Por Luiza Paglione (luizapaglione@usp.br)
Após uma corrida acirrada, os candidatos Flávio Bolsonaro (PL) e Luiz Inácio Lula da Silva (PT) se enfrentarão no segundo turno das eleições majoritárias marcadas para o último domingo do mês de outubro, dia 25. Flávio obteve 47,1% dos votos válidos contra 45% de Lula, segundo dados oficiais do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) divulgados neste domingo (4).
A eleição para a presidência do Brasil teve 3.340.881 votos nulos (2,90%), 2.119.834 brancos (1,84%) e 30.691.709 abstenções (21,1%). Com o avanço para o segundo turno, ficam de fora da disputa Clariana Barão (DC), Edmilson Costa (PCB), Augusto Cury (Avante), Hertz Dias (PSTU), Leonardo Avalanche (PRTB), Renan Santos (Missão), Ronaldo Caiado (PSD), Rui Costa Pimenta (PCO), Samara (UP), Wilson Grassi (Democrata) e Romeu Zema (Novo).
O candidato eleito no segundo turno toma posse do cargo no dia cinco de janeiro de 2027 no Palácio do Congresso Nacional, em Brasília. O dia da posse, anteriormente no primeiro dia do ano, foi mudado conforme a Emenda Constitucional n° 111/2021 para que a população, os governadores, autoridades e chefes de Estado possam prestigiar o novo presidente do Brasil sem conflito com o Ano Novo.
Lula busca o “tetra”
Luiz Inácio Lula da Silva foi eleito presidente do Brasil em 2003, aos 57 anos, em 2007, aos 61 anos e em 2023, aos 77 anos. Foi metalúrgico, sindicalista e o primeiro a ocupar esse cargo sem um diploma universitário, além de ser o único presidente da história do país a vencer três eleições presidenciais por meio do voto direto.
Em sua campanha de reeleição para o quarto mandato, o presidente promete, no Plano de Governo, o aprofundamento das reformas estruturais com foco no desenvolvimento sustentável para 2027 a 2030. A proposta combina expansão de programas sociais como o Pé-de-Meia e o Minha Casa, Minha Vida, mobilização de fundos privados através do programa Eco Invest Brasil e o aprofundamento do mercado de capitais e parcerias para financiamento de obras de infraestrutura do Novo PAC (rodovias, ferrovias e portos).
O governo atual de Lula obteve 53,6% de desaprovação, segundo dados da pesquisa AtlasIntel/Bloomberg divulgados em setembro deste ano. Esse percentual decorre, principalmente, de fatores econômicos como a inflação do preço dos alimentos e o aumento do dólar. Em contrapartida, os 45,2% que aprovam seu governo partem dos baixos índices de desemprego, isenção do imposto de renda para quem ganha até 5 mil reais e a ampliação de programas de assistência social.
O legado Bolsonaro
Flávio Nantes Bolsonaro é senador pelo Estado do Rio de Janeiro e o filho mais velho do ex-presidente da República, Jair Bolsonaro (PL), preso por tentativa de golpe de Estado pelos atos de 8 de janeiro de 2023. O candidato do PL é formado em Direito pela Universidade Cândido Mendes (Ucam) e iniciou sua carreira política como assistente técnico do gabinete do Partido Progressista Brasileiro (PPB), atual Progressistas, seguido do cargo de deputado estadual do RJ (2003 a 2019) e senador (2019 – atual).
Em seu Plano de Governo, intitulado “Para o Brasil vencer o atraso”, Flávio promete implementar um conjunto de medidas focadas em segurança pública, desburocratização, redução de impostos, valorização da família, investimentos em infraestrutura e reforma do Estado. O plano menciona a criação da Central da Mulher — que unificará serviços de apoio e qualificação de mulheres em estruturas fixas por todo o país —, do Smart Brasil, proposto anteriormente sob o nome de Sistema Muralha Brasileira, que integrará reconhecimento facial e mais de um milhão de câmeras para prevenir crimes e localizar foragidos. Flávio também propõe o programa Minha Primeira Empresa, que facilitará a abertura de negócios para novos empreendedores.
Apesar de Jair Bolsonaro estar inelegível, a figura do ex-presidente é o pilar central da estratégia de Flávio para mobilizar a base conservadora. O candidato do PL busca converter o prestígio e o eleitorado do pai em votos: “Olham para mim enxergando o legado de Jair Bolsonaro com outra postura”, disse Flávio em entrevista ao SantoFlow Podcast. Essa aliança familiar reforça a promessa de continuidade do projeto bolsonarista, posicionando Flávio não apenas como herdeiro político, mas como o nome capaz da oposição na disputa eleitoral.
Banco Master não atrapalhou a campanha
O envolvimento do candidato do PL à presidência com o recente caso do Banco Master, no qual Flávio era “interlocutor direto” de repasses financeiros para financiamento do filme de seu pai, “Dark Horse”, não foi o suficiente para afundar a sua campanha eleitoral. Durante as primeiras horas de apuração, o filho do ex-presidente abriu uma grande vantagem em relação ao petista. Após mais de 70% das urnas apuradas, o liberal seguiu recebendo uma quantia significativa de votos, assim como apontavam as pesquisas pré-eleitorais.
[Imagens de capa: à esquerda, Palácio do Planalto/Wikimedia Commons; à direita, Agência Senado/ Wikimedia Commons]
Esta reportagem foi produzida pela repórter Luiza Paglione sob a supervisão da diretora de redação Gabriella dos Santos.






