos.

“Talvez nós, as mulheres, sejamos mais loucas, mais corajosas para tratar assuntos que são difíceis e que não são necessariamente muito comerciais.”

– Alantë Kavaïté

O diretor Julio Medem, que realizou os aclamados filmes Os Amantes do Círculo Polar (Los Amantes del Círculo Polar, 1998) e Lucía e o Sexo (Lucía y el Sexo, 1998), esteve presente para lançar a sua nova produção 8 Décadas de Amor (8, 2025). A história envolve um casal que se relaciona por oitenta anos, vive um amor intenso e apaixonado, e passa por diversos marcos importantes juntos.

A atriz Barbara Ronchi, considerada um dos principais nomes do cinema italiano contemporâneo, também marcou presença no Tapete Vermelho. Ela está exibindo o filme Diva Futura (2024), que trata da indústria pornográfica da Itália nos anos 1980 e 1990, mostrando a trajetória de personalidades como Cicciolina e Moana, conhecidas mundialmente nesse meio naquela época.

Ronchi declarou à Jornalismo Júnior que o processo de preparação e atuação foi bastante desafiador, mas, destaca, “o importante é não deixar que o juízo dos outros determine quem você é. Isso foi para mim a linha de guia para interpretar esse filme, esse personagem.” A artista também comentou que tem sido um prazer ver a recepção do filme pelo público brasileiro e que são “muito atentos, muito divertidos e também muito fascinados com esse mundo que nós contamos”.

O evento também contou com a participação dos irmãos gêmeos Ludovic & Zoran Boukherma, que trazem ao Brasil E Seus Filhos Depois Deles (Leurs enfants après eux, 2024). O enredo do filme envolve experiências de um menino adolescente que vive sua primeira grande paixão por uma menina durante o verão francês.

Os diretores disseram que foi uma experiência muito interessante trabalhar com atores tão jovens que, em grande parte, nunca tinham gravado cinema antes. Também comentaram sobre as vantagens e desafios da direção em dupla. Para eles, é uma missão extremamente difícil, e dividi-la com outra pessoa torna o trabalho mais proveitoso.

Sessão especial

A noite de sexta-feira também contou com uma exibição especial do filme polonês Erupcja (2025). A sala de cinema estava absolutamente lotada por muitas pessoas entusiasmadas com a abertura do festival na cidade. Alguns espectadores tiveram que sentar nos degraus da sala, outros pegaram puffs e cadeiras para se acomodarem onde havia algum espacinho.

Erupcja é dirigido por Pete Ohs e conta a história de duas mulheres com vidas amorosas complexas. Nel (Lena Gora) vive uma vida tranquila, trabalhando em uma floricultura, até que tudo muda quando Bethany (Charli XCX), amiga de infância, chega. Ela é uma turista do Reino Unido e visita Varsóvia junto de seu namorado Rob (Will Madden). Durante a viagem, Bethany foge do roteiro planejado com medo de ser pedida em casamento. Nesse caminho, muitas coisas acontecem e refletem as emoções entre as duas amigas.

Erupcja é a primeira grande aparição da cantora pop Charli XCX no cinema, um dos destaques no filme
[Imagem: Divulgação/Festival Imovision]

Como contou Pete Ohs, a ideia para a produção veio a partir de uma visita dele à Polônia. Ele disse que a viagem foi muito inspiradora e que precisava produzir algo a partir dela. Apesar disso, o cenário polonês aparece mais como “pano de fundo” do que como um elemento essencial na narrativa da obra. 

O diretor conseguiu trazer uma reflexão interessante sobre relacionamentos contemporâneos, mas, em alguns momentos, de forma fria e fragmentada. A distância do filme dessa “erupção” vulcânica foi algo criticado. Parece que ele não consegue cumprir o que se propõe, e, justamente, permanece longe desse suposto vulcão que inspira o título.

Ainda sim, há muitos pontos positivos a serem destacados. O público teceu elogios à boa resolução da trama, à qualidade das atuações e, ainda, à fotografia e estética visual, principalmente nas imagens de vulcões, que trazem junto uma sensação de calor.

Antes da sessão houve um bate-papo com os artistas presentes, com o trailer dos respectivos longa-metragens e algumas  perguntas feitas pelo mediador. Pela reação do público, muitos se sentiram curiosos em assistir a obra completa. A organização também mostrou vídeos dos diretores dos outros filmes do festival, que não puderam comparecer mas gostariam de enviar alguma mensagem.

Também houve uma fala do francês Jean Thomas Bernardini, fundador do Cinema Reserva Cultural em São Paulo e idealizador do Festival Imovision, sobre a criação do evento, seleção dos filmes e as expectativas para a edição de 2026, que foram altas, visto que considera a de 2025 um grande sucesso.

Lista Completa

Ao todo, foram exibidos 14 filmes de 6 países. 

  • As Cores do Tempo’ (La Venue de L’avenir, 2025), de Cédric Klapisch (França)
  • O Grande Arco de Paris (L’inconnu de la Grande Arche, 2025), de Stéphane Demoustier (França)
  • E Seus Filhos Depois Deles (Leurs enfants après eux, 2024), de Ludovic & Zoran Boukherma (França)
  • Beladona (Beladonne, 2025), de Alanté Kavaïté (França)
  • A Divina Sarah Bernhardt (Sarah Bernhardt, La Divine, 2024), de Guillaume Nicloux (França)
  •  Mirrors No. 3 (Miroirs No. 3, 2025), de Christian Petzold (Alemanha)
  • Amiga Silenciosa (Silent Friend, 2025), de Ildikó Enyedi (Alemanha)
  • Uma Infância Alemã (Amrum, 2025), de Fatih Akin (Alemanha)
  • Querendo ou Não (Come ti muovi, sbagli, 2025), de Gianni Di Gregorio (Itália)
  • Diva Futura (2024), de Giulia Louise Steigerwalt (Itália)
  • 5 Segundos (Cinque Secondi, 2025), de Paolo Virzì (Itália)
  • Oito Décadas de Amor (8, 2025), de Julio Medem (Espanha)
  • Erupcja (2025), de Pete Ohs (Polônia)
  • Rebelião Silenciosa (À Bras-le-corps, 2025), de Marie-Elsa Sgualdo (Suíça)

*Imagem de capa: [Alícia Simões/Jornalismo Júnior]

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