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Netflix: ‘A Trincheira Infinita’ – um drama de perseguição política na Espanha Franquista
CINÉFILOS
26 nov 2020 | Por Theo Sales (theo.carvalho@usp.br)

Guerra Civil Espanhola, Segunda Guerra Mundial e Ditadura Franquista marcam um período sombrio na história da Espanha, no qual seus cidadãos foram perseguidos por suas opiniões políticas. 

Esse é o contexto de A Trincheira Infinita (La Trinchera Infinita, 2019), um drama que mostra a história de Higinio Blanco (Antonio de la Torre), um crítico do regime autoritário de Francisco Franco que teve de se esconder em um buraco na sua própria casa para não ser assassinado. 

Começando em 1936, no início da Guerra Civil Espanhola, a obra acompanha Higinio e Rosa (Belén Cuesta), sua esposa, até a anistia política em 1969. Ou seja, passa-se um período de mais de três décadas ao longo do filme e durante todo este tempo Higinio tem de se manter escondido.

As circunstâncias da época são apresentadas já no início do longa, com várias cenas de violência e de perseguição dos opositores ao franquismo. Vários homens são levados da vila para serem assassinados, ou “desaparecidos”, mas Higinio consegue escapar e fugir dos tiros dos soldados em sua direção. 

Vale notar um aspecto importante da narrativa da produção:  a divisão em “capítulos”. A cada parte da história surge uma palavra acompanhada de seu significado que se traduz nas cenas. A primeira parte inicia com “campeada”, cujo significado é “correria, saída repentina”. 

 

Higinio fugindo dos soldados franquistas. [Imagem: Divulgação/Netflix]

Higinio fugindo dos soldados franquistas. [Imagem: Divulgação/Netflix]

Em seguida, aparece “esconder”. Após uma fuga arriscada o protagonista volta a sua casa, onde permanecerá escondido em um buraco. Sobrevivendo da forma que fosse possível, Higinio não pode mais sair de casa ou falar com qualquer pessoa de fora. Rosa é constantemente interrogada sobre o paradeiro de seu marido. 

Sob constante ameaça de serem expostos, o casal vive em uma situação permanente de medo. Enquanto Rosa trabalha para sustentar os dois e pode sair às ruas, Higinio tem medo até de olhar pela janela da própria casa, temendo que alguém o veja e denuncie. Ele passa a maior parte do tempo isolado em seu buraco, praticamente encarcerado.

Essa é a trama que A Trincheira Infinita segue em suas quase duas horas e meia de duração, mostrando a vida desse casal perseguido. A violência do regime, intrigas com o vizinho, problemas de casal e as dificuldades do isolamento são retratados nesse drama espanhol.

Embora seja bastante longo e tenha um ritmo lento, o filme não chega a ser entediante, mas pode fazer o espectador perder a atenção algumas vezes. 

Olhando por uma brecha a vida dos personagens, assim como Higinio olha de seu buraco, o espectador é envolvido pelas ações e pelo desenrolar dos anos que se passam, quase como se convivesse naquela casa por todo esse tempo. Esse aspecto ajuda a manter o foco em momentos menos empolgantes. 

 

Higinio olhando por uma brecha na parede. [Imagem: Divulgação/Netflix]

Higinio olhando por uma brecha na parede. [Imagem: Divulgação/Netflix]

Fator a ser notado nessa produção é a direção de fotografia que acompanha os personagens e adentra nos cenários levando junto quem assiste. Dando uma sensação de estar em presença dos atores, a fotografia do filme cria um ambiente envolvente e cria uma aproximação que fortalece a narrativa.

Em algumas cenas, como na inicial em que Higinio foge dos soldados franquistas, a câmera corre junto dele, sem estabilizar a imagem, dando uma sensação de estar fugindo ao lado do personagem e aumentando a tensão do momento.

Além da fotografia, vale destacar a trilha sonora do longa, que o fez ganhar na categoria Melhor Som no Prêmio Goya. Com uma ambientação sonora muito boa, o filme permite uma contextualização e imersão muito mais fortes, que se unem à fotografia para criar uma verdadeira simbiose audiovisual. 

 

Rosa costurando enquanto Higinio observa o fogo em A Trincheira Infinita. [Imagem: Divulgação/Netflix]

Rosa costurando enquanto Higinio observa o fogo. [Imagem: Divulgação/Netflix]

A Trincheira Infinita já está disponível para assinantes da Netflix. Assista ao trailer

 

*Imagem de Capa: Divulgação/Netflix

Cinéfilos
O Cinéfilos é o núcleo da Jornalismo Júnior voltado à sétima arte. Desde 2008, produzimos críticas, coberturas e reportagens que vão do cinema mainstream ao circuito alternativo.
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COMENTÁRIOS
Marccus
Filme muito bem narrado. O telespectador se prende do inicio ao fim na narrativa que se passa de forma ate melancólica! A partir do primeiro buraco de esconderijo, o telespectador busca imaginar o desenrolar que será dado e (la vai spoiler)...a todo momento acha-se que ele sera descoberto e morto! Porém, não é o que acontece! Pequenos detalhes tornam o filme rico em sua narrativa, como o fato dele primeiro apagar o fogo de sua cama ao invés de salvar sua esposa de um estupro..outro é a exumação para queimar os ossos do estuprador! Filmão!
31 jul 2021
 
Maria Lindalva da Silva Souza
Um maravilhoso filme real 💯❤❤❤👏👏👏👏
09 jul 2021
 
Aldori Luis Tambara Zanini
Muito bom o filme!!!
26 fev 2021
 
Hellem
Ótimo filme, faz meu gosto drama histórico e história contada lentamente, porque as ações estão na interpretação do drama,para mim.
15 fev 2021
 
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